Há cerca de 7.000 anos, poços de madeira foram montados por agricultores que ainda não conheciam ferramentas de metal. Eles derrubaram carvalhos enormes, dividiram os troncos e criaram encaixes precisos. Quatro estruturas preservaram ao todo 151 peças de carvalho.
Como era possível cortar um carvalho tão grande sem metal?
Alguns troncos chegavam a aproximadamente 1 metro de diâmetro e vinham de árvores maduras, certas delas com até 300 anos. Os construtores usavam enxós de pedra, ferramentas com lâmina montada transversalmente ao cabo, para cortar e dar forma à madeira.
O estudo dos poços neolíticos identificou também o uso de cunhas e marretas de madeira para dividir os troncos. Em algumas peças, marcas mostram que brasas ajudaram a cortar ou ajustar as extremidades.

O que foi encontrado nas quatro estruturas?
Os poços vieram de Altscherbitz, Brodau e Eythra, no leste da Alemanha. A madeira encharcada ficou protegida da decomposição e permitiu estudar detalhes que quase nunca sobrevivem em construções tão antigas.
Os principais vestígios foram:
Que tipo de encaixe esses carpinteiros já dominavam?
As estruturas em formato de caixa tinham vigas entalhadas e cantos interligados. Em dois poços, a base apresentava juntas de espiga e encaixe, nas quais uma ponta saliente de madeira entrava numa abertura feita em outra peça.
O processo envolvia várias etapas:
- Derrubar a árvore com enxós de pedra.
- Partir o tronco usando cunhas de madeira.
- Alisar as superfícies antes da montagem.
- Entalhar cantos, espigas e aberturas de encaixe.
- Travar algumas uniões com cunhas ou pinos.
No poço A, algumas espigas atravessavam a peça ligada e recebiam uma cunha de madeira. O resultado lembra sistemas de carpintaria conhecidos em períodos muito posteriores, embora tenha sido executado milhares de anos antes de serras e pregos metálicos.

O que as datas dos anéis das árvores revelaram?
A dendrocronologia, técnica que compara os anéis anuais de crescimento das árvores, permitiu datar as madeiras com uma precisão rara para o Neolítico. As 151 peças cobrem uma sequência entre 5469 e 5098 a.C..
Os dados principais ficam assim:
| Elemento | Dado | Resultado |
|---|---|---|
| Madeiras Quatro poços | 151 peças de carvalho | Preservadas |
| Datação Anéis de crescimento | 5469 a 5098 a.C. | Precisão anual |
| Carvalhos Árvores maduras | Até cerca de 1 m de diâmetro | Grande porte |
| Profundidade Construção | Poços chegando ao lençol freático | Até 7 m |
Por que esses poços são tão importantes?
O poço de Altscherbitz é um dos exemplos mais bem preservados desse conjunto. As madeiras mostram que os primeiros agricultores da Europa Central já planejavam estruturas complexas e dominavam o comportamento de diferentes partes do tronco.
Sem ferramentas metálicas, eles conseguiram cortar árvores enormes, produzir tábuas e montar juntas resistentes. A madeira encharcada conservou até marcas de fabricação, permitindo reconstruir uma carpintaria que, em condições normais, teria desaparecido completamente do registro arqueológico.




