Garoto fantasiado de astronauta comemora enquanto acompanha, em telão, o retorno da missão Artemis II à Terra, durante evento no Museu Espacial, na Califórnia, que reuniu público para assistir ao pouso da cápsula no Oceano Pacífico
A bordo da cápsula Orion, os astronautas Reid Wiseman, comandante da missão, Victor Glover, piloto, e os especialistas Christina Koch e Jeremy Hansen recolocaram a humanidade na órbita da Lua após mais de meio século. A missão Artemis II, conduzida pela NASA, não previa pouso. Era um teste em condições reais para o retorno ao espaço profundo.
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A tripulação também marcou avanços simbólicos. Glover tornou-se o primeiro astronauta negro em uma missão lunar, enquanto Koch ampliou a presença feminina nesse tipo de operação. “Eu represento não só a mim, mas pessoas que se parecem comigo”, afirmou Glover. Koch ressaltou o papel da representatividade como forma de inspirar novas gerações.
Lançada 10 dias antes, a missão mobilizou atenção global e colocou à prova limites técnicos e humanos. Wiseman descreveu o momento como o início de uma nova etapa da exploração espacial.
Durante o voo, a distância da Terra tornou-se um dos principais indicadores de desempenho. No sexto dia, ao passar pelo lado oculto da Lua, a Orion atingiu 252.756 milhas, o equivalente a 406.771 quilômetros, superando o recorde da Apollo 13, de 1970. Nesse trecho, a tripulação permaneceu cerca de 40 minutos sem comunicação com a Terra.
A trajetória permitiu observar o lado oculto da Lua a aproximadamente 6,5 mil quilômetros da superfície, gerando imagens inéditas. Ao longo dos dez dias, a rotina revelou os desafios do espaço profundo: confinamento, gestão rigorosa de recursos e ajustes constantes para manter a operação estável.
Wiseman destacou o impacto emocional da experiência. “É um verdadeiro presente. Temos muito em que pensar e escrever.” Ao observar um eclipse solar, descreveu: “Estou com arrepios, minhas mãos estão suando”. Glover ainda assimilava o que viveu. “Nem comecei a processar. Atravessar a atmosfera em uma bola de fogo é algo profundo. Vou pensar nisso pelo resto da vida.”
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Koch enfatizou a convivência e o senso de propósito coletivo. Comparou a equipe a irmãos e destacou os desafios. “Não exploramos mais sem desconforto, sacrifícios e riscos. Tudo isso vale a pena.” Sobre o cotidiano, resumiu: “Em microgravidade, tudo ganha outra dimensão. Estamos esbarrando o tempo todo.”
Hansen refletiu sobre a Terra vista do espaço. “Vivemos em um planeta frágil no vazio. Nosso propósito é encontrar alegria e soluções juntos.”
Do ponto de vista técnico, a missão funcionou como ensaio para o retorno à superfície lunar. Foram testados sistemas de navegação, suporte à vida, comunicação e reentrada. Mais do que uma viagem, o programa Artemis aponta para uma presença contínua no entorno da Lua.
Após 10 dias, a tripulação enfrentou a fase mais crítica da missão: a reentrada, com temperaturas extremas e desaceleração em alta velocidade.
“Que jornada. Estamos estáveis”, disse Wiseman após o impacto no mar.
A cápsula aterissou às 21h07, no horário de Brasília, próximo a San Diego, onde a equipe foi resgatada. Missão cumprida.