Uma tomografia revelou uma carapaça de lama escondida entre as faixas de uma múmia egípcia de cerca de 3.200 anos. A camada envolvia boa parte do corpo, continha areia e material fibroso e recebeu pigmentos branco e vermelho. Os pesquisadores interpretaram a estrutura como uma antiga restauração.
Como uma camada inteira conseguiu permanecer escondida sob as faixas?
A múmia pertence hoje à coleção do Chau Chak Wing Museum, da University of Sydney. A estrutura havia sido percebida em exames anteriores, mas novas tomografias produziram imagens muito mais detalhadas do que as disponíveis no fim dos anos 1990.
A camada ficava entre diferentes níveis de linho e não era visível externamente. As imagens mostraram que ela acompanhava grande parte do corpo e cobria áreas que já apresentavam danos ocorridos depois da morte.

Do que era feita a carapaça encontrada pela tomografia?
O estudo publicado na PLOS ONE analisou fragmentos retirados da estrutura. A base era de argila fina ou lama não cozida, misturada com areia arredondada, pequenas partículas de pedra e material fibroso.
Também havia matéria orgânica fina que pode ser palha ou restos vegetais semelhantes. Sobre a lama apareciam duas camadas de acabamento: uma cobertura clara e, acima dela, pigmento avermelhado.
Por que os pesquisadores acreditam que a lama serviu para consertar o corpo?
As tomografias mostraram fraturas e desarticulações que estavam abaixo da carapaça. Isso indica que parte dos danos aconteceu primeiro e que, depois, o corpo recebeu novas faixas, enchimento e a camada úmida para recuperar sua integridade.
- O corpo já havia sido mumificado antes da intervenção.
- Havia danos pós-morte abaixo da carapaça.
- Algumas regiões receberam novo enchimento com tecido.
- A lama envolveu e estabilizou áreas danificadas.
- O acabamento externo foi pintado depois da aplicação.
Os autores consideram que a intervenção também poderia ter uma dimensão simbólica. Manter o corpo inteiro era importante nas crenças funerárias egípcias, e a restauração física poderia contribuir para devolver unidade ao falecido.

Como se sabe que a múmia tem cerca de 3.200 anos?
Duas amostras de linho foram submetidas à datação por radiocarbono. O intervalo calibrado ficou entre aproximadamente 1370 e 1113 a.C., com data mediana em 1207 a.C..
Os resultados e as análises do material ficam assim:
| Elemento | Resultado | Leitura |
|---|---|---|
| Linho | 1370 a 1113 a.C. | Radiocarbono |
| Data mediana | 1207 a.C. | Referência central |
| Camada branca | Principalmente calcita | Origem calcária |
| Superfície | Pigmento vermelho | Acabamento |
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Essa técnica era comum entre as múmias egípcias?
Os pesquisadores conheciam cascas de resina em múmias reais do fim do Novo Império, mas destacaram que uma cobertura feita de lama como essa não havia sido cientificamente documentada e datada da mesma forma.
A interpretação é que a técnica pode representar uma solução menos cara para imitar tratamentos funerários associados às elites, além de reparar fisicamente o corpo. A combinação entre conservação, aparência e crença ajuda a explicar por que alguém cobriu os danos em vez de simplesmente refazer as faixas.




