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Operadora perdia a folga de sábado e era ameaçada de demissão sempre que apresentava atestado médico, agora receberá R$ 15 mil

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
25/08/2026
Em Relatos
A apresentação de atestado não pode servir como motivo para humilhação ou ameaça

A apresentação de atestado não pode servir como motivo para humilhação ou ameaça

Apresentar um atestado médico tinha consequências no trabalho de uma operadora de telemarketing: perda da folga de sábado, piora nos indicadores e ameaça de dispensa. O TST considerou a punição por atestado abusiva e aumentou a indenização por danos morais de R$ 5 mil para R$ 15 mil.

Como a apresentação de um atestado acabava afetando a rotina da operadora?

A trabalhadora foi contratada em agosto de 2019 e prestava serviços para o INSS. Na ação, relatou que, quando adoecia e entregava atestado, perdia a folga aos sábados e ainda via cair indicadores de desempenho individuais e da equipe.

Ela também afirmou que existiam ameaças de demissão caso continuasse apresentando atestados. O Tribunal Superior do Trabalho registrou que uma testemunha confirmou a pressão e descreveu práticas semelhantes contra outros empregados.

A perda de folga foi apontada como parte da pressão sofrida pela trabalhadora

Que formas de pressão foram consideradas no processo?

A empresa dizia que as folgas aos sábados eram prêmios ligados a campanhas motivacionais. Para a Justiça do Trabalho, porém, esse mecanismo passou a funcionar como pressão para que empregados evitassem afastamentos médicos.

O processo reuniu diferentes consequências associadas aos atestados:

1
Perda da folga de sábadoA folga usada como incentivo desaparecia quando o empregado apresentava atestado médico.
2
Queda nos indicadoresAs ausências médicas afetavam os índices de desempenho individual e da própria equipe.
3
AdvertênciasTestemunha relatou que o supervisor aplicava advertência a empregados que entregavam atestados.
4
Ameaças de demissãoO processo registrou pressão para que trabalhadores evitassem novos afastamentos mesmo quando estavam doentes.

Leia também: Comprei uma geladeira usada numa loja com aviso de ‘sem garantia’, mas ela parou de gelar apenas 40 dias depois

Como a Justiça conseguiu confirmar uma prática que a empresa negava?

O depoimento de uma testemunha teve peso importante. Ela confirmou que havia advertências ligadas aos atestados e contou ter presenciado ameaça feita por supervisor a um colega que voltasse a apresentar documento médico.

O relato também descreveu uma lista de pessoas consideradas passíveis de demissão por apresentarem atestados e faltarem.

  • A testemunha confirmou as advertências.
  • Relatou ameaça direta feita pelo supervisor.
  • Disse que existia rotatividade elevada de funcionários.
  • Mencionou lista de pessoas que poderiam ser dispensadas.
  • Contou que já trabalhou doente para não perder folga nem prejudicar a equipe.

Esse último ponto mostrou ao TST uma consequência que ia além das metas. O sistema podia incentivar trabalhadores adoecidos a comparecer ao serviço para evitar punições e pressão sobre colegas.

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Por que a indenização subiu de R$ 5 mil para R$ 15 mil?

As instâncias anteriores já haviam reconhecido a conduta abusiva e fixado R$ 5 mil. No recurso, a trabalhadora sustentou que esse valor era baixo diante da gravidade das práticas comprovadas.

A Segunda Turma concordou e elevou a reparação:

EtapaO que foi decididoValor
Instâncias anterioresDano reconhecidoConduta empresarial considerada abusivaR$ 5 mil
Recurso da trabalhadoraValor questionadoReparação considerada insuficienteRevisão
Segunda TurmaTSTIndenização aumentadaR$ 15 mil
JulgamentoColegiadoDecisão dos ministros foi unânimeMantido

Por que a pressão sobre os atestados foi tratada como questão de saúde?

A relatora, ministra Delaíde Miranda Arantes, considerou que o suposto incentivo da folga acabava funcionando como coação para que empregados evitassem licença médica. Na avaliação do TST, a busca por produtividade não justificava colocar a saúde do trabalhador em risco.

A decisão não transforma qualquer regra de metas em dano moral. O caso envolveu um conjunto de fatos comprovados: perda de benefício, advertências, ameaça de demissão e pressão capaz de levar empregados a trabalhar doentes.

💡 Curiosidade A testemunha contou que ela própria já havia trabalhado doente para não perder a folga de sábado nem derrubar os indicadores de desempenho da equipe.
Tags: atestado médicocall centerDano moralTST

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