O navio de Gjellestad abriu uma nova fase da arqueologia norueguesa. Sua escavação foi a primeira de um navio viking no país desde o famoso navio de Oseberg, escavado em 1904. O novo achado apareceu primeiro no georadar e pôde ser estudado com técnicas digitais que não existiam um século antes.
Como os arqueólogos encontraram um navio que não aparecia na superfície?
O navio apareceu em dados de georadar, equipamento que envia sinais ao solo para localizar diferenças escondidas abaixo da superfície. A pesquisa revelou o formato de uma embarcação enterrada perto do grande monte de Jell, no sudeste da Noruega.
A documentação do achado de Gjellestad descreve uma estrutura com formato de navio de cerca de 20 metros, encontrada aproximadamente 50 cm abaixo da superfície.

O que o georadar revelou antes de a escavação começar?
Ele mostrou que o navio fazia parte de uma paisagem funerária muito maior. A área também guardava vestígios de montes funerários e grandes construções da Idade do Ferro.
Os primeiros levantamentos revelaram vários elementos no mesmo terreno:
Por que o antigo túmulo quase desapareceu da paisagem?
Parte dos monumentos funerários foi nivelada ao longo do tempo. A agricultura e o arado apagaram da superfície estruturas que ainda deixaram marcas abaixo do solo.
A pesquisa identificou vestígios de pelo menos 8 montes funerários destruídos pelo arado naquela área. Mesmo sem as elevações originais, os fossos e outras marcas continuaram detectáveis.
Isso ajuda a explicar por que o navio ficou escondido por tanto tempo:
- Monte removido: a elevação que marcava o túmulo deixou de ser visível.
- Solo agrícola: o terreno continuou sendo usado e alterado ao longo do tempo.
- Navio profundo: partes inferiores ficaram preservadas abaixo da área mais afetada.
- Georadar: a técnica tornou possível enxergar o desenho sem abrir todo o terreno.
Quem quer acompanhar uma das descobertas vikings mais importantes dos últimos tempos vai curtir este vídeo especialmente selecionado do canal National Nordic Museum, com mais de 3,2 mil visualizações, no qual arqueólogos mostram o que foi encontrado durante a escavação do navio viking enterrado em Gjellestad, na Noruega:
O que mudou entre a escavação de Oseberg e a de Gjellestad?
A principal diferença foi a quantidade de informação disponível antes de remover o solo. Em Gjellestad, os arqueólogos já tinham mapas de georadar e puderam documentar o sítio com recursos digitais.
Uma análise da madeira preservada no navio confirmou que ela foi cortada entre o fim do século VII e o começo do século IX, colocando a embarcação no início da Era Viking.
Por que a escavação de Gjellestad foi tão importante?
Porque o navio passou a ser estudado como parte de um grande centro de poder e sepultamento, não como uma embarcação isolada. O contexto da escavação do navio de Oseberg ajuda a mostrar o intervalo entre as grandes escavações norueguesas.
Um século separou as escavações; abaixo da terra, o passado continuou esperando por ferramentas capazes de enxergá-lo.




