Além das 72 mortes, Juiz de Fora (MG) contabiliza 8.584 pessoas desabrigadas ou desalojadas. Entre as famílias que tiveram a rotina interrompida está a da auxiliar de cozinha Eliana Aparecida da Silva, de 57 anos, que agora divide um único cômodo de abrigo com outros 15 parentes. Todos estão morando temporariamente na Escola Municipal Professor Paulo Rogério dos Santos, no Bairro Monte Castelo, na Zona Norte da cidade.
Eliana chegou ao abrigo no fim da tarde da última terça-feira (24/2). Ela morava no Bairro Esplanada, na comunidade Colorindo o Habitar — nome que faz referência a um projeto social e cultural em que cada casa foi pintada de uma cor. Com ela viviam a filha especial, de 26 anos, outras duas filhas, de 20 e 27, o filho adolescente, de 14, e quatro netos. Outras quatro filhas, com idades entre 20 e 31 anos, e um filho, de 30, também moravam em imóveis próximos, na mesma comunidade.
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A casa onde Eliana morava não chegou a desabar, mas foi interditada. Segundo ela, todos os cômodos apresentam rachaduras. "A princípio, a gente não ia sair, mas a Defesa Civil acabou interditando. Não vai ter como recuperar a casa", relata. Móveis, roupas e objetos pessoais ficaram para trás. "A gente saiu com a roupa do corpo e nem sabemos ainda se vamos conseguir recuperar o que está lá dentro."
Moradora da comunidade há 43 anos, ela lembra da trajetória até conquistar o imóvel. "Foi uma luta muito grande para ter o pouco que a gente construiu ao longo dos anos, mas eu tenho muita fé. Posso estar sem nada agora, mas Deus vai me dar tudo de volta", afirma.
No último sábado (28/2), durante visita à cidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que o governo federal adotará medidas semelhantes às implementadas após a tragédia no Rio Grande do Sul, quando 173 pessoas morreram em decorrência das fortes chuvas.
Segundo o presidente, o governo vai apoiar as administrações municipais na reconstrução. Ele afirmou que a União ajudará os prefeitos a recuperarem as cidades, oferecerá crédito a pequenos empresários para que possam retomar suas atividades e atuará na recomposição de estruturas afetadas nas áreas de saúde e educação. Destacou ainda que haverá ações voltadas à garantia de moradia para quem perdeu a casa.
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Enquanto aguarda definições sobre o futuro, Eliana tenta manter a rotina possível dentro do abrigo, cercada pelos filhos e netos. Em meio à incerteza sobre quando e como poderá recomeçar, ela se apega à esperança de reconstruir não apenas a casa, mas a vida inteira que ficou para trás.
