A Feijoada de Ogum representa uma das tradições mais marcantes das religiões de matriz africana no Brasil, especialmente na Umbanda e no Candomblé, onde o prato vai além de uma simples refeição: ele é uma oferenda sagrada, um símbolo de gratidão, força e união comunitária dedicada ao orixá Ogum.
Ogum, o orixá guerreiro, senhor das estradas, do ferro, da metalurgia, da agricultura e da proteção, é sincretizado com São Jorge no catolicismo popular brasileiro. Ele simboliza a coragem, o trabalho árduo, a renovação, a saúde e a abertura de caminhos. Nas casas de santo, as oferendas a Ogum frequentemente envolvem elementos que evocam fartura, força e comunhão, e é aí que a feijoada entra como uma das principais expressões culturais e espirituais.
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Por que a feijoada é tão importante para Ogum?
A relação profunda entre o prato e o orixá tem raízes simbólicas e culturais:
- O feijão (especialmente o feijão-preto) é o ingrediente central e sagrado para Ogum. Ele representa fartura, prosperidade e nutrição, qualidades associadas ao trabalho da terra e à agricultura — domínios que o orixá protege. Além disso, o feijão é rico em ferro, elemento diretamente ligado a Ogum, o senhor do ferro e das ferramentas.
- A feijoada, preparada com feijão, carnes variadas, temperos e acompanhamentos, é uma comida coletiva por natureza: ninguém faz feijoada para uma pessoa só. Ela une famílias, amigos e comunidades, refletindo o papel de Ogum como protetor da civilização, da ordem social e da vida em grupo.
- Nas tradições afro-brasileiras (principalmente de origem baiana), o prato é consagrado como oferenda ao orixá, muitas vezes preparado em rituais específicos, como nos dias dedicados a ele (terças-feiras ou especialmente em 23 de abril, Dia de Ogum/São Jorge). A feijoada simboliza gratidão pelas vitórias, proteção recebida e força para enfrentar batalhas cotidianas.
- Mais do que alimentar o corpo, ela nutre a alma, promove a alegria, a paz e a solidariedade, combatendo preconceitos e valorizando a cultura afro-brasileira.
A 2ª Feijoada de Ogum em Matozinhos/MG
A 2ª Feijoada de Ogum será no dia 2 de maio, das 9h às 18h, em frente ao Palácio da Cultura, em Matozinhos
Seguindo essa rica tradição, a Tenda de Umbanda Família de Fé (TUFF) — liderada por Mãe Cláudia e Pai Cláudio — realiza a 2ª Feijoada de Ogum no dia 2 de maio, das 9h às 18h, em frente ao Palácio da Cultura, em Matozinhos, Minas Gerais.
O evento dá continuidade ao sucesso da primeira edição, realizada no ano anterior, que reuniu grande participação popular e trouxe muito aprendizado à comunidade. A expectativa é receber cerca de 600 pessoas, com distribuição gratuita da feijoada e uma programação cultural vibrante, incluindo blocos de terreiro e artistas locais.
“O objetivo principal é celebrar a força, a fé e a proteção de Ogum, ao mesmo tempo em que promove a união comunitária, o respeito mútuo e a solidariedade. Mais do que um momento espiritual, a Feijoada de Ogum busca desmistificar preconceitos contra as religiões de matriz africana, valorizar a herança afro-brasileira e fortalecer ações sociais na região”, diz Pai Cláudio.
Pai Cláudio reforça o convite: "Será uma feijoada beneficente para agregar a Umbanda aqui na nossa cidade. Eu queria convidar todos para que possamos unir a ancestralidade de nossos povos de matriz africana. Infelizmente tem muito preconceito com a nossa religião, com nossos povos. Por isso, conto com a presença de todos".
Para viabilizar o evento, a casa de santo está recebendo doações e apoios, como:
- Alimentos e insumos para o preparo (feijão, carnes, arroz, couve, farinha, temperos, óleo etc.);
- Bebidas (água, refrigerantes, sucos);
- Materiais descartáveis (pratos, copos, talheres, guardanapos, embalagens);
- Gás de cozinha;
- Apoio na divulgação e parcerias comunitárias.
Contribuições financeiras podem ser feitas via PIX: CNPJ 63.615.377/0001-75 (Terreiro de Umbanda Família de Fé).
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Eventos como esse reforçam que a feijoada, quando oferecida a Ogum, transcende o paladar: ela é um ato de resistência cultural, gratidão espiritual e construção coletiva. Ogum abre caminhos — e, com uma boa feijoada, esses caminhos se tornam mais unidos, fortes e cheios de axé. Ogum yê.
