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Egípcios consertaram uma múmia danificada com uma camada de lama, pigmento branco e tinta vermelha há cerca de 3.200 anos

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
29/08/2026
Em Entretenimento
O revestimento mostra que danos no corpo mumificado podiam ser corrigidos depois da preparação

O revestimento mostra que danos no corpo mumificado podiam ser corrigidos depois da preparação

Uma tomografia revelou uma carapaça de lama escondida entre as faixas de uma múmia egípcia de cerca de 3.200 anos. A camada envolvia boa parte do corpo, continha areia e material fibroso e recebeu pigmentos branco e vermelho. Os pesquisadores interpretaram a estrutura como uma antiga restauração.

Como uma camada inteira conseguiu permanecer escondida sob as faixas?

A múmia pertence hoje à coleção do Chau Chak Wing Museum, da University of Sydney. A estrutura havia sido percebida em exames anteriores, mas novas tomografias produziram imagens muito mais detalhadas do que as disponíveis no fim dos anos 1990.

A camada ficava entre diferentes níveis de linho e não era visível externamente. As imagens mostraram que ela acompanhava grande parte do corpo e cobria áreas que já apresentavam danos ocorridos depois da morte.

A combinação de materiais revelou uma solução diferente das técnicas mais conhecidas de mumificação

Do que era feita a carapaça encontrada pela tomografia?

O estudo publicado na PLOS ONE analisou fragmentos retirados da estrutura. A base era de argila fina ou lama não cozida, misturada com areia arredondada, pequenas partículas de pedra e material fibroso.

Também havia matéria orgânica fina que pode ser palha ou restos vegetais semelhantes. Sobre a lama apareciam duas camadas de acabamento: uma cobertura clara e, acima dela, pigmento avermelhado.

1
Base marromEra formada por lama ou argila fina com partículas minerais e material fibroso incorporado.
2
Camada brancaAs análises indicaram principalmente calcita, compatível com uma origem em material calcário.
3
Pigmento vermelhoA superfície possuía minerais com ferro e outros componentes usados para produzir a coloração avermelhada.
4
Faixas de linhoA carapaça foi aplicada entre camadas de tecido e chegou a registrar marcas das próprias faixas enquanto ainda estava úmida.

Por que os pesquisadores acreditam que a lama serviu para consertar o corpo?

As tomografias mostraram fraturas e desarticulações que estavam abaixo da carapaça. Isso indica que parte dos danos aconteceu primeiro e que, depois, o corpo recebeu novas faixas, enchimento e a camada úmida para recuperar sua integridade.

  • O corpo já havia sido mumificado antes da intervenção.
  • Havia danos pós-morte abaixo da carapaça.
  • Algumas regiões receberam novo enchimento com tecido.
  • A lama envolveu e estabilizou áreas danificadas.
  • O acabamento externo foi pintado depois da aplicação.

Os autores consideram que a intervenção também poderia ter uma dimensão simbólica. Manter o corpo inteiro era importante nas crenças funerárias egípcias, e a restauração física poderia contribuir para devolver unidade ao falecido.

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Como se sabe que a múmia tem cerca de 3.200 anos?

Duas amostras de linho foram submetidas à datação por radiocarbono. O intervalo calibrado ficou entre aproximadamente 1370 e 1113 a.C., com data mediana em 1207 a.C..

Os resultados e as análises do material ficam assim:

ElementoResultadoLeitura
Linho1370 a 1113 a.C.Radiocarbono
Data mediana1207 a.C.Referência central
Camada brancaPrincipalmente calcitaOrigem calcária
SuperfíciePigmento vermelhoAcabamento

Leia também: Cinco canoas ficaram preservadas no fundo de um lago por mais de 7.000 anos e uma delas ainda mede 10,43 metros

Essa técnica era comum entre as múmias egípcias?

Os pesquisadores conheciam cascas de resina em múmias reais do fim do Novo Império, mas destacaram que uma cobertura feita de lama como essa não havia sido cientificamente documentada e datada da mesma forma.

A interpretação é que a técnica pode representar uma solução menos cara para imitar tratamentos funerários associados às elites, além de reparar fisicamente o corpo. A combinação entre conservação, aparência e crença ajuda a explicar por que alguém cobriu os danos em vez de simplesmente refazer as faixas.

💡 Curiosidade A múmia foi comprada no Egito no século XIX e acabou colocada dentro de um caixão que provavelmente pertencia a outra pessoa. A data do corpo é anterior à do caixão, segundo o estudo.
Tags: arqueologiaEgito Antigomúmiarestauração

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