INOVAÇÃO

Com 30 mil creators, startup brasileira cresce 5 vezes e mira R$ 1 milhão 

Mercado global de plataformas de conteúdo gerado por usuários (UGC), estimado em US$ 12,3 bilhões em 2026, estimula a criação de novos negócios  

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Caroline Jardim - Especial para o Estado de Minas

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Encontrar os creators certos, contratar, enviar briefing, acompanhar a produção, revisar os materiais e, finalmente, colocar uma campanha no ar. Deny Zatariano conhecia de perto a demora por trás desse processo: enquanto os times de marketing precisavam de novos criativos em ritmo cada vez mais acelerado, produzir conteúdo com creators ainda era uma operação lenta e difícil de escalar.

Foi dessa dor que nasceu a Pikko, startup brasileira de tecnologia que desenvolveu uma solução para produção de criativos em escala. Em vez de levar semanas para encontrar e coordenar creators, uma marca pode lançar uma demanda e receber dezenas, centenas ou até milhares de vídeos produzidos por pessoas reais em poucos dias.

É um mercado em rápida expansão. O mercado global de plataformas de conteúdo gerado por usuários (UGC) é estimado em US$ 12,3 bilhões em 2026 e deve chegar a US$ 55 bilhões até 2033, segundo a Grand View Research. Paralelamente, o investimento publicitário com creators deve movimentar US$ 44 bilhões apenas nos Estados Unidos em 2026, de acordo com o Interactive Advertising Bureau (IAB).

Em menos de dois anos de operação, a Pikko cresceu quase cinco vezes em relação ao ano anterior e projeta alcançar R$ 1 milhão em faturamento em 2026. A plataforma reúne cerca de 30 mil creators de todos os estados brasileiros e já foi utilizada por mais de 100 empresas, entre elas Boticário, Multicoisas e Sem Parar.

“Eu vivia essa dor dentro do marketing. Meu time de growth e de mídia precisava de uma máquina constante de criativos. Só que o processo para começar a trabalhar com creators podia levar um mês. A Pikko nasceu para colocar a produção de conteúdo na mesma velocidade da performance”, afirma Deny, fundador da Pikko e especialista em creator economy, tecnologia aplicada ao marketing e creative performance.

De semanas para dias

Fundada em 2024, a Pikko concentra em uma única solução diferentes etapas da produção de conteúdo com creators. A marca-cliente lança uma missão com sua necessidade e a plataforma cuida da mobilização dos perfis, orientação da produção, recebimento e análise dos vídeos, organização das entregas e gestão dos pagamentos.

O conteúdo pode ser produzido para as redes sociais dos próprios creators ou utilizado pelas empresas como criativo em campanhas de mídia paga. A lógica permite também criar diferentes peças para públicos específicos e testar rapidamente quais abordagens funcionam melhor.

A empresa ganhou uma nova frente de crescimento com a ampliação da inteligência artificial embarcada na plataforma. Em vez de gerar artificialmente as pessoas que aparecem nos vídeos, a Pikko usa agentes de IA para automatizar etapas que tornavam a produção em escala lenta e operacionalmente complexa.

A tecnologia auxilia na construção do briefing, orienta creators sobre roteiro, iluminação, cenas e gravação e verifica se cada vídeo cumpre os requisitos solicitados pela marca. Depois da entrega, analisa elementos como gancho, CTA, primeiros segundos, qualidade e naturalidade, organiza os conteúdos e gera informações que podem alimentar as próximas produções.

“Conteúdo humano verdadeiro, feito por pessoas na velocidade de uma inteligência artificial. Essa é a lógica. A tecnologia entra nos bastidores para que uma operação que envolveria dezenas de pessoas possa ganhar escala sem substituir quem cria”, explica Deny.

Uma nova porta de entrada para a geração de renda

Se para as empresas a tecnologia resolve um gargalo de produção, do outro lado ela abre uma oportunidade econômica para milhares de pessoas. Não é preciso ter milhares de seguidores para produzir para uma marca. A empresa não seleciona os participantes prioritariamente pelo tamanho de sua audiência, mas pela capacidade de produzir o conteúdo solicitado. 

Com um celular, uma rede social e mais de 18 anos, pessoas de diferentes regiões e perfis podem se cadastrar para participar das missões disponíveis. Isso permite que brasileiros que nunca construíram uma carreira como influenciadores encontrem na produção de conteúdo uma nova possibilidade de renda, inclusive trabalhando para marcas que dificilmente estariam ao seu alcance por meio do mercado tradicional de influência.

As missões variam de acordo com a complexidade e podem pagar de R$ 50 a R$ 500. Segundo Deny, trabalhos na faixa de R$ 50 a R$ 100 costumam demandar entre 30 minutos e uma hora de produção, sendo que cada creator pode fazer vários vídeos por mês. “Tem gente que chega à Pikko procurando uma renda extra, pessoas que perderam o emprego e creators que encontram aqui a primeira oportunidade de produzir para uma grande marca. Quando seguidores deixam de ser a principal porta de entrada, você amplia muito quem pode participar dessa economia”, diz.

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