Mineira morta em Caldas Novas: corpo ainda não foi liberado do IML
Família de Daiane, que estava desaparecida desde 17 de dezembro, informou que ainda não há previsão. Corpo foi ocultado em área de mata fechada
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As investigações sobre as circunstâncias da morte de Daiane Alves de Souza, de 43 anos, em Caldas Novas, Região Sul de Goiás, ainda estão em andamento. Até a tarde desta sexta-feira (30/1), o corpo da mineira, natural de Uberlândia, na Região do Triângulo Mineiro, ainda não havia sido liberado do Instituto Médico Legal (IML). A informação foi repassada pela família da vítima. A ossada da corretora foi encontrada em uma área de mata às margens da rodovia GO-213, a 15 quilômetros de distância da área urbana.
Daiane estava desaparecida desde 17 de dezembro de 2025. Quarenta e três dias depois, a Polícia Civil de Goiás prendeu o síndico do prédio em que a mineira morava e com quem tinha histórico de desentendimentos. O homem, identificado como Cleber Rosa de Oliveira, foi abordado em casa, no início da manhã de quarta-feira (28/1). Ele confessou que matou a vizinha e indicou, aos policiais, o local que ocultou seu corpo.
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Por se tratar de uma área de mata fechada, foi preciso o apoio de um helicóptero da corporação. Devido ao tempo decorrido, já se encontrava em avançado estado de decomposição, restando principalmente ossos, que foram recolhidos para exames no IML.
Além do síndico do prédio, apontado como autor do homicídio, o filho dele, Maicon Douglas Souza de Oliveira, também foi detido. Ele é investigado por obstrução de justiça, por ter ajudado o pai a ocultar provas do crime. Mesmo com as prisões, a dupla ainda não foi indiciada. Os dois passaram por audiência de custódia, que avalia se o cumprimento do mandado de prisão temporária foi efetuado sem intercorrências, e tiveram as detenções mantidas.
Em nota, o advogado de Cleber informou que seu cliente já prestou depoimento à polícia e “mantém a postura de contribuir para o esclarecimento dos fatos”. Já a defesa de Maicon afirmou que o, também corretor, não possui nenhum envolvimento, “direto ou indireto” com o crime.
De acordo com a nota, enviada pelo advogado Luiz Fernando Izidoro Monteiro e Silva, depois de sua audiência de custódia, Maicon prestou depoimento à PCGO e colaborou “ativamente com a elucidação dos fatos” e negou qualquer participação na morte de Daiane.
“A defesa técnica reitera sua confiança no Poder Judiciário e informa que já está adotando todas as medidas processuais cabíveis para restabelecer a liberdade de Maicon Douglas o mais breve possível, garantindo o respeito às garantias constitucionais e à verdade real”, concluiu o defensor.
O que aconteceu com a mineira?
No dia em que desapareceu, em 17 de dezembro, a mineira foi vista pela última vez às 18h50, quando foi flagrada por câmeras de segurança do edifício. Ela entra em um elevador fazendo um vídeo com seu celular e aperta o botão do térreo e do subsolo. No primeiro andar ela sai, mas dois minutos depois volta.
Familiares explicam que Daiane fazia um vídeo para mostrar que houve um pico de energia no prédio. As imagens foram enviadas a uma amiga da vítima. Na gravação, a corretora diz que vai na recepção perguntar se a concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica em Goiás tinha ido até o prédio, já que suas contas estavam pagas.
De volta no elevador, a vítima aperta o botão para o subsolo. Ela filma que está entrando no pavimento, sai do elevador e não é mais vista. No entanto, as gravações feitas após ela entrar no subsolo não chegaram a ser transmitidas. Segundo familiares, as câmeras de monitoramento do edifício não mostraram a mineira saindo do local e seu carro estava em uma oficina mecânica. Além disso, tirando o celular, a mulher não estava com nenhum pertence pessoal.
“Ela saiu de casa nitidamente com a intenção de religar a energia. Ela saiu sem óculos e deixou a porta do apartamento aberta. A minha filha desapareceu, literalmente, dentro do prédio”, afirma Niles Alves Pontes, mãe de Daiane.
Como foram as investigações?
A apuração do caso foi conduzida pelo Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Caldas Novas. Durante coletiva de imprensa, o delegado André Luiz Barbosa afirmou que ao longo dos mais de 40 dias de trabalho, as equipes ouviram 22 pessoas. Dessas, quem tinha os meios e a motivação para cometer um crime contra a vítima seria Cleber.
Segundo ele, a análise de imagens de câmera de segurança do condomínio mostraram, também, que nenhum estranho passou pelas portarias, reforçando ainda mais a teoria de ser alguém de dentro do empreendimento. “A investigação demonstrou que apenas alguém com autorização de acesso ao prédio, controle do sistema e conhecimento da rotina poderia cometer o crime sem ser visto”, afirmou.
Apesar da indicação do principal suspeito, a dinâmica do crime ainda não foi totalmente esclarecida. Os investigadores afirmam que a análise de câmeras de segurança mostraram que Daiane foi surpreendida pelo investigado assim que saiu do elevador e teria sido morta em um intervalo de oito minutos. Isso porque uma moradora passou pelo subsolo vinte minutos depois e não notou nenhum movimento suspeito.
“Trabalhamos com as imagens dos elevadores e do acesso ao subsolo, que é restrito a pedestres. Estabelecemos que o crime ocorreu em um intervalo máximo de oito minutos, sem fluxo de terceiros”, explicou Barbosa.
Motivação
A Polícia Civil apontou que a motivação do homicídio está ligada a conflitos na administração do condomínio. A família de Daiane é proprietária de seis apartamentos no prédio, cuja administração havia passado do síndico para a corretora. Desde então, surgiram desavenças e ações judiciais. Além disso, Daiane venceu processos contra Cleber, incluindo uma decisão proferida em 11 de dezembro de 2025, que garantiu a ela acesso às áreas comuns do edifício e reconheceu abusos administrativos.
“Os áudios e as provas apontam para uma motivação ligada a conflitos na administração de imóveis”, afirmou o delegado André Luiz Barbosa.
O local em que o corpo foi encontrado passou por perícia. Os investigadores agora apuram a hipótese de que o crime foi premeditado, uma vez que o histórico de conflitos se estendeu por cerca de um ano e meio.
Quais as provas contra o síndico?
Durante o cumprimento dos mandados de prisão, Cleber foi confrontado com o conjunto de provas reunidas pela polícia e, diante dos elementos apresentados, decidiu colaborar com a investigação. Segundo a corporação, foi nesse momento que o síndico indicou a região onde havia ocultado o corpo da vítima. “Após tomar conhecimento das provas, o síndico entrou em estado de colaboração e indicou a região onde havia ocultado o corpo”, afirmou o delegado responsável pelo caso.
Entre as informações estão imagens que mostram o homem saindo do prédio e voltando 40 minutos depois. O delegado André Luiz explica que ao deixar o residencial a capota da carroceria do veículo estava fechada, mas ao retornar estava aberta. Para ele, isso indica que Daiane estava no porta-malas já morta, já que não conseguiu pedir socorro. Antes da prisão, o síndico já havia sido questionado sobre o trajeto. À polícia ele informou que foi para os arredores na cidade, mas não explicou o que teria ido fazer.
O filho do suspeito, Maicon Douglas de Oliveira, seria o responsável por substituir o telefone celular do pai após o crime e alterar imagens de segurança.
Apartamento depredado
Horas depois da prisão, a portaria do prédio onde a vítima morava e, conforme a PCGO, foi morta foi vandalizada. O apartamento do principal suspeito também foi arrombado e violado. A informação foi confirmada pelo advogado do síndico. A Polícia Militar de Goiás chegou a ser acionada.
Um vídeo mostra militares dentro do apartamento avaliando os estragos. Nas imagens é possível ver que as paredes foram pichadas com a palavra “assassino”. Além disso, o quadro de luz do imóvel foi arrancado da parede. A portaria do edifício, onde o crime teria acontecido, também foi alvo de ataques e teve as paredes e mobílias vandalizadas.
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Ao Estado de Minas, Luiz Fernando Izidoro, advogado de Cleber e Maycon - filho do síndico também investigado no inquérito que apura a morte da corretora - afirmou que ainda não sabe se a família vai tomar alguma medida legal contra as pessoas que danificaram o espaço. O defensor ainda afirmou que há suspeitos.