A forte chuva que atingiu a Zona da Mata mineira entre segunda-feira (23/2) e esta terça-feira (24/2) deixou aos menos 23 mortos e um rastro de destruição em Juiz de Fora, Ubá e outras cidades da região. A meteorologista Anete Fernandes, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), explica que os grandes volumes de chuva na região podem ser explicados por um fenômeno chamado cavado. 

Segundo o instituto, nas últimas 24 horas, a estação meteorológica automática registrou 138,6mm, o equivalente a 81,3% da média histórica para fevereiro, que é de 170,3mm. Ainda de acordo com o Inmet, o total acumulado no mês até a manhã desta terça-feira (24/2) é de 589,6mm. 

A meteorologista explica que o cavado é uma área de baixa pressão, que mantém a umidade desde a Amazônia, passando pelas regiões Centro-Oeste e Sudeste. 

Segundo ela, a condição não atinge apenas a Zona da Mata mineira e se estende por todo o estado, além do Norte de Mato Grosso, todo o estado de Goiás, inclusive o Distrito Federal, Espírito Santo, Rio de Janeiro, grande parte de São Paulo, principalmente na faixa litorânea. A meteorologista afirma ainda que a circulação dos ventos distribui essa umidade para outras regiões como o entroncamento entre Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. 

Anete Fernandes explica ainda que o fenômeno se diferencia da Zona de Convergência do Atlântico Sul, em que há um canal de umidade direcionado para uma região. Neste caso, a chuva está espalhada em grande parte do país. 

Fevereiro atípico

A meteorologista explica que a persistência das chuvas desde o dia 18/2 e o grande volume acumulado nos últimos dias favoreceram o transbordamento de rios e deslizamentos de encostas, visto que o solo já estava saturado e os cursos d’água com volume alto.

“Além disso, a circulação dos ventos em altos níveis da atmosfera mantém condições favoráveis para chuvas em todo estado de Minas Gerais. Esta condição persiste até sexta-feira (27/2). Melhora no Centro-Sul e Oeste do estado no sábado (28/2), mas continua na faixa Norte e no Leste no fim de semana”, afirma.

A condição de chuva para a região da Zona da Mata era esperada pelo Inmet. Segundo a meteorologista, o que não estava previsto eram volumes superiores a 100 mm. O instituto havia emitido um alerta laranja, que prevê chuvas entre 30 a 60 mm. Somente na manhã desta terça-feira (24/2) é que o Inmet lançou o alerta vermelho, com possibilidade de volumes acima dos 100 mm.  

A meteorologista observa ainda que o fenômeno é atípico para fevereiro, mês que normalmente apresenta o ‘veranico’, período com ausência de chuvas, por dias consecutivos, durante a estação chuvosa. “O volume de chuvas em Juiz de Fora já superou a média esperada para o mês em 240%. A média para a cidade é de 170,3 mm. Nossa estação convencional, que é a de referência, já registrou desde o início de fevereiro 579,3 mm.”

"Esse excesso de chuvas, essa persistência de chuvas por dias consecutivos é uma característica do período chuvoso. Mas fevereiro é um dos meses com queda no total de chuvas, está atípico nesse sentido. Mas normalmente, a chuva em períodos contínuos está associada à Zona de Convergência do Atlântico Sul (Zaca). Neste caso, o efeito é semelhante, mas não temos uma Zaca estabelecida. Temos uma convergência que se prolonga no oceano e está espalhada pelo país inteiro. Essa é a diferença dos fenômenos", explicou Anete.

Alerta vermelho

O Inmet emitiu alerta vermelho para 365 cidades mineiras nas seguintes regiões: Zona da Mata, Vale do Rio Doce, Oeste, Sul, Sudoeste, Campo das Vertentes, Vale do Mucuri e Metropolitana de Belo Horizonte. 

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Segundo o aviso, é esperado chuva acima de 100mm/dia. Para as áreas afetadas, há riscos grandes de  alagamentos, transbordamentos de rios e deslizamentos de encostas. 

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