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Funcionária usa táxi e tênis caros, vira “dublê de rico” e recebe R$ 40 mil

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
01/08/2026
Em Economia
A condenação reuniu assédio moral e doença ligada ao ambiente de trabalho

A condenação reuniu assédio moral e doença ligada ao ambiente de trabalho

Chegar de táxi e usar um tênis considerado caro virou motivo para ataques contra uma operadora de telemarketing. O apelido no trabalho não foi analisado sozinho. A Justiça considerou as provocações repetidas, a exposição em rankings e o adoecimento da funcionária. As indenizações por assédio e doença ocupacional chegaram a R$ 40 mil.

Por que a trabalhadora era chamada de “dublê de rico”?

Os colegas usavam o apelido porque a funcionária chegava ao trabalho de táxi e usava tênis vistos como caros. A trabalhadora atendia reclamações de clientes de um banco.

Segundo a decisão divulgada pelo TRT de Minas, uma testemunha indicada pela própria empresa confirmou as provocações e disse que a chefia sabia da situação.

As provocações eram repetidas e chegaram ao conhecimento da chefia

Quais situações formaram o assédio moral?

O caso reuniu apelidos, constrangimentos e pressão por resultados. A empresa alegou que mantinha canais internos de denúncia, mas eles não impediram as agressões.

Os principais pontos reconhecidos foram:

1
Apelido depreciativo Colegas chamavam a operadora de “dublê de rico” por causa do táxi e dos tênis.
2
Conhecimento da chefia Uma testemunha confirmou que os superiores sabiam das brincadeiras.
3
Rankings de desempenho A funcionária era exposta por resultados, aumentando a pressão psicológica.
4
Problemas de saúde A trabalhadora apresentou depressão e ansiedade ligadas às condições do emprego.

Por que os canais de denúncia não livraram a empresa?

Manter um canal interno não basta quando a empresa deixa o problema continuar. A Justiça entendeu que os mecanismos adotados não evitaram a violação da dignidade da trabalhadora.

  • Prevenção: a empresa deve impedir que a violência se repita.
  • Investigação: a denúncia precisa ser apurada com seriedade e rapidez.
  • Proteção: a vítima não pode continuar exposta depois de procurar ajuda.
  • Correção: a empresa deve agir sobre quem pratica ou permite as agressões.

A cartilha do Ministério Público do Trabalho sobre violência e assédio moral orienta trabalhadores e empresas sobre prevenção, provas e formas de enfrentar essas práticas.

Leia também: Bebê prematuro perde o polegar após erro na aplicação de remédio e mãe e filho ganham R$ 100 mil na Justiça

Como a indenização chegou a R$ 40 mil?

A primeira decisão havia fixado R$ 5 mil pelo assédio. No recurso, a Oitava Turma do TRT-MG aumentou essa parte para R$ 10 mil.

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O colegiado também reconheceu a doença ocupacional e acrescentou R$ 30 mil à condenação.

R$ 10 mil
Assédio moral A reparação cobriu os apelidos, os constrangimentos e a pressão psicológica.
R$ 30 mil
Doença ocupacional O valor foi ligado ao quadro de depressão e ansiedade associado ao trabalho.
R$ 40 mil
Total da condenação A soma não foi paga apenas pelo uso de um apelido ofensivo.
Depende
Outros apelidos no emprego É preciso analisar repetição, intenção, provas, omissão e impacto sobre a vítima.

Quando uma brincadeira passa dos limites no trabalho?

A brincadeira passa dos limites quando humilha, se repete ou continua contra a vontade da pessoa. A posição da chefia também importa, pois a empresa deve manter um ambiente de respeito.

A CLT protege a esfera moral e existencial do trabalhador. No processo, o apelido foi apenas uma parte de um conjunto maior de pressão e adoecimento.

Tags: assédio moralDano moraldoença ocupacionaltelemarketing

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