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O selim mais antigo diretamente datado tem até 2.750 anos, foi usado e consertado várias vezes e acabou enterrado junto de uma mulher

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
26/08/2026
Em Entretenimento
As marcas de desgaste mostram que a peça foi usada durante bastante tempo antes do sepultamento

As marcas de desgaste mostram que a peça foi usada durante bastante tempo antes do sepultamento

Um selim de Yanghai feito de couro, pelos de animais e palha chegou ao presente com sinais que revelam uma vida inteira de uso. Datado entre 727 e 396 a.C., ele estava numa sepultura feminina no noroeste da China. Desgaste e reparos mostram que não foi produzido apenas para acompanhar o enterro.

Como os pesquisadores conseguiram datar diretamente o selim?

A peça veio da sepultura IIM205 do cemitério de Yanghai, na bacia de Turfan. Em vez de estimar sua idade apenas pelos outros objetos encontrados na tumba, os pesquisadores conseguiram retirar material do enchimento para fazer datação por radiocarbono.

O resultado indicou um intervalo de 727 a 396 a.C., com 95,4% de probabilidade. O registro da Universidade de Zurique apresenta a peça como o selim arqueológico diretamente datado mais antigo conhecido no estudo.

Reparos feitos no selim revelam que o objeto tinha valor suficiente para continuar sendo aproveitado

Como era construído um selim usado há mais de dois milênios?

A peça é um selim macio, sem a armação rígida que se tornou comum em períodos posteriores. Mesmo assim, sua construção já reúne elementos reconhecíveis em equipamentos modernos de montaria.

O desenho revela uma solução cuidadosamente adaptada ao corpo do cavalo e do cavaleiro:

1
Duas almofadas de couroPeças em formato semelhante a asas foram costuradas e formavam as áreas acolchoadas de apoio.
2
Canal no centroUm espaço entre os dois lados evitava que todo o peso pressionasse diretamente a região central das costas do cavalo.
3
Enchimento macioO interior levava pelos de cervos e camelos, além de palha, criando amortecimento para cavalo e cavaleiro.
4
Costuras resistentesTécnicas diferentes uniam as partes, incluindo o chamado ponto de seleiro em regiões submetidas a maior tensão.

Quais marcas provam que a peça foi realmente usada?

O couro da área central está mais desgastado do que o material nas laterais, exatamente onde o corpo do cavaleiro exerceria pressão repetida. Os pesquisadores também identificaram remendos e costuras de reparo.

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Alguns consertos eram mais simples do que a costura original, sugerindo manutenção posterior durante a vida útil do objeto.

  • O centro do assento apresenta desgaste maior.
  • Um remendo foi colocado na parte inferior.
  • Pequenas rupturas receberam novas costuras.
  • Alguns reparos parecem menos refinados que a fabricação inicial.
  • O conjunto indica manutenção de um objeto cotidiano.

Esses detalhes foram importantes porque diferenciam um equipamento efetivamente utilizado de uma peça feita especialmente para acompanhar alguém na sepultura.

O achado ajuda a entender como a vida a cavalo fazia parte da rotina de comunidades antigas

Leia também: Uma seca fez uma cidade de 3.400 anos reaparecer sob um reservatório e revelou muralhas de barro com vários metros e mais de 100 tábuas cuneiformes

O que a mulher enterrada com o selim pode revelar sobre quem montava a cavalo?

O selim foi encontrado junto ao corpo de uma mulher adulta e estava colocado de uma maneira que reforçou a interpretação de que ela própria havia usado aquele equipamento. Os autores não tratam o objeto como peça de elite.

O estudo publicado na Archaeological Research in Asia destaca materiais relativamente baratos e ausência de decoração elaborada.

DetalheEvidênciaO que sugere
DataRadiocarbono727 a 396 a.C.Muito antigo
DesgasteÁrea centralCouro mais gasto onde o cavaleiro sentavaUso prolongado
ReparosRemendos e costurasConsertos de qualidades diferentesManutenção cotidiana
SepultamentoMulher adultaSelim colocado junto ao corpoLigação com a cavaleira

Por que um selim tão simples importa para a história da montaria?

A invenção do selim tornou viagens a cavalo mais estáveis e confortáveis, além de facilitar deslocamento, pastoreio e combate. O exemplar de Yanghai mostra que uma solução técnica bem desenvolvida já estava em uso no primeiro milênio antes de Cristo.

Ele também mostra que essa tecnologia não estava restrita necessariamente a guerreiros ricos. Uma peça feita com materiais comuns, usada até precisar de reparos e enterrada com uma mulher amplia a imagem de quem participava da cultura equestre daquela região.

💡 Curiosidade Entre 531 sepulturas estudadas em Yanghai, apenas duas continham selins desse período, o que mostra que colocar esse equipamento dentro de uma tumba estava longe de ser uma prática comum.
Tags: arqueologiacavalostecnologia antigaYanghai

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