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Filhotes de cães há 15.800 anos se tornam a evidência genética mais antiga de cães e mostram sua ligação com os humanos

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
08/09/2026
Em Entretenimento
O material genético ajuda a investigar um período muito antigo da relação entre cães e seres humanos

O material genético ajuda a investigar um período muito antigo da relação entre cães e seres humanos

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Cães de Pınarbaşı, na Turquia, datados de cerca de 15.800 anos, são a evidência genética definitiva mais antiga da espécie.↓ Ver no artigo
O DNA nuclear identificou um canídeo de Pınarbaşı como cão, distinguindo-o geneticamente de lobos antigos.↓ Ver no artigo
Filhotes foram enterrados deliberadamente perto de sepultamentos humanos, sugerindo proximidade social e possível tratamento ritual.↓ Ver no artigo

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EM FOCO
Resumo da matéria
01
DNA confirmou os cães
Um indivíduo de Pınarbaşı com cerca de 15.800 anos foi identificado como cão por genoma nuclear, recuando o registro genético definitivo.
recorde genético
02
Filhotes receberam sepultamento
Restos juvenis foram enterrados cuidadosamente no abrigo rochoso perto de sepultamentos humanos, sugerindo tratamento ritual semelhante.
proximidade humana
03
Dieta também se aproximava
Análises isotópicas indicam consumo de peixe, alimento importante também para os grupos humanos que ocupavam o sítio.
comida compartilhada

Em Pınarbaşı, na Turquia, cães de 15.800 anos foram identificados por DNA nuclear, estabelecendo o registro genético mais antigo. Filhotes foram enterrados perto de humanos e análises indicam consumo de peixe. O achado mostra que cães já tinham relação estreita com grupos caçadores no fim da Era do Gelo.

Onde foram encontrados os cães de 15.800 anos?

Os restos vieram de Pınarbaşı, um abrigo rochoso na Anatólia central, usado repetidamente por grupos móveis de caçadores-coletores. Escavações encontraram sepultamentos humanos, ferramentas, restos de alimentos e canídeos juvenis em contextos datados do final do Paleolítico, milhares de anos antes da agricultura local.

O sítio é investigado por equipes ligadas à Universidade de Liverpool e ao British Institute at Ankara. A domesticação do cão é muito mais antiga que a de outros animais domésticos, mas identificar os primeiros exemplares sempre foi difícil porque lobos e cães antigos podiam ter esqueletos muito parecidos.

Os filhotes oferecem pistas raras sobre como esses animais viviam ao lado de comunidades humanas

Como o DNA provou que esses animais eram cães?

O estudo publicado na Nature gerou genomas nucleares e mitocondriais de canídeos antigos. Um indivíduo de Pınarbaşı, datado em aproximadamente 15.800 anos, agrupou geneticamente com cães antigos e modernos, e não com lobos.

Essa identificação é importante porque morfologia sozinha pode gerar dúvidas. Canídeos pré-históricos sugeridos como cães em outros sítios foram posteriormente reclassificados ou permaneceram controversos. O genoma nuclear fornece uma evidência mais direta de ancestralidade, permitindo distinguir linhagens de cães e lobos com muito mais segurança.

O que os sepultamentos revelam sobre a relação com humanos?

Em Pınarbaşı, os pesquisadores encontraram filhotes enterrados de maneira deliberada perto de sepultamentos humanos. A equipe interpreta esse tratamento como sinal de proximidade, porque os animais não foram simplesmente descartados com restos de caça. Eles receberam atenção semelhante à dedicada aos mortos da própria comunidade.

Isótopos preservados nos ossos acrescentaram outra pista. Os cães consumiam peixe, componente importante da dieta humana local. Isso pode indicar alimentação fornecida ou acesso próximo aos recursos do grupo. Os autores consideram possíveis funções de caça e guarda, embora o papel exato de cada animal não possa ser reconstruído.

A seguir listamos 4 evidências da proximidade entre cães e humanos que aparecem no sítio e nas análises laboratoriais:

  • Enterro deliberado: filhotes foram colocados cuidadosamente dentro do abrigo rochoso.
  • Proximidade dos humanos: os sepultamentos caninos aparecem perto de enterramentos de pessoas.
  • Dieta semelhante: análises isotópicas indicam consumo de peixe por cães e humanos.
  • Dispersão rápida: linhagens geneticamente semelhantes aparecem depois em pontos distantes da Europa.

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Esses cães já eram iguais aos animais domésticos atuais?

Não. O estudo mostra uma linhagem canina antiga, mas milhares de anos de seleção, cruzamentos e movimentos populacionais ainda separavam aqueles animais das raças modernas. Os cães de Pınarbaşı pertenciam a populações paleolíticas que se espalharam por grande parte da Eurásia ocidental.

A análise encontrou semelhança entre o cão anatólio e exemplares de Gough’s Cave, na Grã-Bretanha. Isso sugere troca ou movimento de cães entre grupos distintos a grandes distâncias. Os pesquisadores estimam que uma população próxima já estava distribuída pela Europa e Anatólia por volta de 14.300 anos atrás.

A seguir listamos 3 diferenças entre o achado e cães modernos que ajudam a entender por que o resultado fala de domesticação antiga, não de raças atuais:

Logo EM Foco
DADOS EM FOCO
O que Pınarbaşı revelou sobre os primeiros cães
Resumo das principais evidências de cães antigos e sua relação com humanos
Evidência Data ou detalhe Significado
DNA nuclear Cerca de 15.800 anos Identificação genética mais antiga
Sepultamentos Filhotes perto de humanos Tratamento ritualizado
Isótopos Consumo de peixe Dieta próxima à humana

Por que a descoberta muda a história da domesticação dos cães?

Antes desse trabalho, a evidência genética inequívoca era bem mais recente. Pınarbaşı empurra o registro para cerca de 15.800 anos atrás e mostra cães vivendo com grupos caçadores antes do surgimento da agricultura. Isso reforça a ideia de que a relação começou dentro de sociedades móveis do Paleolítico.

Os cães de 15.800 anos não revelam exatamente onde ou quando ocorreu a primeira domesticação, mas mostram que o vínculo já estava avançado. Genética, dieta e sepultamento apontam na mesma direção: esses animais circulavam com pessoas, compartilhavam recursos e recebiam um tratamento social que ultrapassava uma relação puramente utilitária.

Sua história pode virar reportagem

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Tags: arqueologiacãesDNAPaleolítico

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