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Uma caverna extremamente seca preservou cestos de 9.500 anos e sandálias de aproximadamente 6.200 anos feitas de fibras vegetais

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
27/08/2026
Em Entretenimento
O ambiente seco permitiu que materiais vegetais frágeis sobrevivessem por milhares de anos

O ambiente seco permitiu que materiais vegetais frágeis sobrevivessem por milhares de anos

Por milhares de anos, os cestos de 9.500 anos da Cueva de los Murciélagos ficaram protegidos num ambiente seco, onde fibras vegetais quase nunca sobrevivem. A mesma coleção guardou sandálias, cordas e madeira. As peças atravessaram dois momentos diferentes da Pré-História.

Como materiais tão frágeis conseguiram sobreviver?

Palha, madeira e fibras costumam desaparecer muito antes de pedra ou cerâmica. Na Cueva de los Murciélagos de Albuñol, porém, a dessecação preservou materiais orgânicos. Dessecação é a perda de umidade que deixa o ambiente muito seco.

A caverna fica na região de Granada, na Espanha, e seus objetos foram encontrados durante atividades de mineração no século XIX. Parte importante do conjunto acabou no Museo Arqueológico Nacional, onde pôde ser estudada novamente com técnicas modernas.

Os objetos mostram habilidades de trançado e fabricação que raramente permanecem no registro arqueológico

O que apareceu entre os 76 objetos estudados?

Os pesquisadores analisaram 76 peças feitas de materiais que normalmente se perdem com o tempo. Para entender a idade do conjunto, foram produzidas 14 datações por carbono-14, método que mede alterações em carbono antigo para estimar quando um material orgânico deixou de viver.

O conjunto guarda objetos ligados ao transporte, ao vestuário e a atividades do cotidiano:

1
Cestos de esparto Alguns foram feitos há cerca de 9.500 anos por grupos de caçadores-coletores.
2
Sandálias O conjunto possui dois tipos de calçado feitos com fibras de esparto trabalhadas.
3
Cordas e tranças Fragmentos mostram diferentes maneiras de torcer e trançar fibras vegetais.
4
Ferramentas de madeira Entre elas aparecem um maço de madeira e uma peça pontiaguda com marcas de uso.

Por que os cestos são muito mais antigos que algumas sandálias?

O novo estudo cronológico mostrou que os objetos não foram deixados na caverna de uma só vez. Há uma fase ligada a caçadores-coletores do Mesolítico e outra associada às primeiras comunidades agrícolas do Neolítico.

Essa separação muda bastante a leitura do conjunto:

  • Alguns cestos remontam a cerca de 9.500 anos.
  • Esses exemplares estão ligados a sociedades de caçadores-coletores.
  • As sandálias pertencem à fase neolítica posterior.
  • O calçado e outros objetos ficam numa faixa de cerca de 7.200 a 6.200 anos.

Antes das novas análises, boa parte do material orgânico era tratada como pertencente ao Neolítico. As datas mais antigas revelaram que técnicas sofisticadas de cestaria já existiam na região antes da agricultura se estabelecer ali.

Cestos e calçados ajudam a reconstruir aspectos cotidianos que pedras e ossos não conseguem mostrar

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O que as peças mostram sobre essas duas fases?

O esparto, uma planta resistente comum em áreas secas do Mediterrâneo, aparece repetidamente no conjunto. Os artesãos escolhiam folhas e tratavam as fibras de modos diferentes conforme o objeto. Nas sandálias, por exemplo, o esparto era esmagado para ficar mais flexível.

As diferenças ficam mais fáceis de comparar desta forma:

Objeto Idade ou fase Ligação
Cestos Esparto Cerca de 9.500 anos Mesolítico
Sandálias Esparto esmagado Entre cerca de 7.200 e 6.200 anos Neolítico
Maço de madeira Ferramenta Fase neolítica Agricultores
Cordas Fibras torcidas ou trançadas Conjunto neolítico Fragmentadas

O que esses objetos mudam na visão sobre a vida pré-histórica?

A cestaria mais antiga do sul da Europa mostra que caçadores-coletores já dominavam escolhas de matéria-prima e técnicas trabalhosas muito antes das comunidades agrícolas que vieram depois.

As sandálias ampliam esse retrato. Fibras eram preparadas para ficar mais confortáveis e algumas peças apresentam marcas de uso. O ambiente seco da caverna preservou justamente uma parte da vida pré-histórica que quase sempre desaparece, os objetos leves usados no corpo e nas tarefas diárias.

💡 Curiosidade O estudo identificou 22 peças ou fragmentos de sandálias, divididos em dois tipos diferentes de construção.
Tags: arqueologiacestaria antigafibras vegetaissandálias pré-históricas

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