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Professora é demitida em fevereiro, quando as escolas já haviam montado suas equipes, e só consegue novo emprego no ano seguinte: receberá R$ 12 mil

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
20/08/2026
Em Relatos
A época da dispensa dificultou a busca por outra vaga durante o mesmo ano

A época da dispensa dificultou a busca por outra vaga durante o mesmo ano

Uma professora dispensada em fevereiro, no começo do ano letivo, só conseguiu nova colocação em março do ano seguinte. Para a Sétima Turma do TST, o momento escolhido para a demissão reduziu de forma relevante suas chances no mercado de ensino e caracterizou a chamada perda de uma chance.

Por que ser demitida em fevereiro fez tanta diferença?

A professora trabalhava no Colégio Sesi de Curitiba desde 2011 e dava aulas de português no ensino médio. Ela foi dispensada em fevereiro de 2016, quando o ano letivo já estava começando.

Na ação, sustentou que escolas normalmente já haviam definido grades horárias e equipes docentes naquele período. Sua carteira de trabalho mostrou que uma nova contratação só ocorreu em março do ano seguinte, em uma escola de línguas.

O calendário escolar teve papel importante na análise do prejuízo sofrido

O que significa indenização pela perda de uma chance?

A discussão não tratava de garantir que a professora conseguiria uma vaga específica. O ponto era a perda de uma oportunidade real de disputar empregos no período em que as instituições normalmente organizam seus quadros para o novo ano letivo.

O TST entendeu que a dificuldade criada pelo momento da dispensa justificava a reparação e fixou a indenização em R$ 12 mil.

Alguns fatos deram força ao pedido:
1
Demissão em fevereiro A ruptura ocorreu quando o período normal de montagem das equipes escolares já estava avançado.
2
Mercado com vagas reduzidas A professora alegou que as instituições já tinham grades horárias e corpos docentes definidos.
3
Carteira de trabalho O documento mostrou que uma nova colocação só apareceu em março do ano seguinte.
4
Boa-fé O TST destacou deveres de lealdade, respeito e consideração na relação entre empregador e empregado.

Leia também: Dois vizinhos transformaram uma janela em porta para o pátio comum sem permissão e colocaram máquina de lavar e vasos de plantas: Justiça mandou fechar o acesso

Isso significa que uma escola não pode demitir professor no início do ano?

Não. As instâncias anteriores haviam ressaltado que a dispensa sem justa causa faz parte das possibilidades do empregador. O TST não eliminou esse direito de forma geral.

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A indenização apareceu pela maneira como o exercício desse direito atingiu uma oportunidade profissional concreta. No caso específico, o início do ano letivo reduzia as possibilidades de recolocação e a trabalhadora permaneceu sem nova vaga escolar por período prolongado.

Para reconhecer uma perda de chance, é preciso diferenciar:
  • Uma possibilidade apenas imaginária de conseguir emprego.
  • Uma oportunidade real que poderia ser buscada em condições normais.
  • O momento em que a conduta impediu ou reduziu essa possibilidade.
  • As provas de que a perda teve consequência concreta para o trabalhador.

A carteira de trabalho foi relevante justamente porque mostrou que a dificuldade alegada não ficou apenas no campo da hipótese: a nova colocação ocorreu mais de um ano depois da dispensa.

A demissão ocorreu justamente quando muitas instituições já tinham formado suas equipes

Por que as primeiras decisões haviam negado a indenização?

A Vara do Trabalho e o TRT entenderam inicialmente que a empresa apenas exerceu o direito de encerrar o contrato e que não havia prova suficiente de dano moral.

A Sétima Turma adotou leitura diferente e considerou que a boa-fé objetiva também impõe deveres na forma como o vínculo é encerrado. A decisão de condenar o Sesi ao pagamento de R$ 12 mil foi unânime.

O processo mudou de direção no TST:
Instância Entendimento Resultado
Vara do Trabalho Primeira instância Dispensa regular Pedido negado
TRT Paraná Manteve a sentença Sem indenização
TST Sétima Turma Perda de uma chance R$ 12 mil

O que tornou fevereiro tão importante nesse processo?

O calendário escolar criou a peculiaridade do caso. Uma professora dispensada antes da montagem das equipes teria um cenário de procura diferente de alguém que perde o emprego quando as aulas e grades já foram organizadas.

Foi essa redução concreta das oportunidades que levou o TST a reconhecer a perda de uma chance. A indenização não decorreu apenas da existência da demissão, mas do impacto específico que o momento escolhido produziu sobre a possibilidade de recolocação profissional.

💡 Curiosidade A professora havia trabalhado no Sesi desde 2011 e só conseguiu nova colocação em março do ano seguinte à dispensa de fevereiro de 2016.
Tags: demissãoperda de chanceprofessoraTST

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