Um pneu não entregue, embora marcado como recebido no sistema, levou um comprador à Justiça do Distrito Federal. Ele apresentou vídeo da suposta entrega, mostrando outro item. A Turma Recursal manteve a restituição de R$ 1.019,92, imposta à loja e à plataforma que participaram da compra pela internet.
A compra do pneu foi registrada em novembro de 2024
O consumidor comprou um pneu por R$ 1.019,92 no Mercado Livre, de uma loja identificada como Pense Pneus Store. A entrega estava prevista para 19 de novembro de 2024, segundo os dados divulgados pela Justiça do Distrito Federal.
O acompanhamento eletrônico indicava pedido entregue, mas o homem afirmou não ter recebido o pneu. Ele buscou solução com as empresas sem êxito. A divergência entre registro eletrônico e mercadoria recebida levou o conflito aos Juizados Especiais.

Como o vídeo mudou a discussão sobre a entrega?
O comprador apresentou um vídeo gravado no dia previsto para a chegada do pedido. Nas imagens descritas pelo tribunal, aparecia o recebimento de outro item, e não do pneu. Isso ajudou a contestar o registro de entrega concluída.
Para a 1ª Turma Recursal, as provas do consumidor eram suficientes para demonstrar a ausência de entrega da mercadoria comprada. O caso não foi resolvido apenas por confiar na palavra de uma parte: os julgadores compararam o vídeo e os registros.
A plataforma alegou atuar apenas como intermediária
O Mercado Livre sustentou que funcionava como intermediário entre comprador e vendedor. Também afirmou que a entrega havia ocorrido e que não existia falha no serviço. A plataforma, portanto, contestou tanto os fatos quanto sua responsabilidade pelo pedido.
A Turma destacou que os registros internos da plataforma não vinham acompanhados de recibo ou prova inequívoca de entrega do pneu ao comprador. Dessa forma, não afastavam as provas apresentadas pelo consumidor no processo.
Quais documentos ajudam a verificar uma entrega?
Quando o rastreio afirma que uma compra chegou, é importante guardar o histórico do pedido e conferir o nome de quem recebeu. O vídeo não é requisito obrigatório, mas, neste processo, ajudou a mostrar um produto diferente.
- Anúncio e pedido: identificam modelo, valor e vendedor da mercadoria.
- Histórico de rastreio: mostra a data indicada como entrega.
- Comprovante de recebimento: ajuda a confirmar quem recebeu e o que assinou.
- Vídeo e fotos: podem registrar o pacote recebido quando existirem.
- Protocolos: guardam as respostas da loja e da plataforma.
Uma reclamação documentada deve indicar o que foi comprado, quando deveria chegar e por que o registro eletrônico está sendo contestado. O conteúdo exato das provas depende de cada entrega; nenhum documento isolado garante o resultado de uma ação. Um registro de sistema pode conter informação incompleta ou contestada.

O Código do Consumidor orientou a responsabilidade
A Lei 8.078/1990, conhecida como Código de Defesa do Consumidor, trata da responsabilidade por defeitos na prestação de serviços. O acórdão citou o artigo 14 do CDC ao examinar a falha da entrega.
A decisão alcançou tanto a loja de pneus quanto a plataforma. Isso não permite concluir que todo intermediário responderá sempre, em qualquer situação. Os julgadores consideraram o papel das empresas e os fatos efetivamente comprovados naquele pedido.
Qual foi o resultado do julgamento do pneu?
A notícia publicada pelo TJDFT em 15 de outubro de 2025 informa que a 1ª Turma Recursal manteve a condenação. Loja e plataforma deveriam restituir R$ 1.019,92 ao comprador. O processo recebeu o número 0704712-37.2025.8.07.0004.
O julgamento trata de proteção ao consumidor e de prova de entrega em uma venda específica. O órgão não informa, na notícia, se o valor já havia sido depositado. Uma confirmação automática no sistema precisa ser avaliada com os demais elementos do caso.
Sua história pode virar reportagem
Conte por texto ou áudio — nomes e endereços viram fictícios antes de qualquer publicação.




