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Pegadas humanas ficaram preservadas por até 23 mil anos e mudaram a discussão sobre quando pessoas chegaram à América do Norte

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
18/08/2026
Em Entretenimento
Marcas deixadas no solo ganharam enorme importância para entender a ocupação do continente

Marcas deixadas no solo ganharam enorme importância para entender a ocupação do continente

No atual Novo México, pegadas humanas ficaram registradas em antigos sedimentos de White Sands durante a Era do Gelo. A primeira grande datação colocou as marcas entre cerca de 21 mil e 23 mil anos. Novos métodos independentes reforçaram que pessoas já estavam ali muito antes do que se aceitava por décadas.

Por que a idade dessas pegadas causou tanta discussão?

Durante muito tempo, grande parte da discussão arqueológica colocou a presença humana amplamente aceita na América do Norte milhares de anos depois. Uma data próxima de 23 mil anos colocava pessoas no continente durante o Último Máximo Glacial, quando grandes mantos de gelo cobriam áreas do hemisfério norte.

O National Park Service afirma atualmente que as pesquisas mostram presença humana na região de White Sands há pelo menos 23 mil anos. O ponto importante é presença: as pegadas não revelam o dia ou o caminho exato da chegada ao continente.

O achado colocou uma antiga linha do tempo sob nova análise entre pesquisadores

Como as pegadas humanas foram datadas pela primeira vez?

O estudo divulgado em 2021 usou sementes da planta aquática Ruppia encontradas em camadas ligadas aos níveis onde estavam as marcas. A datação por carbono 14 colocou as pegadas no intervalo aproximado de 23 mil a 21 mil anos atrás.

Depois surgiram dúvidas sobre o método:

1
Primeira datação Sementes aquáticas próximas às pegadas deram idades entre cerca de 21 mil e 23 mil anos.
2
Dúvida levantada Plantas aquáticas podem incorporar carbono antigo dissolvido na água e produzir uma idade aparentemente maior.
3
Novo teste Pesquisadores buscaram materiais independentes que não dependiam das mesmas sementes.
4
Resultado repetido Pólen terrestre, sedimentos e análises posteriores ficaram compatíveis com uma idade superior a 20 mil anos.

O que os métodos independentes confirmaram?

Em 2023, um estudo publicado na Science usou pólen de plantas terrestres e luminescência de sedimentos. O USGS informou que os métodos independentes chegaram ao mesmo intervalo geral indicado pelas sementes.

O caminho das confirmações ficou assim:

  • Carbono 14 em sementes aquáticas no estudo inicial.
  • Carbono 14 em pólen terrestre.
  • Datação por luminescência dos sedimentos.
  • Nova datação de materiais dos antigos ambientes úmidos.

Em 2025, outra equipe usou antigos sedimentos de áreas úmidas. A University of Arizona divulgou idades entre aproximadamente 20.700 e 22.400 anos, compatíveis com a faixa original.

Leia também: Sem cimento, uma civilização africana ergueu enormes muralhas de pedra e criou uma cidade que chegou a superar 10 mil habitantes

O que essas datas mudam na história do povoamento?

As pegadas colocam pessoas no interior da América do Norte durante um período muito antigo da última glaciação. Isso obriga pesquisadores a considerar movimentos humanos anteriores às datas que dominaram muitos modelos arqueológicos do século XX.

As principais etapas da discussão podem ser vistas assim:

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Evidência Faixa ou resultado Peso na discussão
Sementes Estudo inicial 21 mil a 23 mil anos Foi questionada
Pólen e luminescência Estudo de 2023 Compatível com a idade antiga Confirmação independente
Sedimentos úmidos Estudo de 2025 20.700 a 22.400 anos Nova linha de evidência

O que podemos afirmar hoje sobre White Sands?

As várias linhas de datação tornaram mais forte a conclusão de que seres humanos caminharam pela região há mais de 20 mil anos. Isso não resolve sozinho de onde essas pessoas vieram, quanto tempo suas populações já estavam no continente ou qual caminho seus antepassados seguiram.

As pegadas humanas respondem a uma pergunta mais direta: pessoas estavam em White Sands durante a Era do Gelo. Ao confirmar esse ponto com materiais diferentes, a discussão sobre o povoamento da América do Norte precisa partir de uma presença humana muito mais antiga do que os modelos tradicionais permitiam.

💡 Curiosidade Em 2025, pesquisadores informaram que três tipos diferentes de material e três laboratórios já haviam produzido dezenas de datas consistentes para a sequência de White Sands.
Tags: América do Nortearqueologiapegadas humanasWhite Sands

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