Na manhã desta quinta-feira (26/2), a reportagem do Estado de Minas flagrou cenas de desespero no Bairro Jardim Natal, em Juiz de Fora (MG), Zona da Mata. Moradores eram orientados a evacuar uma residência já comprometida pelas chuvas da noite anterior.

Enquanto entrevistava a moradora Elaine Rezende, de 43 anos, que retirava móveis e objetos para o segundo andar da casa, o Córrego Humaitá avançou contra os alicerces de uma  residência. Em segundos, três trechos consecutivos da base da casa e da rua desmoronaram.

 

No momento da conversa, é possível ouvir os estrondos e Elaine alerta: “Ô, gente, vão sair daqui. Vão sair. Tá vendo como é que tá a situação? Deve tá pegando tudo aqui por baixo. Vamos embora. Deixa para trás. Bora, bora.” Rapidamente, todos correram para salvar a própria vida, deixando parte dos pertences para trás. 

As imagens registraram o início de dois desabamentos e a evacuação apressada das famílias, mostrando a rapidez com que o solo cede e a vulnerabilidade das construções.

No Jardim Natal, ao menos oito residências foram destruídas e várias outras estão condenadas. Muitas famílias tentam salvar móveis e objetos, levando-os para áreas mais altas ou para as casas de parentes. As ruas estão tomadas por lama, tijolos, blocos de concreto e destroços. 

O Córrego Humaitá segue cheio, carregando restos de construções e representando risco contínuo. A força da água tem minado os alicerces de imóveis e arrancado o asfalto por baixo, abrindo fendas e comprometendo diversas vias.

Chuva intensa agravou cenário já crítico

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, o número de vítimas das chuvas que atingiram Juiz de Fora e Ubá chegou a 49 na manhã desta quinta-feira. Em Juiz de Fora, são 43 mortes confirmadas e 16 pessoas seguem desaparecidas.

Na noite de quarta-feira (25/2), o município foi novamente atingido por um temporal. Entre 16h e 22h, foram registrados 113 mm de chuva, quase dois terços da média histórica prevista para fevereiro (170,3 mm), concentrados em poucas horas. O novo episódio agravou danos já existentes, ampliou áreas de risco, provocou deslizamentos e aumentou a instabilidade do solo em bairros como o Jardim Natal. 

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Enquanto equipes de resgate e Defesa Civil seguem mobilizadas, moradores vivem sob tensão, atentos a cada estalo vindo das encostas e ao nível do córrego, que continua ameaçando o que restou das estruturas.

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