Hábitos culturais

Shows de música atraem mais brasileiros em 2026

Pesquisa aponta o aumento da presença do público em atividades culturais presenciais no Brasil. Espetáculos musicais atraíram 51% este ano, contra 45% em 2025

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Mais da metade dos brasileiros leu um livro impresso em papel nos últimos 12 meses. É o que diz a sétima edição da pesquisa “Hábitos culturais dos brasileiros”, realizada pelo Observatório Fundação Itaú, com apoio técnico do Datafolha. O levantamento aponta o crescimento na participação em atividades culturais presenciais, acesso que varia de acordo com a classe econômica e a escolaridade.

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A pesquisa ouviu 2.448 pessoas de 16 a 65 anos, em 137 municípios de todas as regiões do país, entre 7 e 20 de julho deste ano. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.



Ao vivo


De acordo com o levantamento, 88% dos entrevistados realizaram pelo menos uma atividade cultural presencial nos 12 meses anteriores à pesquisa. O resultado representa aumento em relação a 2025, quando o percentual foi de 84%. Entre as pessoas que participaram de atividades presenciais, 59% afirmaram adotar esse hábito ao menos uma vez por mês.



A presença em shows de música registrou crescimento de 45% para 51% entre 2025 e 2026. A participação em centros culturais passou de 26% para 32% no mesmo período. Visitas a museus subiram de 16% para 21%, enquanto a ida a exposições de arte aumentou de 27% para 31%.



“Como surpresa positiva, destaco o aumento no acesso às atividades presenciais, em especial quando observamos o percentual de brasileiros que disseram ter ido a shows de música”, afirma Ana Maria Cardoso, coordenadora do Observatório Fundação Itaú.



Os dados apontam diferenças significativas entre os grupos sociais. Enquanto 63% das pessoas das classes A e B foram ao cinema nos 12 meses anteriores à pesquisa, o percentual nas D e E foi de apenas 18%.



O levantamento indica que a participação em atividades culturais presenciais é maior entre pessoas com ensino superior e integrantes das classes A e B. O dinheiro e a insegurança aparecem entre os fatores que dificultam a adoção desse tipo de programa.



Na avaliação de Ana Maria Cardoso, os resultados precisam ser analisados considerando as desigualdades que persistem no país. “Se, por um lado, é positivo o aumento do acesso às atividades presenciais, é importante considerar que precisamos de mecanismos para combater as desigualdades no acesso às atividades artísticas e culturais”, diz.



A pesquisa teve início em 2020, durante a pandemia de COVID-19, quando artistas e instituições culturais tiveram de se adaptar ao ambiente digital.



Desde então, o levantamento acompanha os hábitos culturais dos brasileiros, incluindo práticas presenciais e online.



“Naquele primeiro momento, a pesquisa buscou mapear como o acesso à arte e à cultura se dava em um cenário em que artistas e instituições culturais precisaram se adaptar ao mundo digital para continuar suas atividades e oferecer programação ao público”, explica Ana Maria.



A edição de 2022 registrou o processo de reabertura dos espaços culturais. A partir de 2023, a investigação passou a acompanhar de forma sistemática o acesso à cultura.



“Quando a gente olha todas as edições da pesquisa, observa que, mesmo no cenário de maior dificuldade para o setor cultural, como a pandemia, arte e cultura continuam desempenhando um papel fundamental na rotina dos brasileiros”, afirma a coordenadora.



A edição de 2026 ampliou o conjunto de atividades culturais investigadas. Pela primeira vez, foram incluídos espaços ligados ao patrimônio histórico, pontos de cultura e espaços comunitários, rodas de samba, pagode ou choro e bailes funk.



Os resultados mostram que 39% visitaram espaços ligados ao patrimônio histórico nos 12 meses anteriores à pesquisa.



Atividades culturais em espaços comunitários foram mencionadas por 38% dos entrevistados. Já 30% participaram de pagodes, rodas de samba ou rodas de choro, enquanto 9% foram a bailes funk.



A pesquisa aponta caminhos para ampliar o acesso à cultura. Entre as medidas citadas pelos entrevistados, 42% mencionaram a criação ou ampliação de programas gratuitos.



A oferta de mais equipamentos e instituições públicas culturais fez parte das sugestões, assim como a reforma e a modernização de espaços existentes, citadas por quase um terço dos consultados.



Desigualdade


Ana Maria Cardoso afirma que os resultados ajudam a identificar tanto o que pode facilitar a participação quanto os fatores que afastam os brasileiros das atividades culturais. Para ela, é necessário considerar as desigualdades sociais e educacionais, pois pessoas de classes econômicas menos favorecidas e com menor escolaridade têm menos acesso às atividades culturais.

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“Todos esses fatores trazem elementos para a gente se aprofundar em como as atividades podem ser melhor difundidas para a população em geral”, conclui.


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