Ubá segue com trabalhos de abertura de vias e limpeza de estabelecimentos
Depois de cinco dias desde o temporal que destruiu a cidade, moradores ainda tem muito trabalho pela frente
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Juiz de Fora e Ubá — Passados cinco dias desde as cheias e deslizamentos que mataram seis pessoas e destruíram a infraestrutura de Ubá, na Zona da Mata, os trabalhos para abertura de vias e limpeza de estabelecimentos invadidos por lama ou desabados pela força das cheias após as chuvas continuam intensos neste sábado (28/2).
A fila de caminhões sujos de lama empenhados para a remoção dos detritos e destroços acumulados nas ruas centrais praticamente para o trânsito em vários setores do Centro onde ocorreu a cheia do Rio Ubá.
Já bem no início da Avenida Comendador Jacinto Soares de Souza Lima (Beira Rio), fragmentos de móveis como estantes, sofás, cadeiras, mesas, armários ficam acumulados nas sarjetas e laterais das ruas, tendo sido removidos para abrir caminho nas vias.
Ainda neste sábado, as lojas continuaram sendo limpas. Parte dos mobiliários como estantes destroçadas e expositores que não puderam ser recuperados foram acumulados em pilhas ao longo das calhas das ruas e passeios para serem removidos quando houver espaço nos caminhões que só trafegam cheios.
O que pode ser recuperado vai sendo cuidadosamente lavado, com a lama em excesso sendo retirada primeiro e depois o trabalho mais minucioso, com buchas e sabão empregados contra as manchas vermelhas impregnadas.
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Instalações elétricas também precisaram ser removidas de paredes, pilares, placas de gesso cartonado, condutos e substituídas para que não haja riscos de curtos-circuitos.
Uma concessionária de automóveis que teve os carros arrancados pela força das águas e destruídos à deriva nas ruas em meio à cheia também ainda era limpa por um mutirão.
Os vidros dos expositores de onde se observavam os carros à venda foram todos estilhaçados e ainda não foram recompostos.
No interior, funcionários se revezavam em linhas de limpeza para tornar o estabelecimento funcional novamente.
Nos passeios, rampas de garagens, estacionamentos e jardins, as grossas camadas de lama se acumulam, apesar dos esforços do pessoal trabalhando com pás, enxadas e carrinhos de mão.
Lojas que tiveram suas vitrines destruídas foram tampadas com tapumes de madeira, portas e folhas de madeira de outros móveis. Portões de aço foram retorcidos pela força da água que arrancou até mesmo defesas de metal contra inundações.
A força das águas que desceram pela calha do Rio Ubá levou grandes porções da Avenida Beira Rio. No leito do rio, ainda há vários móveis, pedaços de telhados e telhas galvanizadas, muitos detritos, fragmentos de troncos e árvores que ficaram presos nos pilares das pontes.
Há pelo menos cinco segmentos da via desabados ou que perderam o aterramento e por isso tiveram reduzidas as suas capacidades de tráfego.
Um carro completamente achatado ficou retido no leito do rio e um outro ainda está dependurado entre as árvores e o barranco do Rio Ubá.
Após a ponte central para o Bairro São Domingos, Rua São José e Rua Cristiano Roças onde a ponte foi derrubada.
Tratores e escavadeiras ainda removem mais de um palmo e meio de lama acumulada sobre o asfalto, permitindo em certos momentos que a fileira de carros possa passar, sendo ela bloqueada logo em seguida quando as máquinas voltam ao trabalho de remoção e depósito dos detritos nas caçambas dos caminhões.
O advogado Igor Feital, de 36 anos, se dispôs a ajudar comerciantes e estabelecimentos de amigos invadidos pela lama, tendo ele próprio sofrido a interdição do escritório de advocacia. “Tenho dois filhos que dependem exclusivamente do sustento que tiro do escritório. Mas aqui enquanto amigos estão me ajudando eu vim ajudar quem eu pude. É assim está sendo feito até tudo isso passar”, disse, de frente para uma bacia onde ajudava a limpar peças de uma loja de ferramentas arrasada pelas enchentes.
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Barreiras nas estradas
Várias rodovias na Zona da Mata ainda apresentam barreiras prejudicando o livre fluxo de veículos. Entre elas, a MG-353, Rodovia Engenheiro Luiz Otávio Gonçalves, que liga Juiz de Fora a Ubá — os dois municípios mais devastados pelas chuvas — ainda está em situação de atenção.
Entre Juiz de Fora e Tabuleiro, a estrada se encontra ainda repleta de buracos e com 17 pontos de deslizamentos, sendo três deles ainda com massas de barro, galhos e troncos tomando meia pista em alguns trechos. Rastros de terra e caminhões estacionados indicam que parte dos trabalhos de desobstrução foram feitos liberando locais mais críticos.
Praticamente não há sarjetas de drenagem nas bordas da rodovia, que também não é dotada de acostamentos. As marcas de barro por toda rodovia seguindo os fluxos de escoamento mostram que a lama atravessa a pista e se acumula nas áreas mais baixas da via.
Os córregos atravessados por pontes também deixaram as marcas das cheias ocasionadas pelas tempestades da semana, com as vegetações de margens e até guarda-corpos de pontes tingidos de barro vermelho e entrelaçados por emaranhados de vegetação arrastada pelas enxurradas e cheias que chegaram a interromper o fluxo de veículos.
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Já na entrada de Ubá, o rastro de poeira da lama que secou se torna nuvens de poeira com o movimento dos veículos.