Poucos destinos brasileiros conseguem oferecer, em um único município, cânions, minas de ouro do século XVIII e uma vila com mais de 40 quedas d’água catalogadas. Jacobina, no extremo norte da Chapada Diamantina, é o portal de entrada do Sertão Baiano para quem sai de Belo Horizonte em busca de natureza fora da rota tradicional de Lençóis e do Vale do Capão.
Por que Jacobina é chamada de Cidade do Ouro?
O apelido veio das minas exploradas por bandeirantes paulistas no século XVII. Segundo a representação regional do CRC-BA, a cidade fica a 330 km de Salvador, no extremo norte da Chapada Diamantina, e carrega a herança direta da mineração que atraiu os primeiros sertanistas registrados no Tratado Descritivo do Brasil, de Gabriel Soares de Sousa, em 1587.
Fundada oficialmente em 1722 e elevada à categoria de cidade em 28 de julho de 1880 com o título de Agrícola Cidade de Santo Antônio de Jacobina, ela conserva quatro bens tombados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), entre eles a Igreja Matriz de Santo Antônio e a Igreja da Missão. O nome tem origem indígena e significa “campo aberto”.

Como chegar de carro saindo de Belo Horizonte?
O trajeto principal segue pela BR-381 até Governador Valadares, entra na BR-116 (Rio-Bahia) em direção a Teófilo Otoni e cruza a divisa da Bahia por Vitória da Conquista. Depois de Feira de Santana, a rota pega a BR-324 sentido Capim Grosso, de onde parte a BR-407 até Jacobina.
A distância total gira em torno de 1.400 km, com tempo estimado de 18 a 20 horas de estrada. A recomendação é dividir a viagem em dois dias, dormindo em Vitória da Conquista ou em Feira de Santana. Também é possível voar até Salvador e alugar carro, cortando o percurso para 330 km, ou seguir de ônibus interestadual pela BR-116.

O que fazer na primeira parada, em Itaitu?
O distrito de Itaitu, a cerca de 25 km da sede de Jacobina, é o principal ponto de partida para o ecoturismo. A vila fica no chamado Parque das Cachoeiras, com mais de 40 quedas d’água catalogadas, e serve de base para trilhas no Parque Estadual das Sete Passagens, no município vizinho de Miguel Calmon.
- Cachoeira Véu de Noiva: a mais alta da região, com cerca de 60 metros de queda, poço para banho e prática de rapel.
- Cachoeira do Piancó: trilha leve leva a uma queda de 40 metros com caldeirões para banho.
- Cachoeira Arapongas: dentro do Parque Estadual das Sete Passagens, com trilha de 1,2 km, poço para mergulho e travessia por rio.
- Poço da Geladeira: complementa o passeio a Arapongas, com águas cristalinas e áreas para caminhada.
- Cachoeira do Sossego: ainda no Sete Passagens, exige uso de cordas e escadas em alguns trechos.
- Cachoeira do Riachinho: fica a 500 metros da vila e pode ser feita a pé, ideal para o fim de tarde.
Quem quer conhecer cachoeiras e paisagens da Chapada Diamantina, vai curtir este vídeo do canal Eu no Nordeste, que apresenta a vila de Itaitu, em Jacobina:
O que ver dentro do Parque Estadual das Sete Passagens?
A unidade de conservação é o principal atrativo natural do entorno de Jacobina. Segundo a Associação dos Protetores da Serra, o parque foi criado pelo Decreto nº 7.808 de 24 de maio de 2000, tem 2.821 hectares e é administrado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (INEMA).
O ponto mais alto do parque chega a 1.270 metros de altitude e a área protege a zona de transição entre Mata Atlântica e Caatinga. Já foram catalogadas 16 cachoeiras na unidade, com destaque para a Cachoeira do Sinvaldo, com cerca de 168 metros de queda d’água, e para as nascentes dos rios Paraguaçu, Salitre e Itapicuru.
O que ver ainda na sede de Jacobina?
Além de servir como base para as cachoeiras, o núcleo urbano tem seus próprios pontos de contemplação e patrimônio religioso ligado ao ciclo do ouro.
- Serra do Cruzeiro: subida de 500 degraus até o topo, onde fica a tradicional cruz de madeira e um mirante da cidade.
- Serra do Tombador: entrada norte da Chapada Diamantina, com rochas sedimentares e paredões formados há milhões de anos.
- Pico do Jaraguá: um dos mirantes altos da região, com vista para o vale de Itaitu.
- Igreja Matriz de Santo Antônio: templo tombado pelo IPAC, no centro histórico.
- Capela do Bom Jesus da Glória: bem tombado pela União, ligado à ocupação do ciclo do ouro.
- Cachoeira dos Amores: a 3 km do centro, associada à lenda indígena que teria dado nome à cidade.
Quem quer descobrir um vilarejo cercado por cachoeiras na Bahia, vai curtir este vídeo do CANAL BEM-VINDO, com mais de 7 mil visualizações, que apresenta Itaitu, em Jacobina:
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Como é o clima em Jacobina ao longo do ano?
A cidade fica em torno de 463 metros de altitude, no encontro entre a Caatinga e a Chapada Diamantina, com clima quente e chuvas concentradas no verão. As trilhas ficam mais seguras na estação seca, quando os caminhos e os poços das cachoeiras são acessíveis sem risco de enxurradas.
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Uma Chapada fora do circuito turístico tradicional
Jacobina é a Chapada Diamantina que quase ninguém do Sudeste conhece. Enquanto Lençóis e o Vale do Capão concentram a maioria dos turistas, o extremo norte da chapada mantém cachoeiras com vilarejos onde é possível dormir de porta aberta e trilhas que praticamente não aparecem em roteiros comerciais.
Você precisa encarar o trajeto saindo de BH, dedicar cinco dias ao passeio e entender por que a Cidade do Ouro guarda uma das paisagens mais preservadas da Bahia sem estar no mapa do turismo de massa.




