Indústria e Comércio de MG defendem equilíbrio fiscal para reduzir juros
Entidades que defendem os interesses da Indústria e do Comércio em Minas Gerais reagiram à queda da taxa Selic de 14,25% para 14% ao ano
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Os setores econômicos de Minas Gerais reagiram à queda da Selic - a taxa básica de juros - para 14% ao ano. A decisão foi anunciada na noite dessa quarta-feira (5/8) pelo Comitê de Política Econômica (Copom) do Banco Central do Brasil. De forma geral, as entidades que representam a Indústria e o Comércio elogiaram o recuo, mas esperam uma continuidade dessa política associada ao equilíbrio das contas públicas.
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A Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) considerou positiva a queda da taxa Selic, mas destacou que o corte ainda é insuficiente para mitigar os impactos prolongados dos juros elevados sobre a atividade produtiva, os investimentos e a geração de empregos.
Para a entidade, a manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado continua restringindo o acesso ao crédito, desestimulando novos investimentos e comprometendo a competitividade da indústria brasileira.
"A estabilidade de preços é indispensável para o crescimento sustentável da economia. O processo precisa ocorrer com menor custo para a produção, os investimentos e o emprego, o que exige maior coordenação entre as políticas monetária e fiscal", analisou João Gabriel Pio, economista-chefe da Fiemg.
A Fiemg considera que a política fiscal expansionista do Governo Federal, determinada pelo alto gasto público para manter a economia aquecida, e a ampliação de programas de crédito subsidiado reduzem a eficácia da política monetária e tornam o processo de controle da inflação mais custoso para a economia quando não vêm acompanhados de um compromisso com o equilíbrio das contas públicas.
"Um ciclo mais consistente de queda dos juros depende de um ambiente macroeconômico mais equilibrado, com responsabilidade fiscal, previsibilidade e maior efetividade da política monetária. Esse conjunto de fatores amplia a confiança, favorece o investimento produtivo e fortalece a competitividade da indústria", destacou João Gabriel.
Menos juros, mais crédito
A CDL/BH (Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte) considerou a decisão do Copom de reduzir a taxa Selic como um passo importante na construção de um ambiente mais favorável ao crescimento econômico.
“A desaceleração da inflação abre espaço para que a política monetária avance de forma gradual, preservando a responsabilidade com a estabilidade dos preços e, ao mesmo tempo, estimulando a atividade produtiva”, avaliou Marcelo de Souza e Silva, presidente da CDL/BH.
Na visão da entidade que defende o comércio da capital, a redução dos juros significa a perspectiva de um crédito mais barato para consumidores e empresas, o que tende a fortalecer o consumo, incentivar investimentos, favorecer a geração de empregos e ampliar a confiança dos empresários.
“Esperamos que seja a continuidade de um processo consistente e responsável de normalização da política monetária. O setor produtivo precisa de previsibilidade para investir, contratar e continuar contribuindo para o desenvolvimento econômico de Belo Horizonte e do país”, defendeu Marcelo.
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Efeitos para empresas e consumidores levam tempo
Já para a Fecomércio MG (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Minas Gerais), a redução da taxa Selic representa um sinal positivo para a economia, mas ainda está longe de resolver as dificuldades enfrentadas pelas empresas do comércio, dos serviços e do turismo.
Para a entidade, mesmo com a queda da taxa básica de 14,25% para 14% ao ano, o custo do crédito permanecerá elevado e continuará limitando investimentos, capital de giro, geração de empregos e expansão dos negócios.
De acordo com a Fecomércio MG, utilizando dados do Banco Central, em junho, a taxa média de juros nas operações de crédito livre para pessoas jurídicas alcançou 24,4% ao ano. Para as famílias, a taxa média chegou a 64% ao ano. “Na prática, isso significa que uma eventual redução da Selic ainda levará tempo para produzir efeitos relevantes sobre o custo do financiamento para empresas e consumidores”, concluiu a nota.
Na prática, as empresas enfrentam maior dificuldade para financiar estoques, capital de giro e folha de pagamento, enquanto consumidores reduzem compras, adiam viagens e restringem gastos com serviços. O resultado é a combinação entre aumento das despesas financeiras e perda de receita.
A Federação acrescenta outros indicadores que confirmam esse cenário: em maio, mais de 9 milhões de empresas estavam negativadas no país, somando R$ 229,9 bilhões em dívidas. Desse total, cerca de 8,5 milhões eram micro e pequenas empresas. Comércio e serviços concentravam quase 88% dos CNPJs inadimplentes.
Outro sinal de preocupação é o avanço das recuperações judiciais. Em 2025, 2.466 empresas ingressaram nesse tipo de processo, maior número da série histórica da Serasa Experian e crescimento de 13% em relação ao ano anterior. Os setores de serviços e comércio lideraram esses registros.
“É importante reconhecer que nem toda dificuldade empresarial decorre exclusivamente da taxa de juros. Questões relacionadas à gestão, às mudanças no mercado e ao comportamento do consumidor também influenciam o desempenho das empresas. No entanto, o elevado custo do crédito amplia os riscos financeiros e reduz a capacidade de reação dos negócios diante de períodos de menor faturamento”, ressalvou a Fecomércio MG.
Além da política monetária, para a entidade, a trajetória dos juros também depende da confiança na condução das contas públicas. Quanto maior a percepção de equilíbrio fiscal, menor tende a ser o prêmio de risco exigido pelos investidores e, consequentemente, maiores são as condições para uma queda sustentável das taxas de juros.
Nos 12 meses encerrados em junho, a despesa com juros do setor público alcançou R$ 1,16 trilhão, enquanto a dívida bruta atingiu 81,9% do Produto Interno Bruto (PIB), cenário que contribui para a manutenção do crédito mais caro e a redução da capacidade de investimento da economia.