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Operador de fábrica diz que precisava prender a urina porque as máquinas não podiam parar, mas testemunhas revelam como funcionava o revezamento

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
28/08/2026
Em Relatos
Os depoimentos ajudaram a esclarecer se realmente existia uma proibição de deixar o posto

Os depoimentos ajudaram a esclarecer se realmente existia uma proibição de deixar o posto

Na linha de produção de uma fábrica de chocolates, um operador disse que precisava prender a urina porque as máquinas não podiam parar. O processo, porém, registrou um sistema de revezamento com auxiliares para substituir quem saía, e o TST não reconheceu ofensa à dignidade naquele caso.

O que o trabalhador dizia acontecer durante o expediente?

O operador de produção afirmou que só conseguia fazer o uso do banheiro durante os intervalos para refeição. Segundo a versão apresentada por ele, fora desses momentos seria necessário esperar uma substituição e, enquanto isso, segurar a vontade.

A empresa contestou essa narrativa. Alegou que ninguém era proibido de sair, mas cada posto da linha precisava permanecer ocupado porque as máquinas continuavam em funcionamento.

O funcionamento do revezamento teve papel importante para entender a rotina dentro da fábrica

O que as testemunhas disseram sobre a saída da linha?

O ponto decisivo foi a diferença entre impedir alguém de ir ao banheiro e organizar uma substituição antes da saída. No processo, testemunhas confirmaram a existência de auxiliares disponíveis para assumir temporariamente o lugar de quem precisava se afastar.

A Quarta Turma do TST considerou que os fatos reconhecidos pelas instâncias anteriores não mostravam uma proibição de saída para necessidades fisiológicas.

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As diferenças centrais ficaram assim:

1
Máquina continuava operando O posto não podia ficar vazio enquanto a linha permanecia em funcionamento.
2
Auxiliar fazia a troca Havia trabalhadores destinados a substituir quem precisava deixar temporariamente a posição.
3
Saída não estava proibida As provas acolhidas no processo não mostraram impedimento absoluto de ida ao banheiro.
4
Pedido de dano moral foi rejeitado As instâncias anteriores não viram situação ilícita suficiente para gerar indenização.

Uma empresa pode impedir o trabalhador de atender necessidades fisiológicas?

A regra geral não autoriza esse tipo de impedimento. A NR 17 determina que seja assegurada a saída do posto para satisfação das necessidades fisiológicas, independentemente das pausas de descanso.

Por isso, o julgamento não pode ser lido como autorização para obrigar uma pessoa a esperar indefinidamente.

  • Proibir a ida ao banheiro é diferente de organizar uma troca rápida no posto.
  • A saída precisa ser possível quando surgir a necessidade fisiológica.
  • A empresa pode organizar a produção sem transformar isso em impedimento.
  • O que realmente ocorreu precisa ser provado no processo.

Na fábrica de chocolates, as provas aceitas pelo Judiciário apontaram para revezamento. Essa constatação foi decisiva para afastar a versão de uma restrição absoluta.

A necessidade de manter as máquinas funcionando não comprovou sozinha uma restrição ao uso do banheiro

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Por que o recurso não mudou o resultado das instâncias anteriores?

O pedido já havia sido rejeitado no primeiro grau e no Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região. Ao chegar ao TST, o relator, ministro Alexandre Ramos, não identificou transcendência suficiente para permitir o avanço do recurso.

O quadro do processo ficou assim:

Ponto O que ficou reconhecido Efeito
Versão do empregado Alegação de restrição e necessidade de segurar a urina Contestada
Testemunhas Existência de substituição por auxiliares Confirmado
Instâncias anteriores Sem ato ilícito suficiente para indenizar Pedido negado
Quarta Turma Recurso não avançou no TST Resultado mantido

O que separa revezamento de restrição abusiva?

O ponto prático é saber se o trabalhador consegue sair quando precisa ou se existe uma barreira real, como negativa, demora excessiva, punição ou cobrança para que espere até um intervalo fixo.

Nesse processo, as testemunhas sustentaram a existência de substitutos e não ficou comprovada proibição de saída. Foi essa realidade concreta, e não uma permissão geral para controlar necessidades fisiológicas, que levou à manutenção do resultado contrário à indenização.

💡 Curiosidade A NR 17 determina expressamente que a saída para necessidades fisiológicas deve ser assegurada independentemente das pausas de descanso.
Tags: banheirolinha de produçãotrabalhadorTST

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