Caroline Jardim - Especial para o Estado de Minas

Gerir milhares de veículos em circulação exige cada vez mais tecnologia, dados e capacidade de resposta rápida. Em Belo Horizonte, apenas o sistema convencional e o MOVE reúnem cerca de 2,8 mil, segundo a prefeitura da capital mineira, uma escala que ajuda a dimensionar o desafio operacional de empresas de transporte que precisam acompanhar desempenho, condução e manutenção de suas frotas.

É nesse contexto que soluções de tecnologia aplicadas à mobilidade começam a transformar informações geradas pelos próprios veículos em ferramenta de gestão. Por meio da telemetria, dados como velocidade, localização, condições dos ônibus e comportamento dos motoristas podem ser monitorados durante as viagens e organizados em indicadores para apoiar decisões sobre segurança e manutenção.

Com sede em Belo Horizonte, a Empresa 1, centro de inovação em mobilidade urbana presente em mais de 150 cidades, desenvolveu o Sigom Telemetria, sistema que reúne essas informações e permite aos operadores identificar padrões como excesso de velocidade e frenagens bruscas.

Segundo João Valle, diretor da Empresa 1, os dados ajudam a responder a uma pergunta essencial para a segurança: como aquele ônibus está sendo conduzido? Ao identificar recorrências e comportamentos que merecem atenção, os gestores podem orientar motoristas, acompanhar a evolução da condução e adotar medidas corretivas antes que determinados hábitos se consolidem na operação.

“A tecnologia não substitui a responsabilidade de quem está ao volante, mas dá aos operadores informações que antes eram difíceis de enxergar. Quando conseguimos identificar padrões de condução, podemos atuar preventivamente, orientar os profissionais e contribuir para uma operação mais segura”, afirma João Valle.

Do ônibus para a central de operações

Enquanto o veículo circula pela cidade, informações da operação podem ser transmitidas para plataformas de acompanhamento. Assim, em vez de depender apenas da percepção posterior sobre uma ocorrência, os gestores passam a contar com dados objetivos sobre como aquele veículo está sendo conduzido.

Os indicadores também permitem acompanhar a evolução dos profissionais ao longo do tempo e identificar boas práticas de direção. Dessa forma, a tecnologia pode ser utilizada não apenas para apontar situações que precisam ser corrigidas, mas também para valorizar motoristas que mantêm padrões de condução mais seguros.

Outro uso dos dados está na manutenção. Com informações sobre o desempenho do veículo, a telemetria pode contribuir para identificar usos inadequados de componentes e apoiar ações preventivas, reduzindo a possibilidade de problemas durante a operação.

Além disso, o motorista também tem acesso a um console que facilita a comunicação com a central. Por meio dele, o condutor fica ciente de possíveis acidentes ou intercorrências no trajeto, o que também ajuda como medida preventiva na direção segura.

Da bilhetagem à gestão da frota

A digitalização do transporte coletivo alcança diferentes pontos da operação. A Empresa 1 desenvolve um ecossistema de soluções que inclui bilhetagem digital, gestão de frotas, telemetria e análise de dados, atuando em diferentes etapas da jornada para tornar o transporte mais seguro e eficiente. A tecnologia amplia, assim, a quantidade de informações disponíveis para quem administra as frotas. 

“A segurança não depende de uma única solução. A bilhetagem digital, por exemplo, automatiza processos e ajuda o motorista a manter o foco no que é essencial: dirigir. Ao mesmo tempo, ferramentas de gestão de frotas, telemetria e análise de dados dão aos operadores mais informações para identificar riscos e tomar decisões preventivas. A tecnologia contribui para a segurança em diferentes pontos da operação”, afirma João Valle.

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