Força no braço e resistência no pé: ‘cordeiros’ são peça-chave nos blocos
Em uma das maiores festas de rua do país, trabalhadores em Belo Horizonte relatam empurra-empurra, agressões e assédio
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Em uma das maiores festas de rua do país, o avanço dos blocos de carnaval pelas avenidas de Belo Horizonte depende do trabalho dos cordeiros, responsáveis por segurar a corda que delimita o espaço da bateria e do trio elétrico. Sem eles, o desfile não anda.
No cortejo do Beiço do Wando, no segundo dia de carnaval, a reportagem registrou empurra-empurra, tentativas de furar a corda e discussões ao longo do trajeto.
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Cordeira há seis anos, Michele Cristiane define a função como exaustiva. “É pesado, precisa ter força no braço e jogo de cintura”, afirma. Beatriz Barbosa, de 27 anos, na segunda participação, relata que além do esforço físico, o assédio é frequente. “Alguns abordam de forma menos agressiva, outros tentam agarrar. É complicado porque estamos trabalhando”, diz.
Estreante na função, Gabriela Santos conta que já enfrentou confusão na linha de frente. “Puxam a corda, machuca a mão. Teve gente querendo brigar porque queria passar”, relata.
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Com dez anos de experiência, Mário Luís afirma que já foi agredido e, em uma edição, precisou ser retirado do bloco após um tumulto. “Já levei empurrão. Teve ano que me tiraram para evitar algo pior”, lembra.
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A Guarda Civil Municipal de Belo Horizonte acompanhou o cortejo. O Grupamento de Prevenção à Violência contra as Mulheres realizou campanha de conscientização contra o assédio e reforçou que importunação sexual é crime.