CASO BRB/MASTER

Condomínio de R$ 30 mil com spa: os imóveis de luxo do presidente do BRB

Apartamentos de altíssimo padrão, em endereços restritos e com liquidez discreta são o perfil dos imóveis que Paulo H. Costa recebeu como propina no caso Master

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A lista de imóveis atribuídos pela operação da Polícia Federal ao ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa como propina para aprovar compra de carteiras do Banco Master ajuda a entender não só a dimensão do esquema investigado, mas também o tipo de ativo escolhido para substituir transferências diretas de dinheiro: apartamentos de altíssimo padrão, em endereços restritos e com liquidez discreta.

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Segundo a investigação, Costa teria recebido seis propriedades: quatro em São Paulo e duas no Distrito Federal, em um arranjo que pode chegar a R$ 146,5 milhões, dos quais cerca de R$ 74,6 milhões já teriam sido pagos. A documentação indica que os bens faziam parte de um "cronograma pessoal" do ex-dirigente, que visitava, validava e acompanhava as aquisições.

As imagens reunidas pela reportagem mostram empreendimentos com características comuns no mercado imobiliário de luxo: metragem elevada, poucos moradores e alto custo de manutenção. Em São Paulo, os empreendimentos ficam concentrados no eixo Itaim Bibi-Vila Olímpia, onde o metro quadrado figura entre os mais valorizados da cidade.

Um dos imóveis apontados pela investigação fica no Arbórea, no Itaim Bibi (zona sul de São Paulo). O condomínio tem apenas 28 apartamentos, um por andar, com metragens de 472 m² a 1.070 m², custando a partir de R$ 26 milhões e com condomínio de R$ 30 mil mensais.

Outro apartamento indicado na investigação como proprina fica no Casa Lafer, também no Itaim Bibi, onde as unidades variam de 424 m² a mais de 600 m². A área comum traz uma piscina climatizada com raia de 20 metros, além de sauna úmida e spa. Para comprar um apartamento no local é preciso desembolsar a partir de R$ 22 milhões, de acordo com a Homesphere e a Pilar -imobiliárias que negociam somente imóveis de altíssimo padrão.

O Heritage, também citado na investigação, leva a ideia de luxo ao extremo, com unidades que ultrapassam os 1.000 m² e design assinado pela marca italiana Pininfarina -conhecido pela indústria automotiva por assinar exclusividades como carros da Ferrari. Um apartamento com 570 m², quatro suítes e vaga de garagem cinematográfica para até cinco carros pode custar R$ 50 milhões.

Outro empreendimento citado, o Ennius Muniz, fica em Brasília e acaba de ser entregue aos compradores. O condomínio horizontal foi construído na área nobre da cidade, com vista livre para o parque Burle Max. Com 20 apartamentos de até 572 m², o valor ultrapassa os R$ 5 milhões na unidade menor, de 300 m² -custo elevado para a região.

Varanda gourmet com vista, no edifício Ennius Muniz, no DF
Varanda gourmet com vista, no edifício Ennius Muniz, no DF Reprodução/markimoveis

A investigação aponta outro imóvel no Distrito Federal, que ainda está na planta, no Valle dos Ipês, um condomínio fechado que tem uma reserva natural permanente como vizinha. Localizado a cinco minutos da Ponte JK, o empreendimento terá seis torres, com apartamentos sendo anunciados a partir de R$ 4,3 milhões.

A decisão assinada pelo ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal) diz que, para viabilizar o pagamento e ocultar a titularidade dos imóveis, havia a atuação do advogado Daniel Monteiro, que também foi preso na operação e apontado como arquitto jurídico do Master. Ele teria recebido R$ 86 milhões para participar de todo o esquema do banco de Daniel Vorcaro.

O documento o descreve como "agente-chave da vertente jurídica" do esquema, responsável por formalizar transações entre Master, Tirreno e BRB e por ocultar o beneficiário real das aquisições imobiliárias.

Para isso, segundo os investigadores, Monteiro teria operado uma rede de empresas de fachada e fundos de investimento. As apurações indicam que ele chegou a indicar o próprio cunhado para figurar como diretor das empresas usadas nas compras.

Ainda de acordo com a decisão, sua atuação incluía dar aparência de legalidade às operações, com a elaboração e ajuste de contratos, extratos e outros documentos que, posteriormente, foram considerados inconsistentes ou artificiais pelo Banco Central.

A defesa de Daniel Monteiro informa que ele foi surpreendido, nesta quinta-feira (16/4), com a decisão de prisão. Ressalta que sua atuação sempre se deu estritamente no âmbito técnico, advogando para o Master, assim como para diversos outros clientes. Diz ainda que Daniel permanece à disposição da Justiça e confia que tudo será esclarecido no curso da investigação.

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O advogado Cléber Lopes, que faz a defesa de Costa, afirmou que seu cliente não praticou crime algum e que a prisão realizada foi um exagero por parte da Justiça. "A defesa continua firme na convicção de que o Paulo Henrique não cometeu crime algum", disse Lopes ao deixar o apartamento do ex-presidente do BRB no bairro Noroeste, em Brasília, onde ocorreu a prisão.

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