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Sob a cidade ligada à Guerra de Troia, arqueólogos encontraram milhares de anos de ocupação empilhados em diferentes camadas de muralhas, portões e construções

Guilherme Araújo Por Guilherme Araújo
14/08/2026
Em Entretenimento
As ruínas formam uma sequência de cidades erguidas e refeitas no mesmo ponto

As ruínas formam uma sequência de cidades erguidas e refeitas no mesmo ponto

O sítio de Troia, na atual Turquia, não guarda os restos de uma única cidade. Cerca de 4.000 anos de história deixaram construções sobre construções no mesmo ponto, com muralhas, portões e bairros de diferentes períodos formando uma sequência arqueológica excepcional.

Por que existem tantas cidades diferentes no mesmo lugar?

Porque grupos sucessivos reconstruíram e modificaram a área ao longo de milênios. O centro principal ficava no monte de Hisarlık, perto da entrada sul dos Dardanelos, uma posição estratégica entre a Anatólia e o mar Egeu.

O registro de Troia no Patrimônio Mundial da UNESCO aponta uma sequência de ocupação de mais de 3.000 anos e vestígios ligados a cerca de 4.000 anos de história. As estruturas não pertencem todas ao mesmo momento.

Cada muralha pertence a uma parte diferente de uma história muito mais longa

O que as escavações encontraram nas defesas de Troia?

As escavações revelaram diferentes trechos das fortificações da cidadela e da cidade baixa. A UNESCO reúne números que mostram o tamanho dessa sequência de obras.

Entre os elementos registrados estão:

23
Trechos de muralhas Partes das defesas da cidadela pertencem principalmente a fases como Troia II e Troia VI.
11
Portões As entradas preservadas ajudam a reconstruir como diferentes fortificações controlavam o acesso.
5
Bastiões defensivos Partes inferiores dessas estruturas também sobreviveram dentro do conjunto arqueológico.
30
Hectares na cidade baixa A área ao sul da cidadela teria alcançado cerca de 30 hectares na Idade do Bronze tardia.

Como os arqueólogos conseguem separar períodos tão diferentes?

Eles observam a posição das estruturas, os materiais e as mudanças na arquitetura. Estratigrafia, método que lê a ordem das camadas arqueológicas, permite relacionar aquilo que está acima ou abaixo a diferentes momentos de ocupação.

Alguns marcos deixam a sequência mais fácil de visualizar:

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  • Troia I: parte de uma das muralhas mais antigas ainda sobrevive perto das primeiras defesas.
  • Troia II: deixou estruturas importantes da cidadela e das fortificações.
  • Troia VI: representa uma grande cidade fortificada da Idade do Bronze.
  • Cidade baixa: existiu ao sul do monte durante períodos pré-históricos e cresceu muito na fase tardia da Idade do Bronze.
  • Ilion grega e romana: templos, santuários e edifícios públicos mostram que a ocupação continuou muito depois das cidades pré-históricas.

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As ruínas provam que a Guerra de Troia aconteceu como na Ilíada?

Não. A arqueologia confirma uma cidade importante no local e registra destruições, reconstruções e contatos com outras regiões. Isso não transforma automaticamente todos os personagens e episódios do poema em fatos históricos comprovados.

A diferença entre os dois campos pode ser organizada assim:

Confirmado
Cidade fortificada Muralhas, portões e edifícios mostram que uma importante cidade existiu no local.
Confirmado
Longa ocupação As camadas arqueológicas registram sucessivas cidades construídas no mesmo ponto.
Contexto
Conflitos na Idade do Bronze O período combina com um mundo de reinos e disputas, mas não identifica sozinho a guerra narrada.
Tradição
Ilíada O poema de Homero tornou o cerco de Troia uma das histórias mais influentes da Antiguidade.

Por que o sítio continua tão importante para a arqueologia?

Troia permite acompanhar mudanças urbanas, políticas e culturais no mesmo terreno durante milhares de anos. Suas fortificações da Idade do Bronze convivem com restos gregos e romanos, criando uma sequência que poucos sítios preservam com tamanha continuidade.

O verbete sobre Troia e suas sucessivas cidades amplia o contexto histórico. A lenda olha para uma guerra; a arqueologia encontra uma cidade que precisou renascer muitas vezes.

Tags: arqueologiaGuerra de TroiaIdade do BronzeTroia

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