A cada ano, a Casacor Minas se desafia a lançar tendências, não apenas em design e arquitetura, mas também no campo da gastronomia. Desta vez, é claro, a missão é a mesma. Para isso, a mostra aposta, em sua 31ª edição na capital mineira, em cinco espaços que se dividem em bares, restaurante e cafeteria. A seguir, revelamos, com exclusividade, os detalhes de cada uma das operações gastronômicas do evento que promete agitar a cidade ao longo das sete semanas de duração.

Alethéa Ruckert e Max Catolino, casal à frente do restaurante Rivo, no Lourdes, Região Centro-Sul de BH, estreia na Casacor Minas em grande estilo. Isso porque os chefs não vão comandar nem um e nem dois, mas, sim, três espaços diferentes. “Aumenta ainda mais a visibilidade e nos permite trabalhar com outro cardápio e tipo de serviço”, ele destaca.

O bar Rivo, assinado pelo arquiteto Guilherme Morethzson, será dividido em dois ambientes: o primeiro andar, que é aberto ao público em geral e conta com um cardápio mais amplo, e o segundo piso, que funcionará como listening bar, já que a programação musical contará com DJs, e speakeasy, também chamado de bar secreto, afinal de contas, os clientes precisarão “descobrir” como ir até lá ou mesmo serem convidados pela mostra ou pelos chefs.

Nesse espaço mais restrito e de clima bem intimista, o menu também será mais exclusivo. “Os coquetéis serão ainda mais trabalhados e feitos com bebidas ainda mais ‘premium’”, explica Max.
Na parte de comidas, ingredientes como trufa fresca, tucupi negro e caviar entram em cena. A dupla de fondant de batata-baroa com bacalhau mantecato (pasta emulsionada feita com peixe e azeite), pó de azeitona e coentro será uma entrada exclusiva da operação de cima e poderá contar com adicional de caviar.

O vitello tonnato de língua com gel de foie gras, cereja amarena e azedinho; e a mistura de camarão, creme de milho, tucupi negro, picles de milho, espuma de jus de camarão e óleo de coentro também serão destinados apenas aos clientes do listening bar.

Entre os pratos principais, destaca-se o fusilli com camarão e molho beurre blanc. Já na parte doce, serão duas sobremesas exclusivas. A primeira delas une chocolate, trufa fresca, Baileys, avelã, cogumelos e chocolate branco; e a segunda, famosa criação de Alethéa, que tem tudo a ver com sua passagem pela cozinha do gigante chef Massimo Bottura, na Itália, é uma releitura inusitada do carbonara, feita com creme de pecorino, creme de banana, guanciale e espuma de pimenta-do-reino.

No andar de baixo

Camarão e milho formam dupla em uma das entradas que serão servidas exclusivamente no listening bar do Rivo

Jair Amaral/EM/D.A Press

A operação do bar Rivo não fica para trás. Lá, os clientes vão encontrar entradas como as empanadas – criolla, com carne e molho bernaise de chimarrão ou de queijo com cebola –, que evocam a Argentina, terra natal de Max; o prato importado do restaurante deles, que une água de tomate, tomate defumado, pasta de tomate fermentada, gelatina de tomate, lardo e óleo de basílico; e o surpreendente sushi de PF.
A preparação consiste em uma base de arroz tostado, tutu de feijão, fatia fina de rosbife, emulsão de gema e batata chips. “É uma maneira de reinterpretar um prato que é um clássico brasileiro”, comenta o chef.

Quem tiver fome de prato principal poderá degustar um plin (massa recheada) de ricota com fonduta trufada ou um arroz meloso de pato com maionese de páprica, receita tradicional de Max que tem lugar cativo no menu do restaurante. Já nas sobremesas, chama a atenção a chocotorta argentina com crocante de chocolate, doce de leite com café, cupuaçu e creme de café.

O sushi de PF promete surpresas ao combinar arroz tostado, tutu de feijão, rosbife, emulsão de gema e batata chips

Jair Amaral/EM/D.A Press

Bar de bolhas

Provavelmente a operação gastronômica mais criativa e inusitada da mostra é o chamado Bar de Bolhas. O espaço, que vai evidenciar o perlage de espumantes, frisantes e também a leveza de bebidas como a sidra e o chope, é uma banca de jornal.

Segundo Eduardo Faleiro, diretor da mostra em Minas, a ideia – que foge da arquitetura e atinge o urbanismo – é revisitar também a função editorial das bancas, que passaram, muitas vezes, a serem pontos de venda de eletrônicos. “Queremos propor essa vida na rua. Vamos mostrar como esse mobiliário urbano pode ser super charmoso.”

Assinado por Marcelo Alvarenga e Juliana Figueiró, da Play Arquitetura, o bar vai contar com um menu mais enxuto do Rivo. “Gostamos dessa ideia de revitalização das bancas, que estão entrando em extinção. Tudo que servirmos vai sair dali, por isso tivemos que adaptar bastante o menu. Vamos focar em acepipes, picles, conservas…”, conta Alethéa.

Café como protagonista

Toasts e drinques com café são os destaques do menu do Cria Café, que retorna pelo segundo ano consecutivo à Casacor Minas

Marcus Santiago/Divulgação

Pelo segundo ano consecutivo, o Cria Café, de Alessandro e Jéssica Almeida, é quem opera a cafeteria da mostra. Dessa vez, o casal mais que quadruplicou a capacidade de atendimento do espaço – no último ano, eram nove lugares. Agora, serão 40.

Outra novidade é a possibilidade de os clientes passearem pela mostra tomando um cafezinho. “As pessoas vão poder pegar um café e andar pelos jardins e ambientes. Acredito que isso humaniza a mostra”, comenta Alessandro, destacando que todos os descartáveis são biodegradáveis e, portanto, estão alinhados com o pilar de sustentabilidade da empresa.

Assim como o espaço, o cardápio cresceu consideravelmente. As estrelas da última edição – o bolo de tangerina de Alessandro e o bolo de milho cremoso de Jéssica – farão parte do menu ao lado de novidades como os toasts, disponíveis em três versões: com pasta de abacate, camarão frito na manteiga de páprica e granola salgada; creme de parmesão, carpaccio de angus, maionese de mostarda dijon e granola salgada; e pasta de limão, alho-poró, tomate assado e granola salgada.

O café, evidentemente, é assunto sério no Cria. Portanto, serão ao todo seis perfis de grãos que podem ser servidos em forma de espresso ou coado no método V60 (suporte cônico com filtro de papel). Drinques sem álcool que unem, por exemplo, cold brew (método de extração a frio do café), xarope de café e água com gás também farão parte da seleção de produtos de Alessandro e Jéssica.

Na cafeteria, os coquetéis assinados pelo mixologista Leo Gomes visam tirar o café do lugar-comum. O Orange Coffee, que une xarope de café, suco de laranja e água tônica, é mais refrescante, enquanto o Raízes Mineiras, feito com café, vermute artesanal e Campari, tem perfil mais intenso.

Clássicos e releituras

Já nas operações do Rivo, quem assina a carta é o mixologista Honório Gonçalves. No bar speakeasy, a ideia são clássicos e releituras. O “Caosmopolitan”, que revisita o clássico Cosmopolitan, ganha brasilidade pelas mãos do especialista, que usa vodca de babaçu, licor de jabuticaba, limão siciliano e limão capeta.
Para paladares mais intensos, o Rivo Contemporâneo, com uísque Macallan 12 anos, licor Drambuie (de uísque), maple syrup e Cynar 70 (aperitivo à base de alcachofra com o dobre de graduação alcoólica do tradicional) é uma boa pedida.

Como releitura do amado Fitzgerald, Honório apresenta, no bar principal (de baixo), o Fitz Camp, com gim, limão siciliano, xarope de açúcar e bitter italiano. Outra criação do mixologista para o espaço é o Rivo Joseph, que une o Cynar, vermute tinto, limão siciliano e bitter de café.

No Bar de Bolhas, Honório assina três drinques engarrafados: o negroni, a caipirinha (intitulada “I Hate Caipirinha”, do inglês “eu odeio caipirinha”, como uma brincadeira, já que é um drinque amado pelo mixologista) e o old fashioned.

O quarto drinque – o Rivo Spritz, que leva uísque, licor de pêssego, jerez, prosecco e Aperol – será servido tanto em garrafas quanto na torneira.

Mais bebidas

Para reafirmar a força da sidra, a marca Aparesidra lançará na mostra outra versão da bebida fermentada de maçã, com pera

Aparesidra/Divulgação

A seleção criteriosa da mostra também é evidente na escolha dos fornecedores de bebidas. Cláudia Pitanguy e Rafael Ávila, sócios da marca de sidras artesanais Aparesidra, vão trabalhar com três produtos da marca.

A clássica sidra seca de maçã e a versão com abacaxi – batizada de Enaltesidra – muitos já conhecem. A grande novidade, entretanto, é a Convensidra, de maçã e pera. “Um dos nossos desafios é introduzir a cultura da sidra nesse evento”, conta Cláudia, confiante do sucesso do lançamento e dos rótulos já consagrados. “É muito difícil encontrar esse tipo de sidra em grande volume no mercado, até pela própria delicadeza da pera, então era um sonho trabalhar com essa bebida. Desde que começamos a marca, já tínhamos esse projeto.”

Da cervejaria Verace, uma das novidade será a Pilsen com baixo teor alcoólico, sem glúten e pouquíssima caloria

Lucien Esteban/Divulgação

A fornecedora de cerveja da Casacor Minas 2026 será a Verace. “Estamos muito felizes com essa oportunidade de expor o nosso produto”, diz Marcelo Paixão, à frente da marca. A ideia dele é mostrar que a cerveja, assim como os vinhos, têm perfis distintos e harmonizam com pratos. Entre os rótulos levados para a mostra, há uma IPA com e outra sem álcool e uma pilsen.

Assim como a Aparesidra, a Verace vai aproveitar a mostra de arquitetura para lançar novidades: uma Pilsen sem álcool e outra com menor teor alcoólico, sem glúten e com baixíssima caloria. O Bar de Bolhas será o espaço em que a cervejaria estará presente com uma chopeira. Nas outras operações, as cervejas servidas serão as engarrafadas.

Os vinhos da mostra ficam a cargo da Liber Wines e da Casa Valduga. Tuca Schirmer, da Assemblage Vinhos e representante da Famiglia Valduga em BH, é quem assina a seleção da marca. A sommelière vai propor harmonizações especiais e degustações guiadas.

Sommelière da Liber Wines, Maria Bragaglia conta que os menus variados favorecem uma experiência mais personalizada com os vinhos. “São restaurantes com propostas diferentes entre si, então conseguimos fazer cartas distintas para cada operador, ainda assim com vinhos que estarão em todas as operações, que são os ‘queridinhos’ da Liber”.

Para isso, é claro, o diálogo com as casas é imprescindível. “Sempre sentamos com os chefs para entender o que eles vão servir para termos vinhos versáteis, que funcionem com o cardápio todo, e mais específicos, que podem combinar mais com determinados pratos”, complementa.

Mergulho em si

"É a primeira vez que o restaurante é literalmente meu. O projeto foi feito para mim" - Agnes Farkasvolgyi, chef

Jair Amaral/EM/D.A Press

De todas as edições da Casacor Minas em que assinou o cardápio, esta é, certamente, a mais marcante para a chef Agnes Farkasvolgyi. “É a primeira vez que o restaurante é literalmente meu. O projeto foi feito para mim.”

No espaço, os arquitetos Paulo Augusto Campos e Sarah Floresta, da Balsa Arquitetura, se dedicaram a retratar o mundo dessa personalidade multifacetada que é Agnes – as formações em física, artes plásticas e gastronomia já exprimem bem isso.

Enquanto isso, no menu, foi proposto a Agnes que revisitasse pratos icônicos da sua história. Ao lado dos parceiros designers Fernanda Brugger e Marcio Shimabukuro, além da filha e chef Camila Farkasvolgyi, Agnes chegou a um menu em que todos os pratos são nomeados com datas.

Na seção de abre bocas, o “1990” é um patê de foie gras com jiló crocante e geleia de cebola. “Minha versão de fígado acebolado com jiló”, brinca a chef, que diz fazer esse patê desde a década de 1990.
A paixão por pato – que surgiu na década de 1980, quando comeu a carne pela primeira vez em uma viagem à Europa – levou a chef a elaborar uma coxinha com a ave. É uma espécie de “panquequinha” recheada com pato, cebolinha e pepino e pincelada com o molho laqueado do tradicional pato à Pequim. A dupla é intitulada “1980”.

Um dos destaques na seção de entradas é o ovo mollet com aspargos e um creme suave feito com o broto. “No ano de 1998 [ano que dá nome ao prato], fazia uma versão de aspargos com ovos com molho hollandaise e às vezes com salmão.”

Rolinhos de pupunha com camarão, castanhas, tahine preto, laranja e gergelim: prato criado em 1996 volta repaginado

Jair Amaral/EM/D.A Press

Também entre as entradas, a releitura de uma salada batizada de Ásia de Cuba. O prato criado em 1996 tinha camarão, palmito, banana, gergelim e castanha. A versão atual tem basicamente os mesmos ingredientes, mas com roupagem bem diferente – são rolinhos de palmito pupunha recheados com camarão, homus de castanhas com tahine preto e molho de laranja com gergelim.

Hungria no prato

Para compor o cardápio de pratos principais, Agnes selecionou uma receita que sempre prepara, por vezes até no menu executivo do A Casa da Agnes, bistrô da chef localizado no Bairro Santo Antônio, Região Centro-Sul de BH. “O frango à páprica é um prato típico da Hungria e eu queria colocar alguns elementos húngaros no menu, já que tem a ver com minha história [a chef é descendente de húngaros e cônsul do país na capital].”

Dessa vez, ela vai fazer um galeto com páprica húngara servido com nhoque tradicional do país europeu. O prato leva o nome de “1979”, data da primeira ida de Agnes à Hungria.

Ainda entre os principais, a chef destaca o ravioloni de milho com camarão picante e costeletas de milho crocantes feitas na manteiga de bacon e ervas. “Esse é o '2010', ano em que misturei milho com camarão pela primeira vez em um prato que era uma espécie de bobó.”

Festa de sobremesas

A confeiteira Marina Mendes explora quatro sobremesas pelas quais a chef do restaurante é apaixonada

Jair Amaral/EM/D.A Press

A parte doce do cardápio será assinada pela chef pâtissière Marina Mendes, a Sá Marina, que comandou o restaurante da última edição da mostra ao lado de Agnes. “Neste ano estamos festejando a décima participação da chef na Casacor e nada mais justo que festejarmos ela, o jeito Agnes de ser”, comenta.
Por isso, a confeiteira vai explorar quatro sobremesas pelas quais a chef é apaixonada. A primeira delas, a tradicional mousse de chocolate, vai rechear um cacau, que leva ainda licor de tangerina e pêssego salteado na manteiga de ervas. “Quando reformei meu ateliê, a Agnes me deu uma pintura em aquarela de um cacau e agora é minha vez de ‘devolver’ esse presente”, diz, destacando que mandou fazer versões comestíveis da aquarela em questão.

O clássico crepe Suzette vai se transformar em “Agnette” na Casacor Minas. Diferentemente do tradicional, a massa será mais durinha e virá com redução de saquê e coulis de morango com pimenta coreana.
Para representar o papo de anjo, um dos doces favoritos de Agnes, Marina vai servir uma compota de queijo com abacaxi, creme de iogurte, chantili de queijo fresco e pesto de hortelã, alecrim, azeite e caramelo. Por último, mas não menos importante, a tarte tatin – torta de maçã francesa – será apresentada no restaurante da Casacor Minas em versão com pera e caramelo com cachaça de jambu.

*Estagiária sob supervisão da subeditora Celina Aquino

Anote a receita: trouxinha de carne de sol do Cria Café

Trouxinhas de carne de sol do Cria Café

Marcus Santiago/Divulgação

Ingredientes:

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  • 4 folhas de massa filo moldadas em formato de trouxinha;
  • 300g de carne de sol cozida, dessalgada, temperada e desfiada;
  • 150g de creme de ricota;
  • 80g de parmesão ralado fino;
  • 1 pitada de noz-moscada ralada na hora;
  • Pimenta-do-reino moída na hora a gosto;
  • 4 cebolas grandes cortadas em meia lua;
  • 1 colher de sopa de manteiga;
  • 1 colher de sopa de azeite de oliva;
  • Sal a gosto;
  • 120 g de requeijão do Norte cortado em cubos;
  • 1 colher de chá de páprica defumada;
  • Brotos ou folhas de ervas frescas para decorar.

Modo de fazer:

  • Em uma frigideira larga, aqueça a manteiga com o azeite.
  • Adicione as cebolas e uma pitada de sal.
  • Cozinhe em fogo baixo por cerca de 45 minutos, mexendo ocasionalmente, até que fiquem macias, douradas e naturalmente adocicadas.
  • Reserve.
  • Misture o creme de ricota com o parmesão ralado até obter um creme liso e homogêneo.
  • Tempere com noz-moscada e pimenta-do-reino.
  • Se necessário, aqueça levemente em banho-maria para atingir uma textura mais fluida.
  • Leve as trouxinhas recheadas com a carne de sol ao forno preaquecido a 180°C por aproximadamente 12 minutos, ou até que a massa filo esteja dourada e crocante.
  • Espalhe uma porção do creme de parmesão no centro do prato.
  • Disponha a trouxinha sobre o creme e acomode ao lado a cebola caramelizada.
  • Distribua os cubos de requeijão do Norte sobre a cebola e maçarique até formar uma fina crosta dourada, mantendo o interior cremoso.
  • Finalize com uma pitada de páprica defumada e, se desejar, brotos ou ervas frescas para trazer leveza e frescor ao prato.
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