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Uma rede de cidades de 2.500 anos escondia mais de 6 mil plataformas de terra, estradas de até 13 metros de largura e campos com sistema de drenagem

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
26/08/2026
Em Entretenimento
As estruturas revelam uma organização urbana muito maior do que era possível perceber na superfície

As estruturas revelam uma organização urbana muito maior do que era possível perceber na superfície

Debaixo da vegetação do vale do Upano, mais de 6 mil plataformas de terra formavam bairros, praças e áreas cerimoniais ligados por uma enorme rede de estradas. A ocupação começou por volta de 500 a.C. e transformou uma parte da Amazônia equatoriana numa paisagem planejada em escala regional.

Como milhares de construções conseguiram permanecer quase invisíveis na floresta?

As estruturas foram feitas principalmente de terra, e não de grandes blocos de pedra. Depois que a vegetação cobriu a região, enxergar no solo a organização de um vale inteiro se tornou extremamente difícil.

Isso mudou com um levantamento lidar realizado em 2015 e analisado posteriormente pelos pesquisadores. O Centro Nacional de Pesquisa Científica da França explica que o laser atravessa pequenas aberturas na cobertura vegetal e permite reconstruir digitalmente a superfície. Assim, linhas retas, plataformas e estradas aparecem mesmo debaixo da floresta.

Estradas largas conectavam diferentes áreas ocupadas dentro de uma mesma rede de assentamentos

O que surgiu quando 300 km² do vale foram analisados em detalhes?

Os mapas revelaram mais de 6.000 plataformas, em sua maioria retangulares. Muitas mediam aproximadamente 20 por 10 metros e possuíam entre 2 e 3 metros de altura.

O padrão repetia uma organização que ia muito além de casas isoladas:

1
Plataformas em torno de praçasOs montes apareciam normalmente em grupos de três a seis unidades organizadas ao redor de espaços abertos.
2
Ruas retas dentro dos assentamentosEixos organizavam áreas residenciais como artérias que atravessavam os conjuntos de plataformas.
3
Estradas de até 13 metrosGrandes vias cruzavam o vale em linhas extremamente retas, vencendo ravinas e diferenças de relevo.
4
Plataformas monumentaisAlgumas estruturas muito maiores que as residenciais podem ter servido a cerimônias coletivas e outras atividades públicas.

Como essas cidades produziam alimento numa região tão úmida?

A rede urbana estava misturada com áreas agrícolas. O lidar revelou um sistema de canais e valas que retirava excesso de água do solo e permitia cultivar espaços entre os conjuntos de plataformas.

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Escavações encontraram restos de várias plantas consumidas pelos moradores.

  • Milho aparecia em grande quantidade.
  • Mandioca fazia parte da alimentação.
  • Batata-doce também foi identificada.
  • Feijão estava entre os cultivos registrados.
  • Terraços agrícolas ocupavam partes das encostas.

O milho também era moído e usado na produção de chicha, uma bebida fermentada. Grandes recipientes encontrados nas escavações indicam que ela era produzida e consumida em quantidade considerável.

Leia também: Uma seca fez uma cidade de 3.400 anos reaparecer sob um reservatório e revelou muralhas de barro com vários metros e mais de 100 tábuas cuneiformes

Os campos possuíam sistemas planejados para controlar a água e facilitar o cultivo

O que torna essa ocupação diferente de uma coleção de pequenas aldeias?

O elemento decisivo é a integração. As construções estavam ligadas por estradas, ruas e uma paisagem agrícola planejada, formando uma rede que exigiu trabalho coordenado em grande escala.

A distribuição das estruturas ajuda a mostrar essa organização:

ElementoEscala observadaO que revela
PlataformasResidenciais e públicasMais de 6.000 em 300 km² analisadosOcupação densa
Estradas principaisLinhas retasAté 13 metros de larguraPlanejamento regional
CamposÁreas produtivasCanais, valas e terraçosPaisagem agrícola
Plataformas maioresEstruturas monumentaisAlgumas alcançavam grande alturaPossível uso cerimonial

Por que essa descoberta mudou a visão sobre a Amazônia antiga?

Durante décadas, uma parte da arqueologia tratou a floresta tropical como ambiente incapaz de sustentar sociedades urbanizadas de grande escala. O vale do Upano oferece uma paisagem arqueológica difícil de encaixar nessa antiga visão.

A ocupação começou por volta de 500 a.C. e continuou por muitos séculos, até aproximadamente 300 a 600 d.C. Estradas, agricultura drenada e milhares de bases construídas mostram que os habitantes não viviam apenas dentro da floresta: eles remodelaram amplamente o terreno onde moravam.

💡 Curiosidade O arqueólogo Stéphen Rostain já trabalhava no vale havia décadas e conhecia centenas de montes, mas o lidar revelou que eles faziam parte de uma rede com milhares de estruturas distribuídas pela paisagem.
Tags: amazôniaarqueologiaLiDARUpano

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