Em 2016, os integrantes da banda mineira Lagum já faziam planos para uma década à frente. Na faixa “2026”, do disco de estreia, “Seja o que eu quiser”, cantaram sobre agosto de 2026. A data chegou e encontrou Pedro Calais (vocal), Jorge (guitarra), Zani (guitarra) e Chico (baixista) se preparando para cair na estrada com a turnê “Lagum em todo lugar”, comemorativa aos 10 anos da banda.
O giro começa por BH, neste sábado (17/10). “É o lugar onde a gente nasceu, onde fazemos nossas experimentações, a galera viu a gente crescer aqui, nossos amigos, amigos de amigos, nossos familiares. Nos sentimos bem acolhidos e confortáveis começando por aqui”, afirma Pedro Calais.
“As cores, as curvas e as dores do mundo”, lançado em maio de 2025, é o álbum mais recente do grupo e coloca BH no centro da produção desde a capa, fotografada no terraço do Edifício Niemeyer, na Praça da Liberdade. A capital e os fãs vêm sendo celebrados por Pedro, Jorge, Zani e Chico, assim como a trajetória da banda.
Para Jorge, o setlist da turnê é quase como um quebra-cabeça de canções da trajetória do Lagum. A ideia principal da banda é levar a mensagem de suas músicas “para todo lugar”, como indica o título da turnê.
O guitarrista relaciona o processo de escolha das faixas às “Live sessions”, projeto de apresentações ao vivo da banda, que já passou pela Amazônia e pelo Bondinho, no Rio de Janeiro, e está disponível no YouTube.
“Olhamos para nosso repertório, singles, álbuns e músicas que os fãs adoram, mas que não são tão conhecidas pelo público geral, e vira uma grande arquitetura. Pensamos: Mas desse álbum não contemplamos nada, o que vamos trazer daqui? Essa música os fãs adoram, ela é muito importante, vamos trazer também”, diz Jorge. No projeto ao vivo, apresentaram canções como “Seu e só”, “A cidade”, “Ninguém me ensinou”, “Ponto de vista”, “Telefone” e “Deixa”.
Chico diz que o intuito da turnê é tanto contemplar os fãs quanto atingir novos públicos. A turnê passará pelo Rio de Janeiro, Brasília, Ribeirão Preto, Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba, até 13 de dezembro .
“Muitas vezes, encontramos pessoas nos camarins, e elas dão relatos superbacanas sobre como o Lagum as ajudou em determinado momento da vida, ou a banda simplesmente as diverte. Então um dos nossos objetivos é trazer novas pessoas para a gente poder entregar essa mensagem”, afirma.
AGOSTO DE 2026
Quando cantaram “faço planos para agosto de 2026”, não imaginaram que as coisas estariam como estão hoje. A banda acumula três indicações ao Grammy Latino – com os discos “Memórias (de onde eu nunca fui)”, “Lagum ao vivo” e “Depois do fim” –, 2 milhões de ouvintes mensais no Spotify e estúdio próprio: o Ilhota Estúdios, no bairro Santa Tereza, em BH.
“Nem nos melhores sonhos pensamos que estaria como está. Acho que a gente desejava muito, mas imaginar que seria assim, não. É muito maluco pensar que, no início da banda, no segundo ensaio, por exemplo, eu e o Jorge falávamos: ‘Mano, isso aqui é nossa vida, nós vamos fazer dar certo’”, diz Pedro Calais.
“Éramos crianças falando isso, o que é bizarro. Mas acho que deu certo porque tinha muita vontade, muito trabalho e dedicação. Eu queria ter hoje a coragem que eu tinha antes para planejar os próximos 10 anos, queria ter a audácia de fazer isso”, acrescenta o vocalista, hoje com 30 anos.
Zani descreve como imprescindível a banda se reunir em estúdio e cita ter sido um grande passo conquistarem o próprio espaço e perceberam ainda mais a importância de se reunirem. “Isso aqui é nosso, sabe? Trabalhamos, no final das contas, com música. Então, estamos por aqui mexendo nos arranjos e podemos produzir o nosso disco aqui, em casa. Hoje em dia, temos que trabalhar com comunicação e com muitas outras coisas para a Lagum continuar caminhando e no estúdio nunca esquecemos da música, aprendemos muito aqui.”
Na caminhada de uma década, os integrantes da banda enfrentaram também uma perda repentina. O baterista Tio Wilson (Breno Braga) morreu em setembro de 2020, aos 34 anos, após show da Lagum em Nova Lima. O vocalista confessa pensar muito no colega de banda, em diversos momentos.
“Às vezes, quando estou com preguiça de gravar um conteúdo, fazer algo que acho chato ou ridículo, eu sempre penso nele. Ele entrou na banda quando tinha 33 anos e ele já tinha tentado diversas vezes viver de música, então lembro dele falando: ‘Pensa que o que você está vivendo é um privilégio, quantas pessoas gostariam de estar no seu lugar?’”, conta o vocalista. “Falas como essa me lembram de ser grato pelo que temos.”
Ele observa que a banda só ganhou alcance nacional com a entrada de Tio Wilson. Um dos maiores sucessos da Lagum, “Ninguém me ensinou”, é usado para homenagear o baterista. “Ele realizou o sonho dele estando com a gente, ele pode viver de música e ter sucesso em uma carreira musical. Nós também realizamos nosso sonho depois que ele entrou.”
“LAGUM EM TODO LUGAR”
Show da banda. Neste sábado (17/10), no Arena Hall (Avenida Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi). Abertura dos portões às 19h, show às 21h. Ingressos à venda pela plataforma Ticketmaster. Pista esgotada. Cadeira: R$ 180 (inteira), R$ 90 (meia) e R$ 110 (ingresso solidário).
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*Estagiária sob supervisão da editora Silvana Arantes