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Morador contrata uma empresa para podar uma árvore, galho destrói o telhado do vizinho e o prestador desaparece depois de receber pelo serviço

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
28/08/2026
Em Relatos
O desaparecimento do prestador não elimina automaticamente o direito do vizinho de buscar reparação

O desaparecimento do prestador não elimina automaticamente o direito do vizinho de buscar reparação

Rogério, personagem fictício, contrata uma empresa para fazer a poda de árvore no quintal. Durante o trabalho, um galho cai sobre a casa ao lado e quebra parte do telhado. O prestador recebe pelo serviço e depois desaparece, enquanto o vizinho cobra o prejuízo diretamente de Rogério.

O que aconteceu durante a poda da árvore?

Rogério, o vizinho, a empresa, a árvore e todo o episódio deste exemplo são fictícios. A contratação é feita por mensagem, com preço fechado para cortar e retirar galhos grandes que avançavam sobre parte do terreno.

Durante a execução, um dos galhos cai numa direção diferente da prevista e atinge telhas e calhas da casa vizinha. Depois do acidente, o prestador encerra o serviço, recebe o pagamento e deixa de responder às mensagens.

Quem contratou o serviço e quem executou a poda podem entrar na discussão sobre responsabilidade

Quem causa o dano durante o serviço pode ser obrigado a reparar?

O Código Civil estabelece nos artigos 186 e 927 que quem pratica ato ilícito e causa dano a outra pessoa pode ficar obrigado a repará-lo.

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Se uma empresa profissional executa a poda de forma defeituosa, também pode existir relação de consumo. O artigo 14 do CDC trata da responsabilidade do fornecedor por danos causados por defeitos na prestação do serviço.

Quatro fatos ajudariam a identificar quem controlava a execução:

1
Empresa escolheu a técnicaSe o prestador decidiu como cortar, amarrar e descer os galhos, isso ajuda a identificar quem dirigia tecnicamente o serviço.
2
Morador interferiu na execuçãoOrdens específicas para fazer um corte inseguro podem alterar a análise da conduta de quem contratou.
3
Equipamento de contençãoCordas, isolamento da área e métodos de descida ajudam a avaliar se foram tomados cuidados compatíveis com o risco.
4
Prestador identificadoNota, recibo, CNPJ, conversas e comprovante de pagamento são fundamentais se a empresa desaparecer.

O vizinho pode cobrar Rogério apenas porque a árvore estava no terreno dele?

Não é prudente presumir a responsabilidade apenas pela localização da árvore. O dano ocorreu durante um serviço contratado e é necessário apurar quem praticou a conduta que levou à queda e se Rogério também contribuiu para o acidente.

Uma antiga decisão do Superior Tribunal de Justiça, em contexto de empreitada, já diferenciava a atuação técnica independente do prestador da posição do dono da obra. O resultado de uma poda doméstica dependeria dos fatos próprios do caso.

  • Contrato ou conversa com o prestador.
  • Comprovante de pagamento.
  • Fotos e vídeos do momento do serviço.
  • Orçamento para consertar o telhado.
  • Testemunhas que viram como o galho foi cortado.
  • Dados que permitam localizar a empresa contratada.

Essas provas também ajudam Rogério a demonstrar ao vizinho que havia uma empresa profissional executando diretamente o corte.

Fotos, vídeos e testemunhas ajudam a reconstruir como o galho atingiu o imóvel ao lado

O desaparecimento do prestador transfere automaticamente a dívida?

Não. Ser difícil localizar quem realizou o serviço não cria sozinho responsabilidade para outra pessoa. Primeiro é preciso saber quem juridicamente causou o dano e se existe algum fundamento para responsabilização conjunta.

A situação pode ser organizada assim:

FatoO que pode indicarAnálise
Prestador fez o corteExecução direta da atividade que causou o danoMuito relevante
Empresa profissionalPossível aplicação das regras de serviço do CDCVerificar
Ordem insegura do moradorPossível participação de quem contratouPode mudar
Prestador desapareceuDificuldade de cobrança, não transferência automáticaNão decide sozinho

Leia também: Pai leva o filho de 9 anos na garupa da moto só até a escola, é parado no caminho e descobre que uma viagem de poucos minutos pode suspender seu direito de dirigir

O que faria diferença no caso de Rogério?

Se a empresa chegou com equipe própria, escolheu a técnica e derrubou o galho por erro de execução, existe um caminho forte para atribuir o prejuízo diretamente a quem realizou o serviço. Rogério precisaria preservar todos os dados que permitam identificar o prestador.

Se ele determinou uma forma arriscada de corte ou participou diretamente da conduta que causou a queda, a análise pode mudar. O valor do dano também precisa ser provado por fotos, orçamento e documentos do reparo do telhado.

💡 CuriosidadeO artigo 944 do Código Civil estabelece que a indenização é medida pela extensão do dano, razão pela qual fotografias, notas e orçamentos do telhado têm importância prática na cobrança.
Tags: indenizaçãopoda de árvoreprestadorvizinho

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