Professora é agredida por mãe de ex no Dia da Mulher
Dodi Leal afirma ter sido agredida pela mãe do ex-companheiro contra quem tem uma medida protetiva em bar no Centro-Sul da capital;
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Celebrado em diversas partes do mundo como uma data de reconhecimento e luta pelos direitos das mulheres, o Dia Internacional da Mulher, comemorado no dia 8 de março, foi marcado por um episódio de violência em Belo Horizonte. A professora e performer Dodi Leal, de 41 anos, afirma ter sido agredida e ameaçada de morte no domingo (8/3) dentro de um bar na Galeria São Vicente, na Avenida Amazonas, na região Centro-Sul da capital. Segundo a vítima, a agressão foi cometida pela mãe do ex-companheiro, contra quem há uma medida protetiva em vigor e que utiliza tornozeleira eletrônica.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, os militares foram acionados após denúncia de descumprimento de medida protetiva de urgência no local. O homem trabalhava como garçom em um restaurante da galeria.
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Conforme o registro policial, ele afirmou que chegou ao estabelecimento por volta das 15h50 para iniciar o turno de trabalho. Cerca de dez minutos depois, a tornozeleira eletrônica começou a vibrar e a emitir alertas sonoros. Segundo o relato, ele enviou mensagens ao sistema de monitoramento pelo aplicativo do equipamento informando que o dispositivo estava disparando no local de trabalho.
Ainda segundo a ocorrência, ele também avisou a mãe sobre o ocorrido e pediu que ela informasse ao monitoramento que estava trabalhando caso houvesse contato. O homem alegou que, naquele momento, não havia visto Dodi no estabelecimento.
A mãe do acusado foi até o local e permaneceu no bar por cerca de 30 minutos, temendo que algo pudesse acontecer com o filho. Depois, teria ido até uma base de segurança comunitária na região do Mercado Central para buscar orientações.
Mais tarde, por volta das 19h50, a tornozeleira voltou a emitir alertas. O homem afirmou que comunicou a situação ao chefe do salão do bar e recebeu uma ligação da mãe informando que o monitoramento havia entrado em contato com a família relatando que Dodi havia acionado a Polícia Militar pelo telefone 190. Ele disse que deixou o bar e aguardou a chegada da polícia do lado de fora da galeria.
Alerta
Já na versão apresentada pela vítima, Dodi relatou aos policiais que começou a receber notificações do aparelho de monitoramento instalado em sua residência por volta das 16h. O dispositivo, segundo ela, sinaliza quando o ex-companheiro se aproxima do limite determinado pela Justiça.
A medida protetiva estabelece que ele não pode se aproximar dela a menos de 200 m. A professora contou que, por volta das 17h, foi até a Galeria São Vicente e entrou inicialmente em um bar chamado Lambe Lambe. Depois de circular pelo local, percebeu que o ex-companheiro trabalhava em outro estabelecimento da galeria.
Mesmo dentro do bar, o equipamento de monitoramento continuava emitindo alertas. Temendo pela própria segurança, Dodi procurou orientação na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. Conforme relatado no boletim, ela foi orientada a acionar o telefone 190 para solicitar a presença da Polícia Militar.
Confusão e agressões
Segundo a vítima, após a chegada dos policiais ao local, familiares do ex-companheiro também apareceram na galeria. Durante a confusão, a mãe do homem teria puxado o cabelo de Dodi e desferido dois tapas contra a vítima.
Ainda de acordo com o relato, o ex-companheiro também teria agredido o atual namorado da professora durante o tumulto. Dodi afirmou que recebeu ameaças durante o episódio e relatou que a mãe do ex-companheiro já havia feito ameaças anteriormente.
Mensagens e provocações
Depois do ocorrido, a professora afirma que continuou sendo alvo de provocações. Segundo Dodi, familiares do ex-companheiro passaram a enviar mensagens para ela por aplicativos e redes sociais. “Fico super constrangida. Não tenho nenhuma orientação quanto ao fato de ele trabalhar dentro do raio da minha casa”, afirma.
A professora diz que teme novas situações de violência. “Tenho medo. Ela já me ameaçou de morte. Ele está mobilizando muitas pessoas para me atacar. Me sinto perseguida, ele se sente impune e descumpre a lei”, relata.
Histórico de violência
Dodi afirma que manteve um relacionamento de cerca de dois anos e meio com o ex-companheiro e que, ao longo desse período, sofreu episódios de violência psicológica, patrimonial e ameaças. Segundo ela, a medida protetiva foi concedida em 2024, mas o homem nunca teria respeitado as restrições impostas pela Justiça.
“Ele nunca respeitou a medida. Eu acionei a polícia várias vezes e, mesmo em flagrantes, não houve prisão. Um policial chegou a duvidar que eu tivesse direito à medida, só porque sou travesti. Isso é transfobia institucional”, afirma.
Depois de registrar o boletim de ocorrência, Dodi diz que foi acolhida na Casa da Mulher Mineira, no Centro de Belo Horizonte. A professora afirma que a situação tem provocado mudanças profundas em sua rotina e crises de ansiedade. “Já mudei minha rotina, evito sair. Me sinto sozinha diante de um sistema que deveria me proteger”, diz. O caso foi encaminhado para a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, que deve apurar os fatos.
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Os diferentes rostos da violência
A Lei Maria da Penha contempla cinco tipos de violências contra mulheres no âmbito conjugal e familiar, que vão muito além das agressões físicas:
- Violência física: atos que causam dano à integridade corporal, como espancamento, estrangulamento, queimaduras e uso de armas.
- Violência sexual: coação ou força para manter relações sexuais não consentidas, impedir o uso de contraceptivos ou forçar abortos.
- Violência psicológica: ações que causam dano emocional, diminuem a autoestima e controlam a mulher por meio de humilhações, ameaças, isolamento e perseguição.
- Violência patrimonial: controle abusivo sobre bens e recursos da mulher, destruição de documentos, privação econômica e danos a objetos pessoais.
- Violência moral: difamações, calúnias, injúrias e ataques à reputação e dignidade da mulher.
Serviços em Minas Gerais: onde procurar ajuda
- Coordenadoria da Mulher – TJMG: (31) 3237-8232 / 8233
- Central de Atendimento à Mulher: 180
- Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (BH): (31) 3337-4899 / 3295-6913
- Delegacia de Plantão de Atendimento à Mulher: (31) 3295-6913
- Defensoria Pública de Defesa da Mulher: (31) 2010-3171
- Promotoria da Mulher: (31) 3337-6996
- E-mail da Coordenadoria da Mulher no TJMG: comsiv@tjmg.jus.br