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Professora foi dispensada em fevereiro, só conseguiu outro emprego no ano seguinte e receberá R$ 12 mil por perder uma oportunidade de trabalho

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
25/08/2026
Em Relatos
O momento do desligamento reduziu as chances de contratação em outra escola naquele mesmo ano

O momento do desligamento reduziu as chances de contratação em outra escola naquele mesmo ano

Uma professora foi dispensada em fevereiro, quando o ano letivo já havia começado e muitas escolas tinham fechado seus quadros. Ela só conseguiu outra colocação no ano seguinte. Para o TST, houve perda de uma chance: a data da demissão reduziu de forma concreta sua oportunidade de disputar novas vagas.

Por que ser dispensada em fevereiro fez diferença nesse processo?

A professora trabalhava desde 2011 no Colégio Sesi de Curitiba e lecionava português no ensino médio. Ela foi dispensada em fevereiro de 2016, quando instituições de ensino já estavam com horários, turmas e grande parte de seus professores definidos.

As instâncias anteriores entenderam que a dispensa sem justa causa fazia parte do direito do empregador de encerrar o contrato. No TST, porém, o momento escolhido ganhou outro peso. A profissional apresentou registros indicando que só conseguiu nova colocação em março do ano seguinte, numa escola de línguas.

A data da dispensa teve impacto direto sobre as oportunidades profissionais disponíveis

O que significa perder uma chance sem ter garantia de que seria contratada?

A ideia não exige provar que outro emprego estava garantido. O ponto é demonstrar que existia uma oportunidade real e séria de buscar determinado resultado e que uma conduta retirou ou reduziu essa possibilidade.

No caso analisado pelo Tribunal Superior do Trabalho, quatro elementos chamaram atenção:

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1
Demissão no começo das aulasA dispensa ocorreu em fevereiro, depois da principal organização de turmas e equipes para aquele ano letivo.
2
Mercado com contratação sazonalA atividade de professora depende de um calendário no qual muitas vagas são preenchidas antes ou no início das aulas.
3
Recolocação só no ano seguinteA carteira de trabalho mostrou que a nova contratação ocorreu apenas em março do ano seguinte.
4
Oportunidade real reduzidaO tribunal considerou que o momento da dispensa dificultou de maneira concreta a busca por outra vaga na área.

Leia também: Comprei uma geladeira usada numa loja com aviso de ‘sem garantia’, mas ela parou de gelar apenas 40 dias depois

O empregador deixa de poder demitir um professor depois do início das aulas?

A decisão não criou uma proibição geral de dispensar professores em fevereiro. O próprio processo passou pelas instâncias inferiores com entendimento favorável ao direito de rescindir o contrato sem justa causa.

O TST examinou as circunstâncias particulares e a teoria da perda de uma chance.

  • É preciso existir uma oportunidade séria, e não mera possibilidade abstrata.
  • O momento da conduta precisa ter relação com a chance perdida.
  • A atividade pode possuir períodos específicos de contratação.
  • Provas da dificuldade de recolocação fortalecem a análise.
  • O resultado de outro emprego não precisa estar garantido.

O relator, ministro Cláudio Brandão, também relacionou o caso aos deveres de lealdade, respeito e consideração decorrentes da boa-fé. A discussão foi além da simples existência formal do direito de demitir.

O prejuízo analisado não ficou limitado apenas ao fim do contrato de trabalho

Como o processo saiu de uma negativa e chegou à indenização de R$ 12 mil?

A professora perdeu nas duas primeiras etapas. A mudança ocorreu quando o recurso chegou à Sétima Turma do TST, que aplicou o entendimento da perda de uma chance às particularidades da contratação escolar.

O caminho foi este:

EtapaEntendimentoResultado
Primeiro grau2ª Vara de CuritibaDispensa considerada exercício regular do empregadorPedido negado
TRT da 9ª RegiãoParanáManteve a conclusão anteriorSem indenização
Sétima TurmaTSTReconheceu perda de uma chanceR$ 12 mil
JulgamentoColegiadoDecisão final da Turma foi unânimeCondenação

Por que esse caso não garante indenização a todo professor dispensado em fevereiro?

A perda de uma chance depende de contexto e prova. O valor de R$ 12 mil também pertence ao caso julgado e não funciona como tabela automática para outras demissões no setor de ensino.

O Código Civil fornece regras gerais de boa-fé e responsabilidade civil, mas sua aplicação depende dos fatos demonstrados. Nesse processo, o calendário escolar, a expectativa criada e a dificuldade comprovada de recolocação foram examinados em conjunto.

💡 Curiosidade As cópias da carteira de trabalho mostraram que a professora só conseguiu uma nova colocação em março do ano seguinte, quando passou a trabalhar numa escola de línguas.
Tags: demissãoindenizaçãoprofessoraTST

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