REDE PÚBLICA

Alunos concluem o ensino médio sem saber regra de três e gráfico de pizza

Mesmo com melhora nas nota, desempenho em matemática segue estagnado no país, mostra Ideb

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Alunos da rede pública ainda terminam o ensino médio sem dominar habilidades básicas de matemática, como regra de três e construção de gráficos de pizza, mostram os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025, divulgados nessa quarta-feira (5/8).

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Embora 22 dos 27 estados e DF tenham registrado melhora nas notas de matemática na rede estadual, o desempenho nacional permanece estagnado no mesmo patamar da divulgação anterior, de 2023, o nível 2, o segundo mais baixo da escala de proficiência do Saeb, prova que compõe o indicador federal.

O Ideb é calculado a cada dois anos e é o principal indicador de qualidade da educação básica no Brasil. Um dos critérios usados para compor o índice é o resultado das provas do Saeb, o Sistema de Avaliação da Educação Básica, aplicadas pelo MEC e pelo Inep, que medem o desempenho dos estudantes em matemática e língua portuguesa.

 


Entenda o Ideb, que mede a qualidade da educação no Brasil

Nacionalmente, os alunos do terceiro ano do ensino médio da rede pública tiveram nota 268,89 em matemática em 2025, uma alta de 1,6% frente aos 264,68 pontos de 2023. O resultado mantém o país no nível 2 da escala de proficiência do Saeb, que é dividida em dez níveis de aprendizado, do mais elementar ao mais avançado.

O resultado de 2025 é a segunda melhor nota da rede pública em matemática no ensino médio desde que a série histórica do Saeb começou, em 2005, atrás apenas dos 269,03 pontos registrados em 2019. Ainda assim, o país nunca deixou a casa dos 260 pontos ao longo de duas décadas de avaliações.

Nesse patamar (nível 2), os estudantes já conseguem, por exemplo, localizar coordenadas de pontos em um plano cartesiano, identificar em qual ponto o gráfico de uma função cruza o zero, calcular o valor de uma função a partir de sua fórmula e resolver sequências simples de progressão aritmética.

Na leitura de dados, eles também são capazes de associar um gráfico de pizza pronto às informações percentuais que ele representa. Ou seja, o aluno consegue interpretar um gráfico, mas ainda não sabe construir um, habilidade que, junto com a regra de três, só aparece no nível seguinte, o nível 3, que a maior parte do país ainda não alcança.

Apenas 6 das 27 redes estaduais atingiram o nível 3 em 2025: Paraná (288,65), Goiás (286,83), Piauí (286,60), Espírito Santo (283,76), Rio Grande do Sul (282,88) e Pernambuco (278,69). Em 2023, apenas três estados haviam chegado a esse patamar.

Na outra ponta, o Rio de Janeiro registrou a pior nota entre os estados em 2025, com 251,53 pontos, uma queda de 0,66 ponto em relação a 2023. Maranhão (252,03) e Bahia (252,49) aparecem logo acima, com altas de 0,96 e 1,52 ponto, respectivamente, no mesmo período.

São Paulo, por sua vez, saiu de 264,66 pontos em 2023 para 268,32 em 2025 e subiu da 12ª para a 10ª posição entre os estados na nota de matemática.

Já na rede privada, a nota nacional de matemática chegou ao nível 4 em 2025, com 321,73 pontos, uma alta de 1,06% em relação aos 318,35 registrados em 2023. Nesse patamar, os estudantes se formam sabendo, entre outras habilidades, resolver problemas de área de figuras compostas por retângulos e calcular a probabilidade de ocorrência de um evento simples.

Entre as redes privadas, Minas Gerais (341,45), Rio Grande do Sul (336,52), Tocantins (326,36) e São Paulo (325,97) tiveram as quatro melhores notas do país. Na outra ponta, Pará (303,35), Amazonas (301,10) e Alagoas (292,16) fecharam a lista das piores.

Anos iniciais têm alta histórica em matemática

No ensino público dos anos iniciais (1º ao 5º ano do fundamental), a nota nacional de matemática subiu de 218,26 pontos em 2023 para 227,41 em 2025, a maior alta registrada. Com o resultado, o país saiu do nível 4 para o nível 5 na escala de proficiência da disciplina para o 5º ano, que vai do nível 1 ao nível 10.

Nesse novo patamar, os alunos já conseguem, por exemplo, localizar um ponto entre outros dois já fixados em uma figura geométrica, reconhecer a planificação de um cubo entre diferentes opções apresentadas, converter uma quantia em moedas para cédulas de real e estimar a altura de um objeto com o auxílio de uma régua.

Entre os estados, o Paraná teve a melhor nota da rede pública nos anos iniciais, com 250,83 pontos, o único a atingir o nível 6 da escala. Completam a lista das cinco melhores notas Ceará (241,65), Santa Catarina (237,43), São Paulo (236,39) e Espírito Santo (234,18). Na outra ponta, Maranhão (209,71), Bahia (209,38), Amapá (208,80), Sergipe (208,38) e Rio Grande do Norte (206,12) registraram as piores notas do país.

Já na rede privada, o resultado dos anos iniciais foi na direção contrária. A nota nacional teve uma leve queda de 254,33 pontos em 2023 para 253,73 em 2025, recuo de 0,60 ponto. Mesmo com a queda, a rede privada permanece um nível acima da pública, no nível 6 da escala de proficiência.

Nesse patamar, os alunos são capazes de, por exemplo, calcular 50% de um número, resolver problemas envolvendo o pagamento de compras a prazo sem juros, interpretar dados apresentados em uma tabela simples e comparar informações representadas pela altura de colunas em um gráfico.

Santa Catarina liderou o ranking da rede privada nos anos iniciais, com 274,21 pontos, seguido por Minas Gerais (268,36), Paraná (265,45), Rio Grande do Sul (264,60), Espírito Santo (263,24) e São Paulo (262,62). As piores notas ficaram com Bahia (241,07), Pernambuco (240,59), Pará (238,62), Maranhão (237,73) e Amapá (233,21).

Anos finais têm segunda melhor nota da série histórica

Nos anos finais do ensino fundamental (6º ao 9º ano), a rede pública também avançou em matemática, de 251,27 pontos em 2023 para 256,23 em 2025. É a segunda melhor nota já registrada nessa etapa desde o início da série histórica, atrás apenas dos 257,18 pontos obtidos em 2019.

Com o resultado, os estudantes permanecem no nível 3 da escala de proficiência de matemática do 9º ano, que vai do nível 1 ao nível 9. Nesse patamar, os alunos concluem o ginásio sabendo, por exemplo, associar dados de uma tabela a um gráfico de setores e localizar números inteiros positivos em uma reta numérica.

Por estado, o Paraná foi o único a atingir o nível 4 nos anos finais da rede pública, com 275,24 pontos. Completam o pódio Goiás (271,05) e Ceará (271,00). Bahia, Roraima e Amapá aparecem entre as piores notas do país.

São Paulo também melhorou, de 256,51 pontos para 258,57. Apesar do avanço, o estado perdeu posições no ranking nacional, caindo da 6ª para a 10ª colocação.

Na rede privada, a nota dos anos finais subiu de 295,19 pontos em 2023 para 298,45 em 2025. O resultado mantém o ensino privado no nível 4 da escala, um patamar acima da rede pública. Nesse nível, os alunos aprendem, entre outras habilidades, a localizar coordenadas em um plano cartesiano com apoio de malha quadriculada e determinar o valor numérico de uma expressão algébrica simples.

Oito estados superaram a média nacional da rede privada e alcançaram o nível 5 da escala, liderados por Minas Gerais (313,07), Rio Grande do Sul (310,36) e Santa Catarina (310,24), seguidos por São Paulo (306,91), Paraná (305,71), Espírito Santo (303,90), Piauí (303,38) e Mato Grosso do Sul (303,11). Nesse patamar, os estudantes já conseguem, por exemplo, calcular o volume de uma figura por meio da contagem de blocos.

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O Ideb é calculado a partir de dois componentes, a taxa de aprovação das escolas e o desempenho dos alunos em matemática e língua portuguesa, medido pelo Saeb. O indicador foi criado em 2007, com metas estabelecidas por escola, rede de ensino e para o país como um todo.

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