PAGAMENTO

Pix avança no e-commerce, mas instabilidade preocupa mercado 

Sistema pode chegar a 50% das compras online até 2028, mas falhas levantam alerta sobre dependência e impacto para lojistas

Publicidade
Carregando...

 Caroline Jardim - Especial para o Estado de Minas

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover

A consolidação do Pix como principal meio de pagamento no Brasil avança para uma nova fronteira: o comércio eletrônico. Segundo projeção da empresa de pagamentos Ebanx, o sistema deve responder por cerca de 50% das transações de e-commerce no país até 2028, ampliando sua liderança sobre os cartões de crédito e aprofundando uma mudança estrutural no mercado de meios de pagamento.
 

O dado reforça a velocidade com que o Pix, lançado pelo Banco Central no fim de 2020, alterou a dinâmica financeira da maior economia da América Latina. Em poucos anos, o sistema superou o volume combinado de transações com cartões de crédito e débito e reduziu significativamente o uso de dinheiro em espécie. A trajetória recente indica não apenas adoção massiva, mas também uma transição do uso cotidiano para aplicações mais complexas, como compras online e pagamentos recorrentes.

Essa evolução tem sido impulsionada por melhorias contínuas na infraestrutura do sistema. A introdução de funcionalidades como pagamentos automáticos e recorrentes amplia o escopo de uso da ferramenta, aproximando-a de modelos tradicionalmente dominados por cartões, como assinaturas e serviços digitais. 

Desde setembro, as transações de consumidores para empresas passaram a representar a maior parte das operações via pagamento instantâneo — um indicativo de que o sistema deixou de ser apenas um meio de transferência entre pessoas para se tornar peça central no varejo digital.

A expansão, no entanto, também redesenha o equilíbrio competitivo do setor. O avanço do Pix pressiona diretamente a participação de mercado das bandeiras internacionais de cartões, que historicamente dominaram o e-commerce brasileiro. Ao oferecer liquidação instantânea e custos potencialmente mais baixos para lojistas, o sistema cria incentivos econômicos claros para sua adoção, ao mesmo tempo em que desafia modelos baseados em intermediação e taxas mais elevadas.

Nesse contexto, a discussão sobre confiabilidade ganha peso à medida que o sistema se torna crítico para as operações do varejo. Episódios pontuais de instabilidade levantam questionamentos sobre a dependência crescente da ferramenta, especialmente em momentos de alto volume transacional. Ainda assim, provedores de infraestrutura e parceiros do ecossistema apontam níveis elevados de resiliência. A Divibank, por exemplo, reporta SLA superior a 99% em suas operações, refletindo um padrão de estabilidade compatível com a criticidade do serviço.

“Quando o Pix passa a ser parte central da jornada de compra, estabilidade deixa de ser um diferencial e se torna um requisito básico. Não se trata apenas de custo ou eficiência, mas de garantir continuidade operacional e confiança na experiência do usuário. À medida que o sistema escala, a robustez da infraestrutura passa a ser tão relevante quanto sua adoção”, afirma Hygor Roque, Head of Revenue da Divibank.

O modelo brasileiro também passou a atrair atenção internacional. Autoridades dos Estados Unidos abriram uma investigação para avaliar possíveis distorções concorrenciais, questionando o papel duplo do Banco Central como operador da infraestrutura e regulador do sistema financeiro. A autoridade monetária brasileira rebate, argumentando que o Pix funciona como uma infraestrutura pública neutra, voltada a aumentar eficiência, inclusão e competição.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia

A projeção de que o sistema alcance metade do e-commerce até 2028 indica que a próxima fase de crescimento não será apenas de escala, mas de aprofundamento no consumo digital. Nesse cenário, o Brasil se posiciona como um dos principais casos globais de adoção de infraestrutura pública de pagamentos, em um momento em que diferentes países avaliam modelos para modernizar seus sistemas financeiros.
 

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay