12ª edição do jantar solidário Chefs Contra o Câncer tem elenco feminino
Noite de gala em prol da Casa de Acolhida Padre Eustáquio (Cape) promete ser uma experiência imersiva e única, que vai além dos sabores
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Em setembro, mês de conscientização sobre o câncer infantojuvenil, grandes nomes da gastronomia brasileira unem forças e panelas em um evento já tradicional em Belo Horizonte. Além de arrecadar fundos para a Casa de Acolhida Padre Eustáquio (Cape), o jantar de gala Chefs Contra o Câncer, que realizará sua 12ª edição na próxima terça-feira, dia 29, reforça o alerta para a importância do diagnóstico precoce. O tema deste ano é “Brasis à mesa”.
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O coquetel que antecede o jantar ficará a cargo de Patrícia Soutto Mayor, à frente do bufê Célia Soutto Mayor. Quando os convidados estiverem sentados, será servido o menu degustação com pratos assinados pelas chefs Flávia Quaresma, do Rio de Janeiro; Mariana Correa, confeiteira e professora de BH; Ana Gabi Costa, do Trintaeum, em BH; Dayse Paparoto, do Paparoto Cucina, com unidades em São Paulo e Porto Alegre; e Saiko Izawa, do Hotel Rosewood, em São Paulo.
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Para além do time feminino de peso, que deve ganhar os comensais pela barriga, a noite vai contar com atrações que mexem com outros sentidos. “Nossa ideia é proporcionar uma experiência diferente para o público doador, até porque temos uma grande repetição de quem nos prestigia a cada ano”, explica Mônica Araújo, superintendente da Cape.
Na transição do coquetel para o jantar, artistas circenses se apresentarão. Além disso, cada uma das etapas do menu serão combinadas com projeções nas paredes do espaço CentoeQuatro, no Centro de BH, onde será realizado o evento, embalado por uma apresentação musical.
Diferentes Brasis
Os pratos foram criados pelas chefs como uma representação do Brasil. Segundo Mônica, essa iniciativa tem relação com a própria Cape, que, apesar de ser mineira, atende crianças e adolescentes de todo o país.
As ilustrações desenvolvidas por Milena Thomazella, designer da doBrasil Live Marketing, empresa que assina a direção artística do jantar, são inspiradas nas receitas e nos Brasis retratados pelas chefs. A cada etapa, as animações e composições de cenas, criadas pelo artista Homem Gaiola a partir dos desenhos, serão projetadas e complementadas por uma apresentação musical bem brasileira.
“Deixamos as chefs pensarem nos pratos para depois construirmos o tema. Isso deu um resultado legal de vários Brasis à mesa. Não ficou nada óbvio e linear”, destaca Laura Braga, gerente de planejamento e criação da doBrasil.
Outro grande diferencial desta edição será o maior contato com as chefs. A ideia é que elas apresentem para o público os seus pratos e também expliquem por que, afinal, eles representam o Brasil.
Abre-bocas

O jantar começará com um coquetel que terá canapé de manga e parma entre as criações do bufê Célia Soutto Mayor Célia Soutto Mayor/Divulgação
Para o momento do coquetel, que antecede o menu degustação, Patrícia Soutto Mayor, do bufê Célia Soutto Mayor, elegeu criações de sucesso que tivessem um toque brasileiro. Canapé de manga e parma; tartelete de farinha de arroz com ragu de linguiça; camarões grelhados em molho shoyu; bolinhos de filé-mignon com cana-de-açúcar e aioli de ervas; e massa folhada recheada com palmito pupunha e molho de aceto balsâmico abrem a noite.

Patrícia Soutto Mayor está feliz em dividir a noite com chefs renomadas em prol de uma boa causa Célia Soutto Mayor/Divulgação
“Pensamos em uma seleção que atendesse o perfil do público, mas que, de alguma forma, os surpreendesse”, diz. Patrícia ainda reforça a felicidade em dividir a noite com chefs tão renomadas, todas em prol de uma boa causa. “Para nós, como empresa, é importante participarmos de ações que vão ajudar outras pessoas, fazer o bem mesmo.”
Oxigênio para o coração
O primeiro passo do menu é uma criação de um dos nomes mais célebres da gastronomia brasileira: Flávia Quaresma. A chef carioca, que carrega bagagem de mais de 25 anos na cozinha, escolheu representar o Brasil por meio da Amazônia.
“Este prato foi criado especialmente para o evento. Escolhi a Amazônia pensando que ela representa esse grande pulmão para o Brasil e para o mundo. Minha ideia foi trazer um pouco da potência da região para, simbolicamente, oxigenar também o coração das pessoas presentes no jantar”, conta.
Encontro de culturas

Com a sua receita, Flávia Quaresma quer valorizar ingredientes e produtores, mostrando que a cozinha brasileira está aberta para o mundo Arquivo pessoal
A mistura de camarões, feijão-manteiguinha, cuscuz de mandioca e “ajo blanco” paraense propõe uma viagem profunda pelo Norte do país. “Quis trabalhar com sabores genuinamente brasileiros e com ingredientes ancestrais da nossa cozinha, como a mandioca e a castanha-do-Pará. Tudo de uma forma simples e leve, preservando a identidade desses ingredientes, mas dialogando com técnicas e preparos de outras culturas”, explica a chef.
O “ajo blanco paraense”, inclusive, é o exemplo perfeito disso, segundo Flávia. “A tradicional sopa espanhola ganhou a castanha-do-Pará e o tucupi; a textura e a brasilidade vieram da farinha d’água. Para completar, entram camarões, quiabo e abóbora, ingredientes muito presentes nas cozinhas do Norte do Brasil.”
Esse diálogo da cultura alimentar e das riquezas brasileiras com o mundo é um traço da cozinha de Flávia, que optou por agraciar o público com um prato inédito, que exprime muito bem a sua identidade como chef. “Quis trazer um Brasil que valoriza seus ingredientes e seus produtores, mas que também está aberto ao mundo, ao encontro com outras culturas e outras técnicas, sem perder a sua essência”, completa.
Sabores de infância

Coco, abacaxi, nibs de cacau e beterraba: o que era sobremesa vira entrada no menu degustação beneficente Arquivo pessoal
A representação de Brasil de Mariana Correa, responsável pelo segundo ato do menu, passa pela sua infância. “O Brasil que escolhi trazer é o que conheço desde pequena. São sabores que eu gostava muito quando criança e trouxe de uma forma diferente.”
O abacaxi com coco, que, para ela é “uma das melhores combinações que existem”, é traduzido em dois elementos que compõem o prato: creme de coco e sorbet de abacaxi. Com eles, serão servidos nibs de cacau e beterraba glaceada e crocante.
“Quis fazer uma brincadeira com a beterraba, que foi uma das formas que minha mãe achou de me apresentar comidas e sabores”, conta, relembrando a infância, quando tinha dificuldade de comer alguns legumes e bebia suco de abacaxi com beterraba preparado pela mãe.

A forma como Mariana Correa vai representar o Brasil tem a ver com sabores familiares, só que apresentados de formas diferentes Bruno Gonzaga/Divulgação
A receita faz parte do seu projeto “Jantar de sobremesas”, em que serve “pratos muito equilibrados e ingredientes que geralmente não vemos na confeitaria.” No jantar Chefs Contra o Câncer, o prato vai ocupar o lugar de entrada e preparar o paladar para os que serão servidos na sequência. “Ele tem um dulçor mínimo, praticamente não tem açúcar adicionado. Encaixa bem como uma entrada e limpa o paladar para a chegada dos principais”, esclarece.
Setembro Dourado

A pavlova de manga e abacaxi, que em BH terá acréscimo de compota de berinjela e maracujá, já é servida no Hotel Rosewood, em São Paulo Arquivo pessoal
A noite seguirá com dois pratos principais, que serão explicados em detalhe na próxima página, e se encerrará com a sobremesa da chef Saiko Izawa. Esta será a terceira vez que ela vai participar do evento.
Responsável pelas criações doces do Hotel Rosewood, em São Paulo, Saiko escolheu servir uma pavlova de manga e abacaxi, que já está na operação da casa, mas vai acrescentar uma compota de berinjela e maracujá nesta versão para o jantar de BH.

Saiko Izawa escolheu as frutas amarelas para remeter ao clima solar do país e o propósito do Setembro Dourado Felipe Lourenc?o/Divulgação
“O Brasil tem frutas maravilhosas e as que vou usar são fáceis de serem encontradas no mercado”, reflete, destacando a intenção de facilitar a logística do evento. Com o uso das frutas amarelas, além de representar o clima solar do Brasil, Saiko associa a cor ao mês da conscientização do câncer infantojuvenil, o Setembro Dourado.
Harmonização com vinhos
Cada uma das etapas do jantar será harmonizada com vinhos. Por trás das escolhas, está Laura Fonseca, do Taste-Vin, restaurante no Lourdes, Região Centro-Sul de BH. Ela explica que serão servidos espumante, branco leve, branco meio seco, tinto leve e seco, tinto encorpado e um vinho doce para acompanhar a sobremesa.
Segundo Laura, que participa pela primeira vez, seu pai, o chef e proprietário do Taste-Vin, Rodrigo Fonseca, tem uma grande admiração pelo trabalho da Cape e já participou de várias edições. Neste ano, ele apoia a filha na curadoria dos vinhos.
Brasil do quintal
Os dois pratos principais do jantar Chefs Contra o Câncer apostam em ingredientes cotidianos para muitos brasileiros, sobretudo aqueles que têm ligações com as riquezas da terra e do quintal.
Assim como faz no restaurante que comanda em BH, o Trintaeum, no Lourdes, Região Centro-Sul da cidade, a chef Ana Gabi Costa traduz Minas Gerais no seu prato para o evento. “Não tem outra resposta, o Brasil que eu represento é o Brasil Minas Gerais”, defende.

Chef do Trintaeum, Ana Gabi Costa aposta em elementos frescos, como coalhada, cheiro-verde e mexerica, para combinar com o copa lombo Victor Schwaner/Divulgação
Aliás, parte fundamental do que servirá no jantar beneficente foi importada do menu fixo da casa. O corte de copa lombo temperado na cachaça e braseado costuma ser servido com angu de canjica, milho e taioba, mas, no Chefs Contra o Câncer, será guarnecido com abóbora, coalhada, cheiro-verde com couve e toque de mexerica e chips de banana.
“Vamos trazer elementos com frescor que fogem um pouco da expectativa de um acompanhamento para a carne de porco, e eu gosto de ter sabor de frutas próximo dos cortes suínos”, justifica a chef.
Com costela

Costela desfiada e prensada é a estrela do último prato principal, que ainda tem aligot de mandioca, vinagrete de milho, jiló e quiabo grelhado Tiago Reis/Divulgação
Natural de Mogi das Cruzes (SP), a chef Dayse Paparoto, à frente do restaurante Paparoto Cucina, com unidades em São Paulo e Porto Alegre, também faz uma homenagem ao estado mineiro.
O prato que vai servir no jantar une costela assada lentamente e desfiada, aligot de mandioca com queijo meia cura, vinagrete de milho, jiló e quiabo grelhado. Esta será a primeira vez que a chef servirá a costela com esses acompanhamentos.

Para garantir o padrão, Dayse Paparoto vai trazer de sua cozinha de produção, em São Paulo, todas as porções da carne que servirá no jantar Paparoto Cucina/Divulgação
A carne mostra sua versatilidade ao aparecer de diferentes formas no menu do Paparoto Cucina. Atualmente, está em forma de ragu com pappardelle e prensada com mousseline de polenta trufada (pratos exclusivos da unidade de Porto Alegre), mas também já apareceu laqueada com melaço de cana e acompanhada de cuscuz marroquino, purê de abóbora e salada.
Aqui, inclusive, entra a dimensão logística destacada pela chef na escolha do prato. “É uma carne que já foi marinada, assada lentamente e desfiada. E muita gente chega querendo comer minha comida, então prefiro já trazer esse item sem correr riscos, com o tempero e textura perfeitos”, explica Dayse, que vai trazer de sua cozinha de produção, em São Paulo, todas as porções de costela para o jantar.
Últimos dias de circuito
Desde o ano passado, o Circuito Chefs Contra o Câncer está atrelado ao jantar de gala na missão de difundir a conscientização sobre o câncer infantojuvenil e, claro, arrecadar fundos para a Cape. Na edição deste ano, que vai até a próxima quarta-feira, dia 30, 37 endereços participam com um prato cuja parte do valor de venda é destinada à instituição. Em 2026, o circuito também chegou a São Paulo. O restaurante Le Jardin, do Hotel Rosewood, na capital paulista, está entre os participantes. A lista completa de bares, restaurantes, cafeterias e confeitarias envolvidos pode ser consultada no site em.com.br/degusta.
Serviço
12º Jantar Chefs Contra o Câncer
Data: 29 de setembro
Local: Complexo CentoeQuatro (Praça Rui Barbosa, 104, Centro)
Ingressos: R$ 1.000 por pessoa, em benefício da Cape
Informações e vendas: (31) 99204-0008
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Anote a receita: angu de canjica da chef Ana Gabi Costa, do Trintaeum

No Trintaeum, o Porco SEem Mágoas é servido com angu de canjica, molho de cachaça, milho e taioba Victor Schwaner/Divulgação
Ingredientes:
- 230g de fubá de canjica (fubá de milho branco);
- 600ml de água;
- 1 litro de leite;
- 130g de queijo Minas artesanal;
- 100g de manteiga;
- Sal a gosto
Modo de fazer:
- Em uma panela ainda fria, misture o fubá de canjica, a água e o leite.
- Leve ao fogo baixo e cozinhe por cerca de 40 minutos, mexendo sempre, até obter um angu cremoso e bem cozido.
- Finalize com o queijo Minas artesanal, a manteiga e sal a gosto.
- Misture bem até incorporar e sirva em seguida.
- No restaurante Trintaeum, o angu de canjica é servido com copa lombo braseado, molho de cachaça e limão, milho e taioba.