Um conjunto de 184 tábuas hititas e fragmentos encontrado em Kayalıpınar, na Turquia, guarda registros de 3.400 anos. Os documentos mencionam uma doença febril que matou crianças, da morte de uma princesa bebê e de pedidos de reforço militar. A causa dessa doença não foi identificada pelos pesquisadores.
Onde surgiram as 184 tábuas hititas?
O arquivo foi encontrado em Kayalıpınar, no distrito de Yıldızeli, província de Sivas, na Turquia. O assentamento aparece em fontes antigas como Šamuḫa, local importante para o governo hitita. Os textos foram gravados em argila usando sinais da escrita cuneiforme.
O Ministério da Cultura e Turismo da Turquia explica a contagem: 53 tábuas e fragmentos surgiram em 2025, e outras 131 peças em 2026. Assim, 184 é o total combinado, e não o número de documentos completos e intactos.

Como os textos descrevem a doença?
Algumas tábuas registram uma doença com febre alta, descrita como responsável por mortes, principalmente de crianças e bebês. Os documentos apresentam preocupações da família real e de funcionários importantes. O conteúdo indica um problema grave de saúde que atingia diferentes localidades.
Não se conhece, pelos registros divulgados, o microrganismo causador da doença. Por isso, chamar o episódio de epidemia registrada em tábuas é adequado, mas atribuí-lo a uma enfermidade moderna específica seria um salto. Os textos preservam sintomas e temores, não exames médicos.
A morte da princesa aparece nos registros antigos
O arquivo menciona a saúde de uma princesa ainda amamentada, acompanhada por consultas de adivinhação. Outros trechos relatam sua morte e o ritual funerário realizado depois. São documentos raros por reunir vida familiar da realeza e práticas religiosas num mesmo conjunto.
- Saúde: relatos de febre e mortes, especialmente entre os mais novos
- Família real: doença e funeral de uma princesa ainda bebê
- Exército: cartas pedindo tropas, cavalos e carros de guerra
- Religião: consultas de adivinhação e observação de aves
Uma tabuleta indica que a criança adoeceu em uma cidade chamada Ziulila, cuja localização ainda não foi estabelecida. Isso mostra como o arquivo pode ajudar a estudar lugares e deslocamentos antigos e também revela o que ainda falta identificar nos mapas.
Cartas dos generais pediam reforços ao rei
Uma carta enviada por comandantes da Anatólia ocidental alerta para ameaças inimigas em território hitita. Os militares pediam soldados, cavalos e carros de guerra para enfrentar a situação. Eles afirmavam que a falta de reforços poderia levar à derrota das forças.
As mensagens são pedidos feitos em um momento de tensão; não provam, sozinhas, que a batalha terminou em desastre. Mesmo assim, mostram como decisões importantes dependiam de comunicação entre comandantes e palácio e como os responsáveis tentavam avisar sobre riscos antes de agir.

Por que o arquivo amplia a história dos hititas?
Os hititas formaram um reino importante da Anatólia durante a Idade do Bronze. Sua capital mais conhecida, Hattusha, conserva templos e fortificações reconhecidos pela UNESCO. Kayalıpınar acrescenta registros escritos de administração a esse conhecimento histórico.
As tábuas foram redigidas em hitita e hurrita e incluem rituais, cartas e consultas a presságios. Algumas descrevem observações de aves feitas por adivinhos, prática religiosa ligada a decisões. Esse material ajuda a estudar o trabalho dos escribas e as preocupações oficiais.
Novas leituras podem esclarecer os registros
A leitura de textos antigos depende da conservação, da língua e da reunião de fragmentos que pertenciam ao mesmo documento. Ainda será necessário examinar partes incompletas do arquivo e esclarecer nomes de lugares, episódios militares e relações entre doença e cerimônias.
O valor das 184 peças está em registrar acontecimentos variados numa mesma época: crises de saúde, decisões militares e ritos da família real. São pistas que ajudam a reconstruir o passado sem tratar cada relato antigo como uma explicação completa de tudo que aconteceu.
Sua história pode virar reportagem
Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.




