Samba de terreiro é invadido por PM com spray de pimenta
Policiais entraram na casa onde ocorria o samba e atiraram spray de pimenta; algumas pessoas passaram mal e foram encaminhadas ao hospital
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O samba de terreiro ‘Deu Meia Noite’ foi interrompido em sua estreia na madrugada de sábado (7/2), no bairro Guarani, região Norte de Belo Horizonte (MG), por ação da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Policiais entraram na casa onde o evento estava sendo realizado e atiraram spray de pimenta, causando intoxicação a alguns dos presentes, que foram encaminhados ao hospital.
Em seu perfil oficial do Instagram, o ‘Deu Meia Noite’ publicou um vídeo, ainda no sábado (7/2), mostrando pessoas passando mal depois do evento. No vídeo, alguns participantes relatam revolta com a ação da polícia, alegando que a operação foi motivada por intolerância religiosa.
Na legenda do post, a equipe responsável pelo evento também repudiou a ação: “Hoje, a nossa celebração de ancestralidade negra foi interrompida por uma ação policial com uso de força e intimidação, conforme relatos e registros feitos no local. Onde havia roda, canto e tambor, tentaram instaurar silêncio. O Deu Meia Noite repudia toda e qualquer violência. Ainda mais quando ela recai sobre um espaço de cultura, memória e pertencimento. Cultura negra não é caso de polícia. Podem até tirar nossos tambores, faremos o samba nas palmas das mãos! O samba não vai acabar!” disse a publicação.
Idealizado há mais de dois anos, o “Deu Meia Noite” é um evento de samba de terreiro. Segundo a produtora Geisa Bedeti, teve a primeira edição realizada nesta sexta-feira (6/2). O evento começou às 22h e o samba teve início pontualmente à meia-noite.
Geisa Bedeti afirma que o espaço escolhido para a realização do evento tinha toda a regulamentação necessária. A produtora afirmou que, entre 1h40 e 2h, chegou uma viatura da PMMG, alegando que havia recebido uma denúncia em relação ao som alto. “Nesse momento, o responsável pela casa apresentou a documentação. Logo em seguida, eu, como responsável do evento, fui chamada. Tivemos uma conversa. Abaixamos o volume. Expliquei para o responsável da abordagem que a gente iria fazer só uma cena de encerramento”, disse Geisa, que afirmou que pediu ao policial 10 minutos para realizar um encerramento do samba, com os equipamentos desligados, apenas com a voz e palmas. Disse também que não houve resistência por parte da equipe ou dos participantes do evento.
Ela disse que os PMs autorizaram a realização do encerramento, mas que, logo em seguida, entraram na casa e começaram a atirar bombas de spray de pimenta e a intimidar o público. Algumas pessoas tiveram intoxicação por causa do spray e foram encaminhadas ao hospital, incluindo pessoas idosas. Uma mulher grávida chegou a desmaiar no local. Segundo a equipe do “Deu Meia Noite”, todas as pessoas que foram hospitalizadas já se encontram bem.
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“O que a gente quer agora é uma apuração clara e transparente, para que a gente possa trabalhar com respeito e segurança. E entender mesmo o motivo dessa abordagem, que é aparentemente atípica, não é uma abordagem corriqueira” afirmou Geisa, que disse que a equipe responsável pelo evento busca denunciar o ocorrido. “Nós, no momento, estamos com algumas pessoas nos assessorando para que isso seja mesmo encaminhado para os canais que vão apurar de forma clara e transparente”, finalizou.
Outro lado
A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) afirmou que foi acionada para o atendimento de uma ocorrência de “perturbação do trabalho e sossego alheios”, por volta de 2h. Ao chegar ao local, foi verificado que o evento estava autorizado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), para durar até as 2h.
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A PM afirmou ainda que houve “recusa de encerramento da perturbação e animosidade por parte dos frequentadores” e que, em seguida, foi realizado contato com o responsável pelo evento que optou pelo encerramento do samba.