Caldas Novas: síndico vira réu e tem prisão preventiva decretada
Justiça de Goiás aceita denúncia por homicídio triplamente qualificado por motivo torpe, meio cruel e mediante emboscada
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O síndico Cleber Rosa de Oliveira se tornou réu pelo assassinato da corretora de imóveis Daiane Alves de Sousa, de 43 anos, ocorrido em 17 de dezembro de 2025, em Caldas Novas (GO). A Justiça também converteu a prisão dele de temporária para preventiva. A mulher ficou desaparecida por quase um mês, até que o corpo dela foi encontrado.
A decisão foi assinada nessa quinta-feira (26/2) pela juíza Vaneska da Silva Baruki, da 1ª Vara Criminal de Caldas Novas. Com o recebimento da denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO), Cleber passa a responder por homicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, meio cruel e mediante emboscada.
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Como foi o crime?
Em 28 de janeiro, Cléber Rosa de Oliveira, síndico do prédio, foi preso temporariamente. Ele confessou que matou a vizinha e indicou, aos policiais, o local que ocultou seu corpo em uma área de mata às margens da rodovia GO-213, a 15 quilômetros de distância da área urbana. Por se tratar de um local com vegetação fechada, foi preciso o apoio de um helicóptero da Polícia Civil.
A apuração do caso foi conduzida pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Caldas Novas. Durante coletiva de imprensa, o delegado André Luiz Barbosa afirmou que ao longo dos mais de 40 dias de trabalho, as equipes ouviram 22 pessoas. Dessas, quem tinha os meios e a motivação para cometer um crime contra a vítima seria Cléber.
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Segundo ele, a análise de imagens de câmera de segurança do condomínio mostraram, também, que nenhum estranho passou pelas portarias, reforçando ainda mais a teoria de ser alguém de dentro do empreendimento. “A investigação demonstrou que apenas alguém com autorização de acesso ao prédio, controle do sistema e conhecimento da rotina poderia cometer o crime sem ser visto”, afirmou.
Apesar da indicação do principal suspeito, a dinâmica do crime ainda não foi esclarecida. Os investigadores afirmam que a análise de câmeras de segurança mostraram que Daiane foi surpreendida pelo investigado assim que saiu do elevador e teria sido morta em um intervalo de oito minutos. Isso porque uma moradora passou pelo subsolo vinte minutos depois e não notou nenhum movimento suspeito.
“Trabalhamos com as imagens dos elevadores e do acesso ao subsolo, que é restrito a pedestres. Estabelecemos que o crime ocorreu em um intervalo máximo de oito minutos, sem fluxo de terceiros”, explicou Barbosa.
Causa da morte
O corpo da mineira foi encontrado em avançado estado de decomposição e, por isso, precisou passar por exames mais detalhados para identificar a causa da morte. Durante as perícias, um projétil de arma de fogo foi encontrado alojado no crânio da vítima. Em nota, a Polícia Civil de Goiás (PCGO) informou que há elementos que indicam a ocorrência de disparo, mas mais informações só serão repassadas conforme avanço das investigações. A arma do crime ainda não foi encontrada.
Além do síndico do prédio, apontado como autor do homicídio, o filho dele, Maicon Douglas Souza de Oliveira, também foi detido. Ele é investigado por obstrução de justiça, por ter ajudado o pai a ocultar provas do crime. Mesmo com as prisões, a dupla ainda não foi indiciada. Os dois passaram por audiência de custódia, que avalia se o cumprimento do mandado de prisão temporária foi efetuado sem intercorrências, e tiveram as detenções mantidas.
Em nota, o advogado de Cleber informou que seu cliente já prestou depoimento à polícia e “mantém a postura de contribuir para o esclarecimento dos fatos”. Já a defesa de Maicon afirmou que o também corretor não possui nenhum envolvimento “direto ou indireto” com o crime.
De acordo com a nota, enviada pelo advogado Luiz Fernando Izidoro Monteiro e Silva, depois de sua audiência de custódia, Maicon prestou depoimento à polícia e colaborou “ativamente com a elucidação dos fatos” e negou qualquer participação na morte de Daiane.
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“A defesa técnica reitera sua confiança no Poder Judiciário e informa que já está adotando todas as medidas processuais cabíveis para restabelecer a liberdade de Maicon Douglas o mais breve possível, garantindo o respeito às garantias constitucionais e à verdade real”, concluiu o defensor.