Após depredações à sede, centro de convivência LGBTQIAPN+ de BH busca apoio
Fundada em 2023, aKasulo teve a sede invadida e depredada três vezes entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026
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A sede da aKasulo, espaço referência para população LGBTQIAPN+ localizado na Região do Barreiro, em Belo Horizonte, sofreu sucessivos episódios de invasão e depredação no fim de 2025. O espaço, que completou três anos em janeiro deste ano, busca apoio para se reestruturar após os ataques.
Fundada em 2023 como Centro de Convivência LGBTQIAPN+, a proposta da aKasulo é atuar com acolhimento, cuidado coletivo, redução de danos, educação, arte e cultura, memória, agroecologia, distribuição de doações e encaminhamentos para serviços públicos. São atendidas, principalmente, pessoas trans e travestis em situação de rua ou abrigo, jovens LGBTQIAPN+ e familiares, além de artistas, ativistas, servidores públicos e pesquisadores.
Entre dezembro de 2025 e janeiro deste ano, a sede da aKasulo foi invadida em diferentes ocasiões. Segundo a equipe da instituição, foram pelo menos três invasões. Foram registrados três boletins de ocorrência junto à Polícia Militar, relatando furto de eletrodomésticos, eletrônicos, móveis, fiação e materiais estruturais como telhas, além de danos ao imóvel, como arrombamento de portas e portões. A equipe também procurou a Polícia Civil, mas, até o momento, não teve retorno sobre as investigações.
Não foi a primeira vez que a instituição sofreu com problemas de segurança na região. Em 2025, membros da equipe e participantes do centro de convivência tiveram automóveis roubados ou depredados em frente à sede, em uma das ruas mais movimentadas do centro comercial do Barreiro. Os vizinhos da aKasulo também já relataram problemas com assaltos na rua, tanto a imóveis quanto a automóveis.
Mesmo com reforço de segurança feito pela aKasulo, com barreiras e novas fechaduras, os ataques à sede se repetiram, deixando prejuízos materiais significativos e afetando o funcionamento das atividades. Além das perdas materiais, integrantes do coletivo relataram episódios de violência institucional durante o registro das ocorrências, incluindo desrespeito a nomes sociais e tratamento inadequado por parte de agentes públicos.
Transição
Diante desse cenário, a aKasulo anunciou que irá mudar de endereço e iniciar um processo de reestruturação de suas atividades em 2026. A decisão ocorre por receio de reincidência das invasões e também como estratégia de fortalecimento institucional.
“Vai ser um ano de transição para nós. Desde que a gente abriu, a gente tem uma casa. Nós somos um centro de convivência, então sempre foi do nosso desejo ter um espaço apto para receber muita gente, para a gente poder conviver, cozinhar juntos, ser uma casa mesmo. Acho que pensando no contexto familiar de muitas pessoas trans e travestis que tem esse abandono familiar, a gente sempre fez muita questão de ter um espaço em que a gente pudesse conviver, estar junto, descansar…" disse uma das coordenadoras do coletivo, Letícia Rú.
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“Esse ano teremos um espaço novo para a gente fazer as nossas atividades, executar os nossos projetos. Mas esse ano provavelmente não teremos uma casa como era antes, de portas abertas, uma casa que dá pra gente fazer um natal com muita gente, um churrasco com muita gente. Então, esse ano será um momento de transição até a gente conseguir se estruturar internamente para eventualmente ter uma casa nova.” continuou Letícia, que também afirmou que a organização vai continuar atuando no Barreiro e reforçando parcerias com coletivos culturais, movimentos sociais e representantes políticos locais.
“Mas a ideia é que seja um ano itinerante também, de certa forma, que a gente tenha um espaço base, mas que a gente fortaleça os nossos vínculos institucionais, as nossas parcerias também e que a gente consiga circular mais pela cidade com os nossos projetos”. finalizou Letícia.
Como apoiar
A aKasulo inicia agora uma campanha pública de apoio para viabilizar sua reconstrução, aquisição de novos equipamentos e manutenção de projetos sociais. É possível apoiar com doações via pix ou pela vaquinha recorrente da instituição. Além das doações, a organização procura voluntários, principalmente para as áreas de comunicação, saúde, pedagogia, administração e captação de recursos.
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Será realizado também um mutirão para a reparação da antiga sede, necessária para a entrega do imóvel. Orientações sobre formas de apoio podem ser encontradas no Instagram da organização.
A aKasulo
A aKasulo é um Centro de Convivência LGBTQIAPN+ que atua desde 2023, atendendo pessoas trans e travestis em situação de rua ou abrigo, jovens LGBTQIAPN+ e familiares, além de artistas, ativistas, servidores públicos e pesquisadores.
A ONG já foi aprovada em seis editais públicos, distribuiu mais de duas toneladas de doações por meio do Projeto Compartilha, viabilizou o acesso de mais de 100 pessoas a atividades culturais, produziu dois curta-metragens e atendeu mais de 500 participantes.
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* Estagiária sob supervisão da subeditora Tetê Monteiro