Há cerca de 4.500 anos, uma rampa com escadas ajudava trabalhadores de Hatnub a tirar enormes blocos de pedra de uma pedreira no deserto egípcio. O sistema usava postes, cordas e trenós em uma subida muito forte. Em alguns trechos, a inclinação chegava a 22%.
Por que essa subida era um problema para os trabalhadores?
Um bloco pesado sobre um trenó exige muita força em terreno plano. Em uma subida tão inclinada, o peso puxa a carga para trás, o que torna o transporte ainda mais difícil e aumenta o risco de perder o controle durante o trajeto.
Em Hatnub, a dificuldade era maior porque o material precisava sair de uma grande escavação a céu aberto. O complexo da pedreira P tinha uma descida de cerca de 100 metros, com largura entre 6 e 9 metros, até a área principal de extração.

Como o sistema puxava os blocos em uma rampa tão inclinada?
O método combinava uma faixa central para o trenó com escadas talhadas nas laterais. Ao lado delas havia vários buracos onde postes de madeira podiam ser fixados. As cordas ligadas à carga passavam por esses pontos e ajudavam as equipes a controlar a força aplicada.
O sistema de transporte de Hatnub permitia puxar alabastro egípcio, uma pedra clara de calcita usada em objetos e construções, por inclinações de 20% ou mais. O levantamento posterior do sítio registrou pontos chegando a 22%.
As partes centrais do mecanismo eram:
O que os arqueólogos realmente encontraram em Hatnub?
Na campanha de 2018, a equipe retirou entulho da entrada da pedreira e encontrou uma dupla sequência de degraus cortados na rocha ao lado da rampa. Uma sondagem de 3,5 metros mostrou que a escadaria continuava mais abaixo.
Os principais vestígios registrados foram:
- Uma rampa central de transporte.
- Duas escadarias laterais escavadas na rocha.
- Vários buracos para postes junto aos degraus.
- Inscrições que ajudam a datar a área usada na época de Quéops.
O Projeto Epigráfico de Hatnub é conduzido em parceria por pesquisadores da Universidade de Liverpool e do Instituto Francês de Arqueologia Oriental. As escavações atuais começaram em 2012 e também registram inscrições deixadas por antigas expedições de trabalho.

Quais detalhes mostram como a rampa funcionava?
A posição dos vestígios permite separar o que está preservado do que foi reconstruído pelos arqueólogos. A rampa, os degraus e os buracos existem no sítio. Já o uso exato das cordas e dos postes vem da combinação entre a forma do sistema e a lógica do transporte.
Os dados principais ficam mais claros assim:
| Parte | Dado observado | Leitura |
|---|---|---|
| Rampa Faixa central | Inclinação de 18% a 22% em alguns trechos | Preservada |
| Escadas Laterais | Duas sequências de degraus cortados na rocha | Preservadas |
| Buracos Junto aos degraus | Pontos para fixação de postes de madeira | Interpretado |
| Cordas Ligadas ao trenó | Uso proposto para distribuir a força de tração | Reconstrução |
Isso mostra como as pirâmides foram construídas?
A rampa foi datada do reinado de Quéops, período ligado à construção da Grande Pirâmide de Gizé. Essa coincidência de época torna Hatnub importante para estudar como cargas muito pesadas podiam vencer inclinações fortes.
O achado, porém, vem de uma pedreira a quilômetros de Gizé. Ele mostra que esse tipo de solução existia no Egito da época e amplia as possibilidades estudadas pelos arqueólogos, mas não demonstra que a mesma rampa tenha sido usada diretamente no canteiro da Grande Pirâmide.




