No meio de uma antiga área urbana, cerca de 30 colmeias de barro sobreviveram por aproximadamente três milênios. Elas já sugeriam criação de abelhas, mas havia uma prova ainda melhor dentro dos cilindros: restos de operárias, zangões, larvas e pupas confirmaram que ali funcionava um grande apiário.
Por que os cilindros encontrados em Tel Rehov chamaram tanta atenção?
As estruturas apareceram em Tel Rehov, no vale do Jordão. Eram cilindros feitos com argila não cozida e organizados em fileiras dentro da cidade. Um pequeno orifício permitia a entrada das abelhas, enquanto a outra extremidade dava acesso ao interior.
O estudo publicado na PNAS descreve cerca de 30 colmeias identificadas e estima que o apiário original pudesse ter reunido aproximadamente 100 a 200 unidades.

Como os pesquisadores confirmaram que aquilo realmente abrigava abelhas?
O formato lembrava colmeias tradicionais, mas a confirmação veio do próprio conteúdo preservado. Dentro de alguns cilindros havia restos de favos carbonizados e partes de abelhas misturadas a material escuro preservado pelo incêndio que destruiu aquela área.
A análise encontrou diferentes fases e tipos de indivíduos, algo importante para identificar uma colônia ativa. Entre os vestígios estavam:
Por que colocar tantas colmeias dentro de uma cidade era incomum?
Um apiário grande reúne muitos insetos em um espaço relativamente pequeno. Isso chama atenção porque a atividade estava instalada numa área urbana densa, onde pessoas circulavam e outras construções ficavam próximas.
Os pesquisadores consideram possível que a localização ajudasse a proteger um produto valioso. Mel e cera tinham vários usos. A própria escala da instalação indica que a criação ultrapassava a manutenção de uma ou duas colmeias para consumo de uma família.
As evidências apontam para uma atividade organizada:
- as colmeias estavam reunidas em fileiras;
- o conjunto fazia parte de um complexo arquitetônico maior;
- havia espaço de acesso para o manejo dos favos;
- a estimativa total chega a 100 ou 200 colmeias.
A combinação permitiu aos autores descrever Tel Rehov como o mais antigo apiário conhecido encontrado no próprio local de funcionamento naquele momento da pesquisa.

As abelhas eram iguais às que vivem naquela região hoje?
Essa parte trouxe outra surpresa. Os pesquisadores mediram estruturas preservadas, incluindo asas, e compararam suas formas com diferentes grupos modernos. Os resultados não combinaram bem com a subespécie local da região.
A comparação ficou assim:
| Evidência | Resultado | Leitura |
|---|---|---|
| Abelha local A. m. syriaca | As medidas dos restos não combinaram com a subespécie local esperada. | Descartada |
| Abelha anatólica A. m. anatoliaca | Foi o grupo moderno mais compatível com os vestígios analisados. | Compatível |
| Origem Hipóteses dos autores | A distribuição antiga pode ter sido diferente ou as abelhas podem ter sido trazidas de outra região. | Em aberto |
O que essas colmeias revelam sobre a apicultura de três milênios atrás?
Os vestígios mostram que criar abelhas já podia ser uma atividade planejada e feita em grande escala. A pesquisa da Universidade Hebraica de Jerusalém trata o conjunto como evidência direta de apicultura organizada no vale do Jordão.
As colmeias de barro preservaram algo ainda mais raro: partes dos próprios animais que viveram nelas. Isso permitiu confirmar a função das estruturas e investigar até que tipo de abelha era mantido ali, transformando uma fileira de cilindros antigos em um retrato detalhado de uma produção urbana de três mil anos.




