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Auxiliar é demitido por justa causa acusado de bater o ponto e ir embora, consegue reverter a punição e ainda receberá R$ 15 mil

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
06/08/2026
Em Economia
A saída sem aviso ocorreu durante um problema de saúde no aeroporto

A saída sem aviso ocorreu durante um problema de saúde no aeroporto

Registrar a entrada e sair do trabalho pode levar à punição máxima? Um auxiliar de rampa do Aeroporto de Brasília conseguiu reverter a justa causa porque a conduta foi tratada como uma falha isolada, não como insubordinação grave.

Por que o auxiliar deixou o trabalho?

O trabalhador prestava serviços para a Swissport Brasil desde 2017. Em março de 2023, ele registrou o ponto de entrada, passou mal e deixou o aeroporto sem falar diretamente com o supervisor.

Em seu depoimento, o auxiliar disse que sofreu uma forte crise de enxaqueca e ficou sem condições de continuar as tarefas. A decisão sobre a saída durante a crise de enxaqueca manteve a anulação da punição aplicada pela empresa.

O histórico profissional teve peso na análise da punição aplicada

Por que a justa causa foi considerada exagerada?

A empresa afirmou que o empregado registrou a presença e foi embora sem autorização, sem aviso e sem apresentar atestado médico. Para a defesa, esse comportamento teria quebrado a confiança necessária para manter o contrato.

A Justiça considerou que os fatos não mostravam uma falta grave suficiente para a pena máxima. Alguns pontos pesaram na análise:

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  • Problema de saúde: o trabalhador afirmou que não conseguia continuar no serviço por causa da enxaqueca.
  • Falha isolada: a empresa não comprovou que ele repetia esse tipo de conduta.
  • Histórico longo: havia apenas 2 advertências por faltas durante cerca de 6 anos de trabalho.
  • Pena desproporcional: a saída poderia gerar outra punição, mas não justificava automaticamente a justa causa.

Reverter a punição garante indenização automática?

A reversão da justa causa muda as verbas do fim do contrato. O empregado passa a ter direito aos pagamentos de uma dispensa comum, como aviso-prévio, férias proporcionais, 13º salário proporcional e multa sobre o FGTS.

Isso não significa que toda justa causa anulada gere dano moral. O texto da Consolidação das Leis do Trabalho lista as faltas que podem justificar a punição máxima, mas cada situação depende das provas apresentadas.

Neste caso, a indenização também envolveu o tratamento atribuído aos supervisores. Testemunhas relataram que o auxiliar era chamado de preguiçoso e lerdo diante dos colegas.

Leia também: Educador trans sofre discriminação no trabalho e Justiça manda instituição pagar R$ 12 mil

O que ficou mantido para o trabalhador?

A empresa tentou restabelecer a justa causa, mas o recurso não avançou. A decisão anterior permaneceu válida, incluindo as verbas da dispensa sem justa causa e a reparação por dano moral.

O resultado pode ser separado desta forma:

Anulada
Justa causa A saída foi considerada uma falha de comunicação, não uma insubordinação grave.
Mantidas
Verbas da dispensa comum O trabalhador passou a ter os direitos ligados à demissão sem justa causa.
R$ 15 mil
Indenização por dano moral O valor ficou mantido por causa do tratamento humilhante relatado no trabalho.

O caso cria uma regra para qualquer saída sem aviso?

A decisão vale para esse trabalhador e foi baseada nas provas do caso. Sair sem avisar pode gerar advertência, suspensão ou até justa causa quando houver gravidade, repetição ou intenção de enganar.

O verbete sobre justa causa ajuda a diferenciar essa forma de desligamento da demissão comum. Aqui, uma saída mal comunicada pesou menos que 6 anos de histórico.

Tags: Dano moraldireitos trabalhistasjusta causaponto eletrônico

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