PIB de Minas Gerais cresce 1,4% em 2025; desaceleração gera preocupação
Segundo semestre do ano passado teve uma redução do crescimento em comparação ao mesmo período de 2024
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O produto interno bruto (PIB) do estado de Minas Gerais cresceu 1,4% em 2025, totalizando R$ 1.157,2 bilhões — o que representou uma participação de 9,1% no PIB nacional. Os números foram divulgados nesta terça-feira (17/3) pela Fundação João Pinheiro (FJP). Apesar do resultado positivo, entidades ligadas ao setor produtivo alertam para indicadores que sinalizam uma desaceleração da economia.
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Na primeira metade do ano passado, a economia mineira vivenciou altas em comparação ao mesmo período de 2024, com o crescimento do PIB de 1,6% no 1º trimestre e de 2,2% no 2º trimestre. Contudo, a variação diminuiu na segunda metade do ano, com aumento de 1,0% no 3º trimestre e de 0,5% no 4º trimestre.
Os setores que mais impulsionaram a economia mineira foram o da agropecuária (+3,2%) e de serviços (1,6%). Em terceiro lugar, com um crescimento modesto, ficou a indústria (+0,3%). Entidades ligadas a este setor emitiram comunicados demonstrando preocupações com a desaceleração da economia, atribuindo como principais obstáculos as altas taxas de juros.
Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) aponta que 56% dos empresários industriais têm planos de investimento para 2026. Dentro deste grupo, 62% das empresas planejam recorrer apenas ou majoritariamente a recursos próprios. Segundo análise da CNI, tal situação ocorre devido à dificuldade de se conseguir crédito ante os juros elevados.
A avaliação é a mesma da indústria mineira. Segundo análise da Federação das Indústrias de Minas Gerais (FIEMG), a desaceleração da economia no estado é resultado de um ambiente macroeconômico mais restritivo, com juros altos e incertezas econômicas.
“O cenário indica que, mesmo com cortes previstos para a Selic, a política monetária deverá permanecer restritiva e continuará influenciando as decisões de consumo e investimento”, declarou o economista-chefe da FIEMG, João Gabriel Pio.
Outros destaques
Dentro da indústria, o segmento que teve maior crescimento acumulado no ano foi o extrativo mineral (+3,1%). A indústria de transformação registrou uma leve alta (+0,6%), enquanto que os setores de construção civil (-2,2%) e energia e saneamento (-1,2%) sofreram retração.
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O setor da agropecuária, apesar de retrações no segundo semestre de 2025, foi responsável pelo maior crescimento percentual no acumulado do ano. Análise da FJP mostra que houve diminuição nas colheitas de safras de café, feijão e cana-de-açúcar, o que foi compensado pela produção mais elevada de soja, milho, batata-inglesa, leite, abate de suínos, ovos e insumos para a fabricação de papel e celulose e para metalurgia.