Chefe de quadrilha que falsificava habeas corpus tem prisão mantida
Ricardo Lopes Araújo estava foragido desde 20 de dezembro, quando fugiu do Ceresp Gameleira. Ele foi encontrado pela PCMG no Rio de Janeiro
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A justiça de Belo Horizonte manteve a prisão preventiva de Ricardo Lopes Araújo, conhecido como “Dom”, detido nessa quarta-feira (14/1), pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) no Rio de Janeiro. O homem é apontado como o chefe de uma organização criminosa especializada em invadir sistemas de segurança e comercializar decisões de habeas corpus. Dom foi preso pela primeira vez em 11 de dezembro de 2025, mas fugiu nove dias depois do Ceresp Gameleira, em BH, ao apresentar um alvará de soltura falso. O documento foi obtido usando login e senha de um juiz.
De acordo com a decisão, assinada pelo juiz Leonardo Vieira Rocha Damasceno, Ricardo é investigado por organização criminosa, falsidade de documentos, estelionato eletrônico e lavagem de capitais. Ainda conforme o magistrado, já foi informado que o homem seria responsável pela organização especializada em fraude bancária e eletrônica em larga escala e com ataques aos sistemas de justiça.
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“Consta informação nos autos que a organização criminosa movimentou R$ 40 milhões, o que corrobora a gravidade dos fatos e periculosidade social dos agentes, em razão da prática reiterada de fraudes e estelionatos”, apontou o juiz.
Além de Ricardo, também foi detido no Rio de Janeiro Matheus Felipe do Nascimento Silva. Ele também teve a prisão preventiva mantida pela justiça. O homem é apontado pela polícia como braço-direito do líder da organização.
Ao contrário de Dom, ele não chegou a ser preso em dezembro, e estava foragido desde então. Em sua decisão, o juiz Damasceno indicou que ele seria o responsável pela operação do núcleo de repasse e dispersão de bens para lavagem de capital e pulverização de valores obtidos de maneira ilícita.
Terceiro foragido preso
Em 20 de dezembro, além de Ricardo Lopes, outras três pessoas - identificadas como Wanderson Henrique Lucena Salomão, Júnio Cezar Souza Silva e Nikolas Henrique de Paiva Silva - também fugiram do Ceresp Gameleira apresentando documentações falsas. Júnio foi recapturado dois dias depois.
Já Wanderson se entregou à polícia nessa segunda-feira (12/1). Na quarta-feira (14/1) ele também passou por audiência de custódia e teve a prisão preventiva mantida. Nikolas Henrique continua foragido.
Como foi a prisão da dupla?
Dom estava entre as 11 pessoas detidas durante a primeira fase da Operação Veredicto Sombrio, deflagrada no último dia 10 de dezembro. Porém, valendo-se do mesmo procedimento ilegal, conseguiu um alvará de soltura fraudulento e foi libertado no dia 20 do mesmo mês, pouco antes do Natal.
Com os dois suspeitos, os agentes apreenderam dispositivos eletrônicos, como computadores e celulares. Eles já vinham sendo monitorados pela PCMG: durante a apuração, os agentes descobriram que a dupla raramente saía do apartamento e mal era vista pelos vizinhos.
"Eles estavam bem escondidos em um bairro do Rio de Janeiro. Eles sabiam da gravidade dos crimes que cometeram e da repercussão que foi criada com a fuga dessa liderança", sintetiza o delegado Leandro Matos Macedo, titular da 3ª Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) da PCMG.
Os suspeitos foram trazidos de avião para Belo Horizonte e desembarcaram no Aeroporto da Pampulha na noite desta quarta-feira. De lá, foram levados para a sede do Deoesp, no Bairro Gameleira, na Região Noroeste da capital mineira.
Com a prisão de Dom e de seu braço-direito, a PCMG afirma que a quadrilha foi completamente desarticulada e colocada fora de operação. "Essa organização, eu posso afirmar, ela acabou hoje", assegura o delegado Leandro.
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A ação contou com apoio do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). As investigações sobre o caso prosseguem: a PCMG ainda analisa vários documentos e arquivos digitais relacionados à quadrilha.