IA muda custo para empreender e já substitui ferramentas em empresas
Empresários e profissionais relatam economia de tempo e dinheiro com IA, enquanto pequenos negócios ainda enfrentam barreiras para adotar a tecnologia
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A inteligência artificial já começa a mudar a forma como empresas e profissionais trabalham no Brasil. Em pequenos negócios, a tecnologia é usada para automatizar tarefas, organizar informações, produzir conteúdos, atender clientes e até substituir ferramentas que antes eram contratadas separadamente. Os relatos, porém, mostram que os efeitos da IA ainda são diferentes entre os trabalhadores.
A discussão sobre o impacto financeiro da tecnologia esteve entre os temas do SP2B, evento realizado em São Paulo. A reportagem do Estado de Minas ouviu executivos, empreendedores e profissionais para entender onde a inteligência artificial efetivamente gera economia e quais mudanças já aparecem na rotina de trabalho.
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IA e produtividade
Para Sharon Zanandrais, diretora global da Blip, o principal impacto da inteligência artificial não está necessariamente em cortar despesas, mas em otimizar o trabalho realizado pelas pessoas: “Com mais resultado a gente consegue ser mais eficiente. Eu gero mais eficiência na minha operação. Isso não é necessariamente uma redução, é sim uma otimização do que o humano faz melhor”, afirma.
Segundo ela, empresas podem obter ganhos em diferentes frentes, incluindo eficiência operacional, redução de custos e aumento das vendas.
A executiva também destaca que a tecnologia pode acelerar e personalizar a relação entre empresas e consumidores: “A IA trouxe a pauta de resultados mais para o centro das discussões. Então, como que a gente acelera de forma assertiva, humanizada, personalizada as abordagens, as interações, principalmente as conversas?”, complementa.
A Blip, em parceria com a Claro, apresentou durante o evento o Blip Go, solução voltada a pequenas e médias empresas que reúne recursos de inteligência conversacional e gestão.
Pequenos negócios
Para Ana Carolina Marcondes, CMO da Claro Empresas, o desafio dos pequenos negócios está em equilibrar faturamento, custos e tamanho das equipes.
Segundo ela, a realidade brasileira é marcada por empresas com estruturas enxutas. Nesse cenário, a inteligência artificial pode assumir parte de tarefas que precisam ser realizadas continuamente, inclusive fora do horário comercial.
A executiva chama atenção também para a velocidade esperada pelos consumidores. Segundo Ana Carolina, a demora no atendimento pode representar perda de negócios: “E hoje vencem as empresas que conseguem responder de forma assertiva e rápida. Então, apesar de sermos todas pessoas, todos humanos, o mercado se transformou”, explica.
Ela cita como exemplo empresas que recebem pedidos e dúvidas fora do horário comercial. Para a executiva, a IA pode ajudar a manter esse contato quando o empreendedor está ocupado com outras atividades.
Em outro momento da entrevista, ela resumiu o impacto dessa velocidade no comportamento do consumidor: “Cinco minutos hoje é o limite do consumidor brasileiro. Então a gente não quer perder faturamento de maneira nenhuma e a inteligência artificial entra justamente para cobrir esse buraco”, diz.
Economia na prática
Os efeitos da tecnologia também aparecem nos relatos de quem já incorporou a IA à rotina.
O empresário, advogado e empreendedor Rubens Ajzenberg utiliza ferramentas de inteligência artificial para estruturar projetos, preparar apresentações, pesquisar informações e organizar conteúdos complexos.
Segundo ele, a tecnologia reduziu o tempo necessário para preparar apresentações e diminuiu a necessidade de contratar profissionais para determinadas etapas.
Rubens também afirma utilizar IA para pesquisas, desenvolvimento de planilhas e levantamento de informações sobre orçamentos: “Ela não faz as coisas que eu tenho que fazer, mas ela me ajuda a ganhar tempo em coisas que eu demandava muito tempo de pesquisa e coleta de informações”, relata.
Ferramentas de IA
Na Pipo Saúde, a inteligência artificial também passou a ser utilizada em diferentes áreas.
Marcela Ziliotto, CHO da empresa, afirma que utiliza IA para automatizar processos, apoiar decisões, delegar tarefas e desenvolver projetos.
Ela relata que a tecnologia já proporcionou economia de tempo em tarefas repetitivas e também reduziu gastos com ferramentas utilizadas anteriormente: “Ela já fez eu economizar tempo, considerando tarefas mais repetitivas, ela já fez eu economizar dinheiro considerando ferramentas que eu usava e hoje eu não preciso mais”, conta.
Um dos exemplos envolve uma ferramenta usada para dar visibilidade ao organograma da empresa. Segundo Marcela, a solução foi desenvolvida internamente e tornou desnecessária a contratação do serviço externo.
O mesmo aconteceu com uma ferramenta utilizada para troca de feedback entre colaboradores.
Para ela, outro ganho importante está na capacidade de reunir grandes volumes de informações e contexto para auxiliar na tomada de decisões: “O maior ganho de usar a IA no meu dia a dia é para conseguir compilar bastante contexto para eu tomar decisões mais embasadas”, explica.
Marcela, porém, ressalta que a adoção também exige aprendizado. Segundo ela, a tecnologia fez com que precisasse dedicar mais tempo para entender esse novo modo de trabalhar.
Adoção da ferramenta
A transformação, porém, não acontece de maneira uniforme.
O vendedor Claudinei, ambulante que passava pelo evento, afirmou que ainda não utiliza inteligência artificial no trabalho. Para ele, a comunicação direta com o consumidor continua sendo uma parte fundamental do seu processo de venda.
Questionado sobre a possibilidade de utilizar IA para otimizar suas atividades, ele reconheceu que ainda não havia experimentado a tecnologia, mas considerou começar a utilizá-la: “Eu nunca tentei, mas é uma boa sugestão para mim começar a fazer isso, porque hoje está crescendo muito”, afirma.
Automação de tarefas
Miguel Londres, administrador que trabalha em uma empresa de inteligência artificial, utiliza a tecnologia tanto profissionalmente quanto em atividades pessoais.
Ele afirma recorrer à IA para resolver problemas, pesquisar informações, organizar viagens e revisar textos.
Uma das mudanças mais diretas aconteceu justamente na revisão de conteúdo: “Revisão de texto, com certeza”, diz.
Segundo Miguel, em materiais que não exigem uma revisão profissional especializada, a IA pode fazer uma primeira análise e reduzir a necessidade de recorrer a terceiros.
Ele também utiliza ferramentas para pesquisar informações financeiras e tributárias, embora ressalte a importância de não transformar a inteligência artificial na única fonte de informação.
Para Miguel, a resistência à tecnologia pode limitar seus benefícios: “Quanto menos resistência você tiver em adotar esse tipo de tecnologia, mais ela vai te beneficiar, contanto que ela não se torne a única fonte de informação ou de verificação de verdade que você tenha”, argumenta.
Impacto nos negócios
Os relatos reunidos pela reportagem mostram que o impacto da inteligência artificial sobre os negócios não se resume à redução de custos. A economia pode aparecer no tempo poupado em tarefas repetitivas, na redução da contratação de determinados serviços, na substituição de ferramentas externas por soluções desenvolvidas internamente e na automação de atividades. Para empresas com equipes pequenas, esses ganhos podem ampliar a capacidade de atendimento e operação sem exigir, necessariamente, o aumento da estrutura.
Ao mesmo tempo, a adoção da tecnologia exige aprendizado e adaptação. Marcela Ziliotto, por exemplo, relata que precisou dedicar mais tempo inicialmente para entender novas formas de trabalhar com IA. Por isso, o principal efeito observado nas entrevistas não é simplesmente fazer uma empresa gastar menos, mas permitir que ela faça mais com a mesma estrutura, seja aumentando a produtividade, atendendo clientes com mais rapidez ou liberando profissionais para atividades que exigem maior participação humana.
A questão que permanece é quanto dessa eficiência será convertida, de fato, em redução de custos, aumento de receita ou crescimento dos negócios. Os relatos mostram que esse processo já começou, mas ainda está em construção e acontece de maneiras diferentes entre empresas e profissionais.
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