Apesar de ter sido fundada por um casal da Letônia e de seu nome ser o mesmo da capital da Dinamarca, a Kopenhagen é mais que brasileira: tem sotaque mineiro. Os produtos da marca quase centenária saem de uma (única) fábrica, que fica em Extrema, cidade no Sul de Minas Gerais. Na semana passada, ela abriu as portas para a reportagem do Estado de Minas e mostrou como funciona a produção de clássicos como a nhá benta e o bombom de cereja.



Para entrar na fábrica, é preciso vestir jaleco, touca e sapato fechado. Os visitantes ainda passam por uma área de higienização, onde tem aspirador para sugar pelos, máquina para escovar o calçado e pia para lavar as mãos. Lá dentro, as máquinas funcionam 24 horas por dia para que consigam produzir 250 variedades de produtos, entre chocolates, balas e outros doces. O volume em quilos não é revelado.



O envolvente cheiro de chocolate surge logo nos primeiros passos - e continua a ser companhia durante toda a visita, afinal, ele é a matéria-prima principal. "Não tem como você não se encantar quando vê muito chocolate", comenta a diretora da fábrica, Sarah De Pietro, chocólatra assumida, ao traduzir o encantamento de quem tem a oportunidade de ver de perto a produção. A Kopenhagen utiliza apenas cacau brasileiro, fornecidos pela Bahia, Pará, Espírito Santo e Rondônia.




Cereja do Chile


Mesmo com o uso de equipamentos tecnológicos, a fábrica continua a investir no trabalho manual, que acompanha a sua história desde o início. O líder de marketing Pedro Velardo destaca que existem processos que se mantêm há 80 anos, quando os produtos foram lançados, e utiliza a palavra artesania para descrevê-los. "De alguma forma tem muita gente ali colocando as mãos, então tem um quê de afeto também, é um ser humano criando um produto que chega na mão de outra pessoa."


Os bombons de cereja são embalados a mão em papel-alumínio vermelho com uma fitinha que alerta para a possibilidade de conter caroço

Celina Aquino/EM/D.A Press



O bombom de cereja é o que melhor explica isso, já que envolve um processo 100% artesanal. "Compramos a cereja do Chile, ela vem embebida em licor. Depois que chega na fábrica, colocamos em outra solução licorosa para absorver bastante o alcoólico, que é característico[do produto]", explica a gerente de pesquisa e desenvolvimento Júlia Nicolato.




Na próxima etapa, as cerejas ganham camadas de açúcar, chamadas de fondant. Depois são banhadas, uma a uma, no chocolate ao leite. Por fim, terminam embaladas à mão no papel-alumínio vermelho com a fitinha amarela que alerta sobre a possibilidade de conter caroço. Entre a chegada da fruta e a ida para as lojas, são pelo menos 14 dias. Aquele líquido que escorre, quando partimos ou mordemos o bombom, é a mistura do licor que sai da cereja com o açúcar derretido.



Mãos atentas


A produção da nhá benta também envolve etapas manuais. O marshmallow, já cilíndrico, é apoiado na base de wafer e vai andando pela esteira até passar pelo generoso banho de chocolate. Olhos e mãos estão sempre atentos para garantir o padrão na cobertura e no formato. Se algo foge do esperado, é retirado rapidamente da linha de produção. Há também quem se dedique a fazer a dobradura do papel que embala o produto que continua a seguir a mesma receita.



Dentro da fábrica existe um setor que se chama padaria, justamente porque é onde são produzidas as massas dos biscoitos, incluindo o famoso wafer que tem pasta de castanha-de-caju entre as camadas, cobertas com chocolate ao leite.


Dentro da fábrica existe um setor que se chama padaria, justamente porque é onde são produzidas as massas dos biscoitos, incluindo o famoso wafer

Celina Aquino/EM/D.A Press




Mãos preparam o chocolate, modelam bombons, esticam a bala de leite e até fazem os laços das caixas que chegam às casas dos clientes. "Eu me lembro que as pessoas sempre falavam, você tem que aprender a fazer um laço, então o laço é artesanal, assim como o origami - a gente chama de origami a embalagem da nhá benta. Todo esse cuidado, esse carinho, você leva isso junto na sua história", destaca Sarah De Pietro.



Retorno de clássicos


Neste mês, a Kopenhagen voltou a produzir três bombons clássicos, atendendo a pedido dos consumidores, todos com cobertura de chocolate. São eles: Jelly Garden (geleias de morango, laranja e limão); Coco Hits (recheio cremoso de coco) e Avelã (pasta de avelã e pedaços crocantes da castanha).



Entre os lançamentos, destaque para a Nhá Benta 4 Clássicos, que une os principais clássicos da marca: a base de wafer do Lajotinha, o tradicional marshmallow Nhá Benta, a cobertura do chocolate Língua de Gato e a finalização com Crocantinho (confeitos de açúcar cobertos com chocolate). As novidades fazem parte da campanha "Icônica desde sempre", já nos preparativos para comemorar seu centenário.




Como tudo começou


A Kopenhagen foi fundada em São Paulo, no ano de 1925, pelo casal da Letônia Anna e David Kopenhagen. A primeira receita criada foi o marzipã, doce feito com pasta de amêndoas moídas, açúcar e clara de ovo, que não está mais na linha de produção da marca. Nas décadas seguintes, vieram produtos que se mantém até hoje, marcando gerações e preservando as mesmas receitas.



A marca, precursora na categoria de chocolates finos no Brasil, foi comprada pela família Moraes em 1996 e se tornou o Grupo CRM - são as iniciais do então proprietário, Celso Ricardo de Moraes. Em 2024, a empresa foi vendida para a multinacional suíça Nestlé, que assumiu as marcas Kopenhagen, Chocolates Brasil Cacau e Kop Koffee.

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A fábrica da Kopenhagen foi transferida de São Paulo para Minas Gerais em 2010, quando passou a ocupar uma área de mais de 30 mil metros quadrados em Extrema, na Região Sul. Ao todo, a empresa emprega 979 funcionários.


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