Mobilidade

Ônibus novos, tecnologia e fiscalização melhoram transporte coletivo em BH

Capital amplia investimentos, reforça controle sobre as concessionárias, prepara novo modelo para o serviço e já fala na chegada dos ônibus elétricos

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A renovação acelerada da frota de ônibus da cidade, somada à implantação do modelo de fiscalização permanente das empresas operadoras, bem como investimentos em tecnologia e no planejamento de um novo sistema de concessões, aponta para uma estratégia de longo prazo focada na melhoria da qualidade do serviço prestado aos passageiros. Esse conjunto de iniciativas é apresentado pela Prefeitura de Belo Horizonte como uma das maiores transformações recentes no sistema de transporte coletivo do município.

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De fato, nos últimos anos, a cidade intensificou a substituição dos veículos antigos por ônibus modernos e com tecnologia contemporânea. Só este ano, dezenas de veículos novos já começaram a circular e a previsão é a de que, até o final do ano, mais de 250 veículos novos serão incorporados à frota. Com isso, Belo Horizonte se destaca e conquista o título de cidade com a menor idade média de frota ônibus entre todas as capitais brasileiras – inferior a cinco anos, índice considerado referência no setor.

Os novos ônibus já chegam equipados com ar-condicionado, suspensão pneumática, elevadores para acessibilidade e motores com padrão ambiental Euro 6, capazes de reduzir significativamente a emissão de poluentes em comparação com veículos mais antigos. A modernização busca, também, oferecer mais conforto aos usuários e maior confiabilidade operacional.


Fiscalização deixa de ser ação pontual

Além da renovação da frota, a Prefeitura de Belo Horizonte adotou a política de fiscalização contínua das empresas concessionárias. As equipes responsáveis realizam inspeções diárias em diferentes regiões da cidade, verificando documentação, condições dos veículos, cumprimento de horários e demais exigências contratuais.

Os resultados desse trabalho já aparecem nos indicadores do sistema. Desde o início da Operação Tolerância Zero, centenas de ônibus foram vistoriados e milhares de autuações aplicadas. Segundo a prefeitura, houve redução de quase 70% na circulação de veículos sem autorização regular para operar, demonstrando mudança de comportamento por parte das empresas e maior rigor na fiscalização.

A política representa uma mudança importante em relação ao passado, quando as ações de controle eram frequentemente criticadas por usuários e especialistas por serem insuficientes diante dos problemas enfrentados diariamente no transporte coletivo.

Tecnologia passa a integrar a gestão da mobilidade

Outro eixo da transformação do sistema de transporte coletivo de Belo Horizonte envolve o uso crescente de tecnologia. Este ano entraram em operação projetos-piloto de semáforos inteligentes em corredores estratégicos da cidade. O sistema identifica a aproximação dos coletivos e ajusta automaticamente os tempos semafóricos, reduzindo paradas desnecessárias e contribuindo para viagens mais rápidas e regulares. A iniciativa faz parte de uma política mais ampla de priorização do transporte coletivo sobre o transporte individual, tendência observada em diversas grandes cidades brasileiras e internacionais.


Próxima etapa: eletrificação da frota

A modernização do sistema inclui também a incorporação de ônibus elétricos. A prefeitura homologou recentemente a licitação para aquisição de 100 veículos totalmente elétricos, com investimento superior a R$ 320 milhões. Os novos ônibus vão operar em corredores de alta demanda e representam um avanço importante na política de descarbonização das ruas e avenidas da cidade. Além da redução das emissões, os veículos elétricos também reduzem o nível de ruído e apresentam custos operacionais mais baixos.


Planejamento para o transporte dos próximos anos

Ao mesmo tempo em que promove melhorias imediatas, Belo Horizonte também prepara mudanças estruturais para o futuro do sistema. Em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a prefeitura iniciou estudos que irão embasar as licitações para novas concessões do transporte coletivo municipal, já que os contratos atuais vencem em 2028. O trabalho deverá revisar o desenho das linhas, os modelos de operação, a integração metropolitana, os mecanismos de financiamento e os indicadores de qualidade exigidos das futuras concessionárias.

Os estudos em realização integram o programa "Mobilidade para Todos", que reúne investimentos federais e municipais para ampliar a eficiência do transporte público. Entre os recursos previstos estão R$ 139,4 milhões destinados à redução dos tempos de viagem, R$ 317 milhões para aquisição de ônibus elétricos e carregadores e R$ 425 milhões para novos ônibus articulados, ampliando capacidade e conforto do sistema.


Mudança gradual

Embora desafios como lotação em horários de pico, cumprimento integral das viagens e ampliação da velocidade operacional ainda permaneçam na pauta dos usuários, especialistas consideram que a combinação entre renovação da frota, fiscalização permanente, inovação tecnológica e planejamento das próximas concessões representam uma mudança estrutural na política de mobilidade da capital.

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Em essência, mais que apenas substituir veículos antigos, Belo Horizonte busca reorganizar o sistema para torná-lo mais eficiente, sustentável e capaz de responder ao crescimento da demanda, colocando o transporte coletivo novamente no centro da política de mobilidade da cidade. 

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