Moda urbana e cultura periférica: Favela Hype abre primeira loja em BH
Marca carioca escolhe o Mercado Novo para expansão; iniciativa busca conectar a identidade das ruas entre Rio e Minas Gerais
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A marca carioca Favela Hype acaba de inaugurar um espaço no Mercado Novo, na região central de Belo Horizonte. Com uma trajetória de 25 anos no Rio de Janeiro, a grife aposta na conexão entre a cultura periférica mineira e carioca para ampliar sua presença no país. A abertura foi marcada por muita música e moda. A loja é uma parceria com a Kenner, que levou ao endereço um portfólio de sandálias e outros calçados da marca.
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A chegada a Belo Horizonte é resultado da relação entre a fundadora da Favela Hype, Kananda Soares, e a artista Janamô, sócia do novo espaço. A aproximação foi construída a partir da amizade entre as duas e da identificação entre a trajetória da marca e o trabalho autoral da artista mineira.
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“Eu já tinha uma relação com a marca, a marca já dialoga com meu trabalho autoral. E aí, a partir do momento que eu passei a ocupar mais a cena em BH, comecei a perceber ainda mais os pontos de conexão. Foi natural que esse espaço fosse acontecendo entre nós e a gente não resistiu e abriu a nossa encruzilhada aqui com a Favela Hype no Mercado Novo”, contou Janamô.
Da periferia carioca para o mercado da moda
A história da Favela Hype começou com a iniciativa de Kananda Soares, que, ainda jovem, criava as próprias roupas por não ter dinheiro para consumir as peças que desejava. Mulher negra e periférica, ela transformou a criatividade em negócio, desenvolvendo produtos que chegaram a grandes marcas da moda brasileira e internacional.
“Começou porque eu sou uma mulher negra, uma menina negra periférica, muito criativa, não tinha grana para consumir e comecei a fazer minhas próprias roupas”, contou Kananda.
Antes de consolidar a própria grife, a empresária produziu peças para marcas já consolidada, além de ter exportado peças para grifes internacionais. Isso foi importante para que ela identificasse a participação da periferia na construção da moda carioca, do design e de outras expressões culturais, nem sempre reconhecida pelo mercado.
A partir dessa percepção, Kananda passou a trabalhar para dar visibilidade aos territórios e às pessoas responsáveis por parte dessa produção. Segundo ela, as roupas da marca eram confeccionadas por mulheres de comunidades do Rio de Janeiro.
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“Eu queria dar o protagonismo para a favela, que era de onde surgiam todas as minhas criações”, afirmou.
Com a expansão da marca, a Favela Hype chegou a ocupar endereços importantes para o comércio e o turismo. Atualmente, mantém uma loja em Santa Teresa, bairro turístico do Rio de Janeiro, e já teve espaço em Búzios. Para Kananda, a presença da grife nesses locais também representa uma afirmação de que a produção periférica pode ocupar diferentes espaços.
“Muitas pessoas olhavam e falavam assim: ‘Nossa, mas é favela? Mas por que favela está aqui?’. Porque eu acho que a favela pode estar no lugar que a gente quiser”, disse.
Cultura periférica como ponto de encontro
No Mercado Novo, a proposta é aproximar a produção criativa das periferias mineiras e cariocas. Para Janamô, a parceria abre espaço para valorizar talentos locais e ampliar o alcance de manifestações culturais que nem sempre encontram reconhecimento nos circuitos tradicionais.
“Eu acho que o grande luxo brasileiro é a criatividade. É aí que a gente conecta a periferia com BH e com o mundo”, afirmou.
A artista também destacou o potencial da produção cultural mineira e as possibilidades de colaboração com a cena carioca.
“Minas Gerais expõe um talento muito particular quando o assunto é cultura. Então, acho que, quando a gente se conecta, são duas potências muito fortes fazendo emergir uma possibilidade de cena”, disse.
A escolha do Mercado Novo acompanha essa proposta. O espaço, que reúne iniciativas ligadas à gastronomia, à moda e à produção cultural, também se tornou um ponto de interesse para visitantes de outras cidades e países. A expectativa das sócias é aproveitar essa circulação para apresentar a identidade da Favela Hype a novos públicos.
Parceria com a Kenner amplia oferta de produtos
A inauguração também marca a presença da Kenner no espaço. A parceria entre as duas marcas foi construída a partir de conversas com Kananda Soares e da identificação entre as trajetórias e propostas ligadas à cultura brasileira.
De acordo com Lucas Rodrigues, coordenador de branding, estratégia e cultura de marca da Kenner, a Favela Hype passou a funcionar como um ponto de venda estratégico para apresentar produtos que vão além dos modelos mais conhecidos da empresa.
“A união da Favela Hype com a Kenner vai para além da marca. É uma união de propósito”, afirmou Rodrigues. Para ele, a colaboração também permite fomentar a cultura de rua e ampliar os espaços dedicados à sua celebração.
A seleção disponível na loja inclui modelos como Raka Saarinen e Raka Comfort, além de slides, papetes e chinelos de forquilha. A proposta é oferecer opções com design diferenciado, que não estão necessariamente disponíveis em qualquer ponto de venda.
Belo Horizonte já ocupa um lugar importante na estratégia da Kenner. Rodrigues citou as ações desenvolvidas na cidade e a relação da marca com o rapper FBC, artista belo-horizontino e um dos embaixadores da empresa.
“Vemos a marca ganhando espaço não só entre os consumidores, mas na cultura local”, afirmou.
Além de ampliar a oferta de produtos, a parceria pretende destacar a produção nacional. Segundo Rodrigues, os calçados da Kenner são feitos no Brasil, com matéria-prima brasileira, e representam uma oportunidade de valorizar o design desenvolvido no país.
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“A Kenner é um produto extremamente brasileiro, feito em solo nacional, com matéria-prima brasileira. É uma oportunidade de mostrar como é possível fazer um produto de qualidade, com design diferenciado e que está 100% inserido na cultura”, disse.